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Cada vez menos alunos no Politécnico de Tomar

No primeiro semestre do ano letivo 2020/2021, o Instituto Politécnico de Tomar “recebeu uma série de cancelamentos de matrícula, não porque os alunos quisessem abandonar os estudos mas devido às dificuldades económicas que estão a ser sentidas pelas suas famílias”, disse o presidente do IPT ao jornal O Mirante.

“A crise está a agravar-se com os sucessivos confinamentos e naturalmente o IPT está a senti-la através dos indicadores do abandono escolar que se estão a agravar. Infelizmente a nossa expectativa é que este problema se irá repercutir por mais tempo enquanto não houver uma franca recuperação da economia”, acrescentou João Coroado, sem revelar números.

Em 2019 (último ano em que são conhecidos dados estatísticos), o IPT tinha 1.974 alunos, sendo o que tinha menos alunos entre os 15 politécnicos existentes no país.

Nesse ano trabalhavam no IPT 212 professores e 120 funcionários, distribuídos pelas três escolas superiores: Tecnologia e Gestão em Tomar e Tecnologia em Abrantes.

 

Escrita por Redação

Comentários

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  1. O problema é que não podem ser só as dificuldades económicas e a pandemia a justificar a redução do número de alunos do IPT. Isso tem vindo a acontecer pelo menos nos últimos 12 anos. De quase três mil alunos em licenciaturas passou a menos de 2000. E resta saber se nestes 1974 estão incluídos os que fazem formações técnico profissionais.

  2. Compreende-se.
    E são muitos os factores que confluem para isso.
    Basicamente, o Politécnico não tem mercado. Não há população estudantil para tanto politécnico e tanta universidadezeca por este país a fora.
    Vem para o politécnico de Tomar o estudante que não conseguiu entrar num estabelecimento com algum prestígio. Ou então é o mercado de vizinhança.
    Vem para o politécnico aquele que precisa de um canudo. Só isso. Não aquele que precisa de um diploma com prestígio.
    Tirando um ou outro prof de fora o corpo docente do politécnico é seleccionado por compadrio e amiguismo. Conhecemo-los bem. Conhecemos o que eram no secundário.
    O país ficaria muito melhor se não tivesse que sustentar estes elefantes brancos.

    • Concordo. Acresce que sozinho não conseguirá ir longe, e não há quem queira associar-se. Santarém alega já ter dificuldades que cheguem e Leiria recusa-se a receber tantos vícios de uma assentada. Reconversão à vista? Mas que reconversão? E que fazer com tanto professor mal calibrado?

  3. O IPT parece-me ter, desde há muito, 1 problema para resolver. Já agora, para sintonizar, 1 equação.
    A incógnita é a vocação. Nunca apurou uma vocação diferenciadora, e sempre se manteve como generalista, na oferta de cursos.
    Ao teimar em oferecer cursos e especializações que se encontram em homólogos, melhor localizados, melhor posicionados, e melhor equipados, apenas caminha para a decadência, e muito provável extinção, ou fusão, ou absorção.
    Talvez uma desta 2 ultimas possibilidades seja a melhor saída, vista a decadência que reina há anos, e a falta que faz a Tomar.. .
    Mas a tática da avestruz impera…esconder a cabeça na areia.

  4. Não é verdade, há muitos cursos diferenciados e outros houve que foram extintos como celulose e papel. O problema é o que já se disse aqui, não há oferta de trabalho suficiente no mercado, o politécnico não tem prestígio e talvez haja também um problema demográfico, Tomar e o País têm vindo a perder população logo é natural haverem menos candidatos a alunos. Foi um erro os politécnicos começarem a oferecer mestrados e pós graduações há 20 e tal anos, criaram-se monstros. Agora está ali um bico de obra, aquela malta que lá trabalha e que já está nos quadros não pode ser despedida.

    • Há lá cursos diferenciados, porém sem grande qualidade. Não passam da mediania baixa. Só conseguem alunos que não encontram lugar em mais lado nenhum. Conforme dizem alguns dos já frequentaram, acabam por ser “o refugo do refugo”. E como, na boa tradição tomarense, vai tudo muito bem, não há qualquer crise, é só má-língua, não se consegue ver uma saída. Para se curar uma maleita, primeiro é preciso reconhecer que ela existe e depois recorrer à medicina, para adequado diagnóstico e posterior terapêutica. Que no caso é bem capaz de ter de ser bastante forte e com muitos efeitos secundários. Não é com remédios do laboratório de turismo que vão conseguir curar-se.
      Respondendo ao Helder Silva, “a malta que lá trabalha e que já está nos quadros não pode ser despedida.” Mas pode e deve ser mandada para casa, em regime de pré-reforma, porque fica mais barato e causa menos estragos na região.

      • A grande maioria dos alunos que lá gravitam são maus de facto, e eu falo por experiência própria, andei lá mas a minha cabeça, como grande parte da malta, não funcionava e a família também não ajudou, até pelo contrário. Havia alguns bons alunos jovens e havia uns quantos mais maduros, com experiência de vida, que tiravam boas notas. Ser estudante é uma profissão muito difícil, o povo burro julga que é fácil mas não é!!!!

        Os problemas estão identificados, os professores queixam-se em parte, por exemplo da falta de alunos, outros problemas eles não o podem admitir porque aquilo tornou-se uma grande empresa, e toda a comunicação tem de ser positiva, a dizer bem e a tentar captar alunos. É o chamado Marketing.

        Eu acho que o IPT vai emagrecer, acho que não vai desaparecer (ainda), mas esse emagrecimento vai ser doloroso porque o nosso sistema politíco torna muito difícil a mudança, os professores têm um estatuto que lhes dá certas regalias, os funcionários outro, vai ser muito difícil!!!!

  5. Esta notícia permite perceber melhor o recente convénio celebrado entre o Politécnico e a câmara. Li algures que se tratou de um acordo entre dois coxos. Era bom era. Mas a julgar pelo teor da notícia e pelos subsequentes comentário parece ter sido mais um acordo entre dois doentes, vítimas da mesma doença, a falta de competência, e um deles já em estado quase terminal. Isto porque, quando houver de novo um governo mais à direita, não há como evitar o encerramento ou a fusão do politécnico, com Leiria ou Santarém.
    Se a atual Câmara de Tomar não fosse também medíocre e ousasse lutar pelos interesses de Tomar, começava desde já a agir no sentido de provocar a fusão do politécnico de Tomar com o de Leiria, o único que funciona realmente bem e continua a desenvolver-se na região. Infelizmente os nossos eleitos, tanto PS como PSD (os outros na prática não contam para nada) só estão interessados em manter-se nas cadeiras do poder. Nem que seja na oposição. É uma tristeza!

  6. Como atual aluno não posso deixar de reconhecer as imensas limitações que esta instituição tem, materiais, humanas e de gestão interna. Não fosse a pandemia e já me tinha transferido. A única coisa que funciona bem aqui é o marketing e a propaganda para atrair os papalvos.

  7. É um tema velho e é com muito lamento que a ele voltamos sempre.
    O Politécnico apareceu aqui numa fase de expansão do Estado Marcelista. (Sim, vem daí)
    Na altura Tomar era um pólo de desenvolvimento. Um referente a nível nacional. A indústria do papel pontuava fortemente. Tinha 3 casa bancárias (bancos mesmo) e uma delegação do Banco de Portugal. Tinha gente!
    E, principalmente, as elites eram mais cosmopolitas.
    Agora não. Agora os intectuais dizem-se “de cá” . Não valem nada, mas acham que, por serem de cá, também têm direito, seja ao que for.
    Findo o surto desenvolvimentista do findo século passado, o Politécnico passou a ser uma instituição que pouco ou nada tem a ver com Tomar mas que Tomar acha que também tem direito a ter. E então nunca mais se pode dizer mal do Politécnico, porque em Tomar não se diz mal das coisas de Tomar.
    Ao mesmo tempo a exigência de qualidade intelectual de Tomar foi ficando ao nível dos Tomarenses “de cá”.
    Salvo raríssimas excepções (de que até se poderia dizer o nome) aquilo, aquele corpo docente, é mesmo deprimente. (Sei de histórias de docentes, recentissimamente contratados, que há 4 ou 5 anos andavam a pedir a pessoas para lhes fazerem os “trabalhos” e os testes para o doutoramento (não estou a exagerar).
    No meio disto tudo, não me canso de referir a verdade e anedota que se conta: Na Holanda onde alguns estudantes portugueses tiveram a sorte de fazer Erasmus, o reitor vai de bicicleta para a Universidade. Em Tomar, o presidente do Politécnico, quando morava na Alameda, tinha de ter um motorista e carro de serviço para o transportar. Eu acho que isto diz tudo da mediocridade desta gente e explica bem, em muitos por cento, a vergonha académica que aquilo é.

    • Não é só o reitor que vai de bicicleta para o trabalho mas o presidente da Câmara também. E no Reino Unido cheguei a vêr o actual primeiro ministro Boris Johnson, na altura Mayor de Londres, a ir de bicicleta para o trabalho!!! E quando está mau tempo usam o transporte público. Só nos países africanos como o nosso querido Portugal isso jamais acontecia, não é digno!!!

    • É uma visão ácida e cruel mas justa, esta sua. Com alguns exageros aqui e ali, como no caso dos tomarenses “de cá”, acertou em cheio no alvo antes definido -o IPT.
      No caso anedótico do carro de serviço do presidente da dita instituição académica, convém assinalar que não é filho único da burocracia à portuguesa. A diretora do Convento de Cristo, uma simples chefe de divisão, tem um carro de serviço, e até um motorista quando certas ocorrências demasiado regadas a isso obrigam.
      Uma vez que se mostra bastante bem informado sobre o ambiente tomarense antes do 25 de Abril, faça favor de anotar, se assim o entender, que o Politécnico de Tomar foi criado ao mesmo tempo que o da Covilhã, hoje Universidade da Beira Interior, por um senhor formado em Inglaterra, Fraústo da Silva de seu nome, professor reputado e tomarense de nascimento, filho do advogado Antunes da Silva, conhecido oposicionista local.

  8. Caro Artur Arsénio:
    As suas palavras são cordatas, civilizadas e amigas. Destoam até um bocado do tom de agressividade e baixeza que normalmente caracteriza estes espaços de debate. Grato, portanto.
    As histórias e os protagonistas da história de Tomar, ou dos preparandos do Politécnico são seguramente interessantes e pena é que se vão perdendo. Mas até nisso o Politécnico vai falhando. Eu não sei muito sobre isso. O pouco que sei tem que ver com o que vivi e que agora, já numa comparação histórica, vou interpretando.
    Naquele tempo, uns anitos antes e próximos do 25 de Abril, viveu-se em Tomar uma “bolha” de abertura intelectual, não programada nem perspectivada enquanto tal, mas que, nos seus efeitos e talvez na sua memória marcou alguns dos que por cá estavam, como foi o meu caso. E isso já se associava ao “futuro politécnico”. Nas Escola Industrial e Comercial (a par de mais um caso ou outro – salvo erro, precisamente Covilhã) teve lugar uma experiência pedagógica denominada “Habilitação Complementar” que conduziu, mais tarde aos Cursos complementares que antecederam o 10º e 11º anos. Como era “uma experiência” sem controlo central, a autonomia escolar permitiu uma autêntica revolução cultural. Luis de Satu Monteiro, Bernardo de Santareno, Alves Redol, tudo autores que passaram nas barbas do Júlio Dias das Neves então director. A importância daqueles textos passados ao stencil e os debates abertos já em turmas mistas, só muito mais tarde viemos a perceber. Penso que ainda falta homenagear e “escrever na pedra” o nome e a importância daqueles e daquelas professoras que os importantes “de cá” têm esquecido.
    De facto o Politécnico apareceu da conjugação de vários factores: esta abertura cultural, o pico desenvolvimentista que por cá se vivia e a capacidade e influência que alguns protagonistas tiveram de ir influenciando e criando a ideia da sua imprescindibilidade junto do poder central.
    Mas quando o Politécnico acabou de se instalar já todos os factores que o tinham erigido estavam em declínio. O declínio demográfico era já uma problema, a industrialização era já desindustrialização e as “elites culturais” apressaram-se a ocupar os cargos que o novo regime entretanto tinha disponibilizado. Os directores e chefes de divisão andam de carro e motorista, a escolaridade tornou-se obrigatória até aos 18 anos, e o sucesso escolar, como o rendimento, ficou também garantido. Mas enquanto naquele tempo nós só podíamos ler seis livros por mês (que era o que a carrinha da Gulbenkian emprestava) estes agora têm o privilégio de bastar ler o resumo dos Maias para passar.
    Mas, caro Arsénio, o problema fundamental é mesmo esta cultura “de cá”, dos “de cá”.
    Ter um politécnico, não chegou a ser estar dotado de uma instituição que desse materialidade a uma pulsão social de cultura ou de tecnologia desenvolvimentista. Porque essa pulsão foi só um laivo que cedo se esvaneceu. Ter um Politécnico era muito importante porque era ter um estabelecimento de ensino superior da cariz nacional sediado cá na terra. E a terra assim era importante. Tudo o que pudesse ou possa por em causa essa instituição é passível de ser lido em termos anti-tomarenses. O Politécnico não é importante pelo que faz, pela cultura e tecnologia que cria e passa, mas porque é importante para Tomar, porque está em Tomar.
    E é este sentido das coisas, em que todos se agarram ao “de cá” e correm à pedrada quem se atreve a evidenciar esta mediocridade, que leva a que esta interioridade e esta espiral de pequenez se vá sempre acentuando, enquanto os directores vão de pópó, vai-se arranjando um tachinho para os amigos de cá e os profs velhos têm a sua estabilidade profissional garantida.
    Compreenda agora que eu não goste muito dos “de cá”. É que eles, nos cargos pomposos que ocupam, são precisamente o tampão ao desenvolvimento, a causa da segregação dos competentes e o principal factor do subdesenvolvimento que irá afectar esta terra e as gerações seguintes.

  9. Só posso expressar a minha concordância com tudo o que denuncia.
    Feito assim o diagnóstico parcial (no sentido de incompleto) da doença, que terapêutica para alcançar a cura? Já não o leninista “Que fazer?”, mas o muito português “E agora?”.

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