Um mês depois, o utente SNS que denunciou (ver Tomar na Rede, “SNS de Rastos”, 16 abril 2026) a falta de resposta da ULS Médio Tejo referente a pedidos de ecografias, viu revertida a recusa de um dos três hospitais que compõem o Médio Tejo e conseguiu que uma dessas unidades de saúde lhe fizesse a eco.
Na altura o utente elaborou uma reclamação que foi enviada para várias entidades: ERS – Entidade Reguladora da Saúde; IGAS – Inspeção geral das Atividades em Saúde; Ordem dos Médicos; Provedor de Justiça; gabinete do Presidente da República quando esteve em Tomar, e outros que não interessa agora mencionar…).
Entre vários, o Tomar na Rede destacou-se por dar voz ao reclamante. A SIC também abordou o assunto, apesar de não ter conseguido passar a real dimensão do problema para os portugueses, o problema no seu todo.
(a propósito: quantos médicos de imagiologia haverá na ULS Médio Tejo, isto para cobrir os três hospitais…? E dermatologistas…? Ora aí estava uma coisa interessante para a SIC “verificar”.)
Quanto à desculpa de que “o utente pode sempre recorrer aos serviços convencionados com o SNS e fazer o exame de graça, quando os hospitais não dão resposta”, importa referir que essa alternativa nunca foi comunicada ao utente quando tentou marcar a eco nos três hospitais em início de Abril, bem como indicar-lhe dois ou três locais dos tais “convencionados” (com morada física, telefone, email!) na zona de abrangência do hospital.
– “Nós não lhe podemos fazer o exame, mas dirija-se a esta ou aquela ou a outra morada que aqui lhe fornecemos neste papel, e faça a eco à mesma através do SNS, sem pagar”.
Não, isso não fizeram. Se o fizessem, poderiam depois ficar de consciência tranquila se o utente ainda assim quisesse ir ao privado.
De referir também que a Secretaria Geral do Ministério da Saúde, face à reclamação do utente, lhe enviou um curioso email com um link sobre “serviços convencionados com o SNS” (de repente já apareceram “serviços convencionados” e exames de graça!).
A lista incluía cerca de 3.234 locais, mas sem informação de telefone ou email, e o utente se quisesse que fosse à procura deles, sendo que a maior parte deles apenas tinha a valência para análises / colheitas…(!). Ora aí estão os “serviços convencionados”, que se calhar pouca gente nestes concelhos – Tomar, Torres Novas, Abrantes – ou outros que sejam, sabe bem se existem e onde ficam…
Vem aí o verão, bom tempo para festas e festarolas, esplanadas e rodadas de cerveja, mas o comum cidadão que não é rico e ainda por cima paga uma pipa de impostos e é descriminado por viver no Interior, é bom que não se distraia muito e pense mais em coisas sérias. Quando adoecer (ou os seus), até porque ninguém tem a saúde nas mãos, vai ver o que o espera no SNS – se é que já não o sabe – e aí perde a vontade de rir.
Cuidado, porque há gente de total insensibilidade para com o ser humano e desmesurada ganância por milhões, que adoraria ver o SNS extinguir-se de vez, …para depois lucrar com isso, à sua maneira. Reivindique. Não fique calado. O direito à reclamação é um direito que assiste ao cidadão, consagrado na Lei. Exerça-o o mais possível, desde que não minta ou trate mal as pessoas, até porque quem luta pode perder ou ganhar, mas quem não luta perde sempre.
(anónimo)

