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Manifestação na escola Santa Iria contra centro de vacinação

Alunos e professores da escola Santa Iria de Tomar estão a preparar uma manifestação na própria escola nesta sexta feira, dia 3, às 18h30, contra a instalação do centro de vacinação no pavilhão deste estabelecimento de ensino.

“Vamos manifestar o nosso descontentamento. Não podemos deixar que façam do espaço de desporto dos nossos filhos, um centro de vacinação, com tudo o que implica a permanência constante de pessoas estranhas na escola. O desporto é saúde. Há muitos espaços vagos na cidade, a ACES não quer aceitar nenhum, vamos mostrar que aquele espaço não é opção. Vamos defender os direitos das nossas crianças”, apela a associação de pais.

À mesma hora e por iniciativa da associação de pais decorre na escola uma reunião com entidades do ministério da saúde, educação, câmara e direção do Agrupamento de Escolas Templários.

 

Sobre este problema, reproduzimos a seguir uma carta enviada pela mãe de um aluno ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

“Venho, na qualidade de mãe de um jovem de doze anos, escrever-lhe sobre um assunto que me tem preocupado muito nos últimos dias.

A Câmara Municipal de Tomar andou na semana passada a visitar alguns espaços da cidade, segundo percebemos pelas poucas informações que foram dadas pelo executivo, a posteriori, acompanhados por responsáveis pela vacinação, tendo em vista, mudar o atual centro de vacinação, que se encontra no pavilhão municipal, para um outro espaço com melhores condições.

Pelo que percebi (mais uma vez a informação não é clara, nem muito menos transparente) porque existem “queixas” deste espaço. Após visitarem alguns espaços (não sei nem quantos, nem com que critérios) comunicaram ao diretor do Agrupamento de Escolas Templários de Tomar que o novo centro de vacinação iria ser na Escola de Santa Iria.

Os professores e alunos foram apanhados de surpresa e manifestaram desde logo a sua indignação. Assim que os pais soubemos ficamos perplexos pelo facto duma posição destas ter sido tomada, sem que ninguém na comunidade educativa tivesse sido ouvido.

Estamos a falar de uma escola que recebe alunos do 1º, 2º e 3º ciclos, que usa o ginásio para as atividades curriculares de educação física, a oficina de teatro, as AEC’s do 1º ciclo, etc. Trata-se de um espaço fundamental para a escola, um espaço de referência para os alunos e não querem abdicar dele sem dar luta! Há estudos que apontam que o Portugal é o país da união europeia cuja população apresenta os piores índices de atividade física.

A atividade física de uma forma geral, é aceite como uma forma de aumentar não só a saúde física, mas também o bem-estar emocional e aumentar a capacidade de resposta a situações problemáticas, mantém as pessoas focadas e concentradas e ajuda a diminuir os padrões de ansiedade.

A nossa sociedade é tendencialmente sedentária, se assim não fosse como se justifica o aumento de problemas relacionados com a obesidade, como a hipertensão e a diabetes, em camadas cada vez mais jovens? Já agora, pensemos que é precisamente essa tríade que se configura como um fator de risco de desenvolvimento de doença grave, perante uma infeção com SARS-CoV-2.

Vou contar-lhe uma história, creio que sou melhor com as palavras quando faço apelo a situações que vivi e que sinto presentes na minha consciência… O meu filho, o tal de 12 anos, é para mim, orgulhosamente, uma criança em remissão de doença oncológica. O Matias foi diagnosticado com Leucemia Linfoblástica Aguda de alto risco aos 9 anos. Após o primeiro mês de exames e tratamentos altamente invasivos, o meu filho desenvolveu uma pneumonia e uma septicemia que o atiraram para uma unidade de cuidados intensivos durante mais de duas semanas. As sequelas disso e da toma prolongada de corticoides durante 2 anos fizeram com que o Matias tivesse um desenvolvimento físico completamente desadequado para a sua idade. E foi na escola de Santa Iria, no quinto ano, quando o Matias retomou as aulas com normalidade, que encontramos uma professora de educação física e diretora de turma que se esforçou por corresponder aos nossos pedidos (pais e pediatra) para que a educação física fosse adaptada às suas necessidades e caraterísticas, mas que fosse exigente porque contávamos com isso para que o Matias voltasse ao normal. E é assim que passados 2 anos, com o Matias a frequentar o desporto escolar e a fazer outras atividades físicas regulares, tudo voltou à normalidade. Ele é hoje um jovem bonito e saudável que até teve direito a diploma de mérito desportivo!

É esta a importância da educação física na escola. Digo mais, em junho deste ano todos em casa tivemos covid19, menos o Matias! A pediatra brincou referindo que o Matias ganhou os anticorpos a pulso. Eu creio que os ganhou à custa do esforço de todos os que o amávamos, inclusive, a escola.

A escola tem um projeto cultural muito interessante e desenvolve uma oficina de teatro que funciona justamente no espaço que querem ocupar.

A cultura não pode ser um parente pobre num país já tão frágil do ponto de vista cultural. O primeiro ciclo tem também as AEC´s a funcionar nesse espaço e sinceramente, as crianças já foram tão severamente prejudicadas pela pandemia, quer nos aspetos físicos, quer nos psicológicos, que me parece de todo injusto que mais uma vez sejam elas as sacrificadas.

Não vou expor aqui a lista de lugares que poderiam ser vistos como alternativa, sei que outros pais já endereçaram cartas nesse sentido, o que me move é a esperança que sua Excelência intervenha na defesa daquele que é o bem mais precioso que todos os povos têm: o futuro das suas crianças.

Atentamente,

Carolina Santos Oliveira

(mãe, psicóloga, cidadã)

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