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Os discursos do dia da cidade

bmd

Na sessão solene comemorativa do dia da cidade, 1 de março, os representantes de cada uma das forças partidárias representadas na Assembleia Municipal discursaram, numa série de intervenções aberta pelo presidente da assembleia e encerrada pela presidente da câmara.

Solicitámos a todos os intervenientes que nos enviassem o seu discurso. Até ao momento apenas recebemos de Lurdes Ferromau (PSD), de Américo Pereira (Independentes, Presidente da Junta de Serra/Junceira), de Paulo Macedo (CDU) e de Maria da Luz Lopes (Bloco de Esquerda). Assim que nos chegarem os outros discursos iremos publicar.

 

Intervenção de Lurdes Ferromau Fernandes (PSD)

Comemoramos hoje, uma vez mais, uma data com uma carga histórica e emblemática para todos nós. A celebração do feriado municipal que evoca o início da construção do Castelo dos Templários por Dom Gualdim Pais em 1160. Tiveram início nesse dia longos séculos de história, sucessos e conquistas que
configuraram Tomar com um lugar de referência da nacionalidade portuguesa.
A implantação do Castelo e do Convento no cabeço na margem oriental do rio, teve subjacente razões estratégicas de defesa do território, permitindo a consolidação do mesmo e a fixação de populações. D. Gualdim Pais, Mestre da Ordem dos Templários, baseou a sua preferência nas premissas: “um lugar saudável, um bom clima e terrenos férteis na sua envolvência”.
A necessidade de criar uma Vila para atrair população era um dos objetivos da Ordem, porque precisavam de cultivar os terrenos, junto ao rio Nabão para desenvolver a agricultura como fonte principal de receitas (José Inácio Costa Rosa).
A vista panorâmica do convento e da sua cerca no alto da colina é sempre um elemento de identificação da cidade, perspetivando uma paisagem ímpar. É possível acompanhar, através dos registos históricos e dos conjuntos patrimoniais que podemos visitar, as transformações ocorridas. Resultado do poder real, da evolução da Ordem dos Templários para a Ordem de Cristo e das ações empreendedoras que deram origem aos descobrimentos.
Das transformações sociais, da dinamização dos espaços públicos, da realização de investimento permitindo a expansão também para a outra margem, bem como a elevação do monumental Aqueduto dos Pegões. que conduzia a água para o complexo conventual, assistindo-se, após o Infante D. Henrique, à realização de investimento em simultâneo entre o convento e a Vila.
Com a industrialização, a cidade e a população cresceram e expandiram-se. A introdução do caminho de ferro em 1928 e a localização de Tomar no Centro do País, foram fatores determinantes para vários investimentos. Foram e devem continuar a sê-lo! “Não choremos sobre o passado, nem lamentemos o presente, pensemos antes em como construir o futuro.”
Temos que procurar novos conceitos, novos modelos de gestão dos bens públicos, congregar esforços e energias, acompanhar diariamente os mais diversos desafios que chegam até nós.
Os presidentes de junta do concelho, parceiros incondicionais na estratégia de desenvolvimento local, com a sua experiência, proximidade às populações e diálogo, são fundamentais para alcançar objetivos que são comuns a todo o território.
Esses objetivos passam por abrir caminhos e encontrarn soluções para os inúmeros problemas que a atual conjuntura coloca ao nosso concelho. Hoje, mais do que nunca, exige-se de um autarca presença, visão e capacidade de liderar o futuro. Próximo de quem o elegeu e lhe atribuiu a responsabilidade de governar.
O tempo das grandes promessas na busca de votos já passou!
Hoje, queremos quem fale a verdade. Quem se preocupe com a sua terra e a melhoria das condições de vida das pessoas. O nosso município compete com outros, não só da região, mas de todo o país e até além-fronteiras. É a realidade imposta pela globalização.
O sucesso coletivo de Tomar passa por atrair um fluxo de recursos externos. Pessoas e empresas qualificadas. Ao mesmo tempo que desenvolvemos mecanismos de coesão territorial que beneficiem toda a comunidade. É tempo de sermos finalmente capazes de atrair investimentos com impacto na atividade económica do concelho, capazes de criar emprego qualificado. De cuidar do espaço público e de zelar pela imagem do concelho, tão negligenciada nos últimos anos.
E é tempo de investimento público com critério, que melhore a qualidade de vida dos cidadãos em vez de a prejudicar com sucessivos atrasos que em muito prejudicam a vida de todos.
Inspiremo-nos, por isso, em séculos de história, na memória dos tomarenses para trabalharmos pelo futuro de Tomar, por um concelho preparado para enfrentas os desafios de amanhã.

 

Intervenção de Américo Pereira (Independentes, Presidente da Junta de Serra/Junceira)

Gualdim Pais, o monge guerreiro da Ordem do Templo que ao serviço no nosso primeiro Rei não só contribuiu para a consolidação da independência de Portugal, como também para a sua estratégia defensiva com a construção de vários castelos, entre os quais o de Tomar em 1160, não poderá necessariamente deixar ser visto como a principal figura da efeméride que hoje comemoramos.

E a prova provada de que assim é consubstanciou-se hoje na respeitosa homenagem e deposição de flores junto à sua estátua na Praça da República, como reconhecimento que os tomarenses muito lhe devem.

Os anos não podem apagar a memória e as evidências por mais que o mundo pule e avance também não devem ser escamoteadas. Por isso, parece-nos estranho que estando os restos mortais do nosso herói num dos templos mais emblemáticos da cidade, desde há anos não tenha feito parte do programa das comemorações uma romagem ao túmulo do fundador.

Tomar tem destas coisas. Se calhar porque a galinha da vizinha é sempre melhor que a nossa. Mas o que não poderemos negar é que outras gentes, muitas delas que apenas conhecem Gualdim dos livros de história, quando de visita à cidade não perdem a oportunidade de com o respeito que a figura merece se vergarem perante as lajes calcárias que encerram os seus restos mortais.

Mas também outras figuras nabantinas de dimensão local e nacional tem sido muito mal tratadas nos últimos anos pelos tomarenses. Para muitos tudo é relativo de acordo com o ponto de vista. A ditadura dominou o pais mais de quarenta anos. Era o regime vigente e nas suas hostes militaram milhares de portugueses. Muitos que nunca nada fizeram pelo pais e muito menos pela terra que os viu nascer, viraram de repente heróis de pés de barro e outros que muito contribuíram para o desenvolvimento e prestígio de Tomar, foram lançados às calendas gregas da história, diabolizados e excomungados sem direito a contraditório.

Fernando Oliveira, o General que tão brilhantemente serviu a sua cidade que muito amava, onde como presidente de Câmara inaugurou várias obras, como o mercado municipal e o palácio da justiça, é um bom exemplo do que acabo de referir. Seria interessante que num futuro próximo o poder político venha a ter coragem de assumidamente reconhecer a obra ímpar deste verdadeiro tomarense e lhe preste a devida homenagem colocando o seu busto em local de destaque na cidade.

Contrariamente ao defendido pelos profetas da desgraça e alguns falidos do burgo, Tomar não tem o que merece, porque na verdade merece muito mais. É preciso ter coragem política, visão adequada e firmeza nas decisões. Os interesses do coletivo nunca poderão ser prisioneiros dos interesses de alguns e do egocentrismo de outros.

Na área da educação, por exemplo, muito haverá a fazer. O poder político terá necessariamente que se impor e definir para o concelho o que melhor se ajuste ao interesse dos alunos, professores e encarregados de educação. O fingir que nada acontece será claramente a pior das opções, até porque o correr atrás do prejuízo quase sempre penaliza severamente o erário municipal em milhares de euros, como o que aconteceu no presente ano lectivo no que respeita ao transporte escolar, para já não falar nas horas a fio que os alunos das freguesias rurais têm de esperar pelo dito transporte. A ligeireza de como muitas matérias importantes têm sido tratadas devem ser absolutamente erradicadas independentemente da cor ou interesses partidários dos seus responsáveis.

Tomar necessita urgentemente de um centro escolar para acomodar os jardins de infância e o ensino básico da cidade. Não será com medidas ou decisões paliativas que a situação se resolve. Existem instalações escolares para o 2º e 3º ciclos a mais e a menos para jardins de infância e 1º ciclo. Não vale a pena tapar o sol com a peneira, importa sim ser realista e tratar o problema com a objectividade e sentido de responsabilidade que merece.

Com instalações a caírem de podre, como as que atualmente existem, bastará fazer uma abordagem pragmática à situação e tudo se resolve.

Estamos conscientes das múltiplas dificuldades que condicionam o desenvolvimento de uma cidade do interior, como Tomar. Estamos conscientes que a desertificação será sempre o maior dos obstáculos ao seu desenvolvimento. Mas também estamos conscientes que as algumas das opções políticas dos últimos vinte anos, tem sido as grandes responsáveis pelo marasmo e estagnação da nossa cidade.

O concelho de Tomar perdeu 13% da sua população entre 2001 e 2018, 10% dos quais nos últimos 10 anos. De 2014 e 2019, metade das freguesias rurais do concelho perderam cerca de 10% dos seus residentes e a cidade um pouco menos de 5%. Dos concelhos vizinhos de igual dimensão, o de Tomar foi o que mais perdeu população entre 2008 e 2018.

Naturalmente as razões terão sido muitas, mas inevitavelmente as principais encontram-se associadas à falta de emprego e a um PDM desajustado e caduco, cuja revisão teima em não dar à costa.

Bem sabemos que revisão do PDM continua a ser o parente pobre do executivo municipal e do maior partido da oposição. Cada um a seu jeito lá terá as suas razões e como os tomarenses continuam a dormir na forma e a imprensa a não pegar no tema como o deveria fazer, tudo indica estarmos na presença de “um não problema”, pelo menos para alguns.

Pela nossa parte não desgrudamos. É o terceiro ano consecutivo que batemos na mesma tecla. O parto tem sido difícil, mas como 2021 é ano de eleições, talvez alguém de lembre de fazer cesariana.

Viva Tomar.

 

Intervenção de Paulo Macedo (CDU)

Comemoram-se 860 anos de Tomar, e citando ÁLVARO JOSÉ BARBOSA, falando sobre o rio Nabão:

Foi num desses pequenos agrupamentos colinares, junto ao rio, que os Templários escolheram a elevação sobre a qual fundaram, em 1160, a vila fortificada de Tomar e a sua casa militar provincial. O grupo forma uma unidade de paisagem particular, composta por um conjunto de sete montes que evoluem circularmente de norte para sul, em forma de arco de ferradura que abriga no seu seio um fresco vale descendo para o Nabão. É o vale da Riba Fria que, subindo por entre os montes, de nascente para poente, foi o eixo gerador de toda a paisagem construída a partir da ocupação templária.

E hoje sobre o rio Nabão o que ouvimos? Que o rio em dias de chuva, e já começa a ser habitual, vê-se a correr todo poluído pelas descargas. Qual é o plano das Câmaras Municipais de Tomar e de Ourém que deviam apresentar aos Tomarenses para que o que é proveniente da ETAR de Seiça, contruída em território de Tomar, consiga tratar o que é de Ourém e não o envie rio abaixo?

E aí o que pretendemos, que a Câmara Municipal de Tomar assuma o papel de verdadeiro defensor intransigente do Rio Nabão.

Também foi preocupação nesse tempo de D. Gualdim, mestre dos cavaleiros portugueses do Templo, e diante o compromisso de promover o povoamento da região, quando foi concedido o primeiro foral do termo de Tomar em 1162, documento posteriormente confirmado em 1174.

Citando agora Emanuel Cardoso Pereira:

Após a doação das terras, ao analisarmos a cronologia da (re)construção do castelo (cabeça política do território), da outorga de foral à vila (centro urbano e polo da estruturação de uma economia local) e do estabelecimento de comenda (gestão de redes de aldeias e casais), entendemos que estes três vetores foram o suporte estratégico do povoamento, permitindo a captação mais eficiente de recursos humanos e materiais.

E agora o que verificamos? Que o concelho de Tomar, é um concelho marcado profundamente pela acentuada diminuição da sua população, por uma elevadíssima taxa de envelhecimento, ou seja, um concelho com uma evolução negativa e persistente da sua demografia. O que era o suporte estratégico do povoamento, há mais de 850 anos, o fixar população e a estruturação de uma economia local, hoje acontece precisamente o contrário.

Citando literatura sobre aquele período:

Naquela época a almotaçaria e o almotacé, a instituição própria da altura e o oficial específico, com funções de controlo dos mercados, limpeza urbana e construção.

Porque o cargo de Almotacé aparece nos cuidados com a fiscalização de abastecimento da vila – relativamente a preços, pesos e medidas, além de cuidar da parte de saneamento e limpeza…

Hoje sobre a limpeza urbana, é comum ouvir-se dizer que a cidade se encontra suja, e sabemos que desde o dia 1 de janeiro de 2019, os Serviços de Limpeza Urbana, passaram a ser competência da Câmara Municipal de Tomar e não dos SMAS, porque já não existem, estão adormecidos!!

No dia em que se comemora o Dia de Tomar, a CDU quer com esta pequena intervenção relembrar três questões que preocupam muitos Tomarenses e igualmente a CDU, pois no programa que apresentou à população em 2017 falava precisamente, entre outros, destes assuntos, propondo o seguinte:

A CDU considerava que são três os principais eixos de trabalho a implementar com urgência.

O primeiro:

  1. A qualificação dos serviços públicos prestados aos cidadãos do Concelho quer ao nível dos especificamente decorrentes das competências do Poder Local (no caso, os cemitérios, a limpeza urbana e recolha de resíduos ou a rede em baixa de distribuição de água e de saneamento) como os que dependem especificamente do Poder Central (seja a saúde, a educação, a segurança social, os transportes ou o ambiente, entre outros).

Falávamos de haver: – a necessidade e urgência da qualificação dos serviços de limpeza urbana e recolha de resíduos;

Assim como falávamos neste eixo estratégico, da criação de um:

Gabinete de Apoio à Criação de Emprego e Captação de Investimento que promova as potencialidades do Concelho…

O segundo eixo estratégico:

  1. …. A criação de condições que permitam a instalação e o desenvolvimento de forças produtivas no concelho é condição decisiva para se criar emprego, atrair e fixar novos habitantes.

O terceiro eixo estratégico:

  1. Reorganização e modernização dos Serviços do Município

E dizíamos que, sobre este 3.o eixo:

A estrutura orgânica do Município precisa de ser adaptada às necessidades operacionais da atividade do Município e em particular às que decorrem dos dois eixos de trabalho anteriormente enunciados.

Concluindo, há 860 anos já se falava em estratégia…

E não posso terminar sem deixar de felicitar as pessoas, empresas e instituições tomarenses aqui homenageadas.

A CDU saúda todos os homenageados.

 

Intervenção de Maria da Luz Lopes (Bloco de Esquerda)

No dia 1 de março comemoramos a cidade de Tomar, que nasceu há oitocentos e sessenta anos sob a proteção dos Templários e se consolidou com Casa do Infante D. Henrique e na missão universal do Convento de Cristo. Nessa época a cidade cresceu, acolheu judeus e mercadores e prosperou. Ao longo dos anos e séculos, dos olivais da Cerrada dos Cães e de Santa Maria se fazia azeite nos nossos lagares, nos moinhos da Ordem, se moía a nossa farinha com o trigo cultivado nos campos que cercavam a povoação. O que chamamos hoje, viver ecologicamente, era a vida dos nossos antepassados e devemos colocar aí a nossa atenção, quando é preciso decidir obra.

Sejam simples, dizem os jovens ecologistas, pois bem, ser simples não é fácil, mas pensemos nisso. Como qualquer outra cidade da antiguidade, a nossa também nasceu de uma pequena vila na margem de um rio, como outras nasceram e prosperaram ao longo dos vales dos rios Tigres e Eufrates, na Mesopotâmia; do Nilo, no Egito; ou do rio Indo, na India. 2 Nas margens do nosso rio, como em outros rios, se produziam alimentos para as famílias e para vender nos mercados e feiras.

Na nossa cidade depois dos lagares, moinhos e ferrarias, vieram as fábricas de papel e os têxteis e com elas a eletricidade e nada disso seria possível, se não tivéssemos o nosso rio. Por isso o Nabão é tão importante para nós e a poluição de que hoje padece, nos revolta e mobiliza para a ação.

Naquilo que considero ser a nossa memória coletiva entram todos os que cruzaram os nossos caminhos, os celtas, os árabes, romanos e antes deles os homens e mulheres da pré-história. Precisamos de todos os seus legados, para sabermos quem somos e quem seremos e, por isso, nos entristece e indigna quando está em risco a salvaguarda dos nossos monumentos, sem distinção de importância ou de épocas. É o que está a acontecer com a Anta do Vale da Laje, onde a construção de um empreendimento turístico privado a escaços metros daquele importante legado arqueológico, está a atentar contra a sua integridade física, e, isso tem de ser travado.

A lei que temos que é do tempo de Salazar, não defende a nossa e as outras antas; a lei precisa de ser alterada, mas será necessário a Tomar esperar por uma lei nova para atuar, quando nem os dez metros de zona de proteção que a atual lei atual lhe confere, estão a ser respeitados? Deixo aqui o meu alerta e chamo os tomarenses a acompanharem o assunto, visitando o local ou vendo as fotografias, no facebook dos Amigos da Anta.

A propósito de internet e redes sociais se as vantagens são para aproveitar, nem tudo é bom. As redes sociais então são como bailes de máscaras, onde todos sabem quem são os mascarados, mas é indispensável usar a máscara para se ter coragem de insinuar, mentir, provocar ou ofender o outro. Reconheço razão a quem diz que só frequenta sites, blogues e outros sítios virtuais quem quer e também, só quem quiser lhes dará crédito, mas refiro aqui que são por vezes um desvio, uma perda de tempo e até a corrosão da 3 nossa inteligência, é porque quero no oposto numa esfera bem mais positiva da informação, saudar as nossas rádios e jornais de Tomar, que vão mantendo a cidade informada do que acontece, do que se diz e pensa. Nos tempos que vivemos manter no ar as rádios e fazer sair semanalmente jornais não é tarefa fácil, merecem os seus dirigentes e profissionais, também por isso, que lhes faça aqui a minha homenagem.

Quero também saudar a decisão do município em deixar de imprimir cartazes, as finanças autárquicas e o ambiente ganharam e ninguém sairá prejudicado. Gostaria no entanto de voltar a ver publicados os Boletins Culturais, pois foram e seriam também certamente os novos, fontes importantes que legaríamos aos vindouros, sobre a história e os personagens do nosso tempo.

Finalmente quero saudar os homens e mulheres autarcas, os que fazem o seu melhor, às vezes com escassez de meios como os nossos bombeiros; os homens e mulheres que dirigem e, colaboram nas coletividades locais, associações culturais e desportivas, nas associações de pais nas escolas, os que colaboram no teatro, no folclore, na música e outras artes; os que, depois de um dia de trabalho ou aos fins-de-semana dispensam tempo e energias pelo bem comum. Esses são protagonistas anónimos da nossa história, cujos nomes não serão lembrados no futuro, mas nós hoje sabemos quem são e por isso quero aqui reconhecer e agradecer o seu contributo para a comunidade de Tomar.

Um feliz dia de Tomar para todos

Muito obrigada

 

Intervenção da presidente da câmara municipal de Tomar, Anabela Freitas

Comemoramos hoje os 860anos do inicio da construção por D. Gualdim Pais, do Castelo Templário enquanto parte integrante de uma linha de defesa, a denominada linha do Tejo.Mas em pleno Séc. XXI as batalhas a travar são outras. Não são batalhas com componente bélica, nem de conquista de territórios, mas há algo em comum com as batalhas travadas no passado – a defesa de um território.

Já por diversas vezes me ouviram dizer que devemos trabalhar em rede, já me ouviram dizer que temos de abandonar a mentalidade do “orgulhosamente sós”.
Tomar, não é uma ilha isolada, Tomar afeta os territórios à nossa volta e é afetada pelos territórios vizinhos.Por isso é importante que as dinâmicas territoriais sejam conjugadas, estejam interligadas, sejam complementares.

E estamos precisamente num momento de discutirmos e aprofundarmos aquele que deverá ser o posicionamento de Tomar, nos próximos 10 anos, tendo sempre como base, os seis 6 eixos estratégicos aprovados em Assembleia Municipal, e permitam-me recordá-los:
1.Tomar enquanto território competitivo
2.Tomar enquanto território central
3.Tomar enquanto território cultural
4.Tomar enquanto território criativo e inovador
5.Tomar enquanto território com qualidade de vida
6.Tomar enquanto território cosmopolita

E este é o momento certo para decidir se temos capacidade para influenciar uma politica territorial que responda efetivamente às necessidades dos nossos concidadãos ou se nos deixamos influenciar por politicas que respondem mais aos problemas de uma região como Lisboa, que tem obviamente os seus problemas, mas atendendo às suas características, esses problemas são necessariamente diferentes dos nossos.

Minhas senhoras e meus senhores, partilho convosco estas palavras, porque estamos precisamente neste momento a construir a estratégia para o próximo ciclo de financiamento comunitário. Pela primeira vez, estamos a conseguir espaço para que possamos ter projetos que efetivamente respondam às necessidades das nossas empresas, da nossa instituição de ensino superior dos nossos concidadãos.

Numa altura em que tanto se fala de aeroportos, em minha opinião até demais, não posso deixar de falar do aeródromo de Tancos, que parte desse polígono se situa em Tomar.

Temos ou não uma infraestrutura no nosso território que está desaproveitada? Sim,temos!
Temos ou não obrigação de preventivamente, antes que a mesma fique ao abandono de intervir? Sim, temos!

E que fique claro, a instituição castrense é importante para Tomar, bem como para o território onde nos inserimos. Por isso defendo em primeiro lugar, que Tancos enquanto infraestrutura militar que é, seja mais aproveitada, mais valorizada para esse fim.

Entendo que não se pode ter um discurso a defender o interior e depois aquando da deslocalização de infraestruturas ou serviços militares a mesma ocorra para regiões do litoral.

Por outro lado, a centralidade e não só a centralidade nacional mas também ibérica da nossa região, aproveitando as infraestruturas existentes ferroviárias e rodoviárias, posiciona-nos equivocamente como uma plataforma logística de excelência.

De referir, que o e-commerce tem crescido a 2 dígitos e que muitos dos territórios à nossa volta são grandes produtores de produtos agrícolas e que necessitam de escoamento rápido.Por último, de referir a componente turística. A par de Tomar, com o turismo cultural, estamos ao lado da maior porta de entrada do turismo religioso, Fátima e a estratégia que tem estado a ser desenvolvida de aproveitar estas duas portas de entrada de turistas, para aumentar a permanência de turistas no território será inevitavelmente potenciada pela existência de um aeroporto próximo.

Minhas senhoras e meus senhores, é comum, nós os tomarenses, dizermos que temos orgulho em sermos tomarenses.

Mas o que muitas das vezes assistimos é um denegrir daquela que é a nossa cidade, daquele que é o nosso concelho.É um denegrir do trabalho das nossas associações, das nossas empresas, das nossas instituições, muitas das vezes apenas com a finalidade de atingir pessoalmente quem as dirige, esquecendo que em ultima instância está todo um concelho.

Nada é perfeito, nada se faz agradando a gregos e a troianos, permitam-me a expressão.
Ninguém em lado nenhum, está isento de cometer erros e ninguém é perfeito.
Tomar, como qualquer território é composto por pessoas e como tal não é perfeito, mas uma coisa vos garanto, nunca ninguém em lado nenhum me ouvirá dizer mal de Tomar, porquê?
Porque tenho orgulho na minha terra, tenho orgulho em ser tomarense e quando se tem orgulho e se sente a sua terra não se diz mal.Termino com uma frase de Sir Winston Churchill que já tive oportunidade de partilhar convosco, mas que entendo que se aplica ao momento: “Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade, um otimista vê uma oportunidade em cada dificuldade”.
Sejamos otimistas.

Viva Tomar!

Escrita por Redação

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