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Mais um “achado” do PS-Tomar: Turismo de laboratório

Opinião de António Rebelo

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Por favor, faça como recomendou em tempos o senhor de Lapalisse, comece pelo princípio, prossiga pelo meio, e acabe no fim. Para principiar, tenha a bondade de ler aqui.

Já leu? Gostou? No que me toca, confesso que primeiro fiquei surpreendido. Depois deu-me vontade de rir. E acabei com as lágrimas nos olhos, a pensar no que te andam a fazer, minha adorada e tão mal governada Tomar, terra que já foste templária.

Ao cabo de quase oito anos no poder, com forte tendência para comprar toda a informação local, e para angariar votos através de manhas várias, designadamente avultados subsídios às colectividades, temos agora mais este convénio, tipo golpe eleitoral da actual maioria PS.

Tendo sabido (finalmente!) da urgente necessidade de um robusto plano local de desenvolvimento turístico, resolveu a autarquia assinar mais um protocolo, desta vez com o Instituto Politécnico de Tomar, tendo em vista intensificar a cooperação bilateral, nomeadamente no quadro do “Laboratório de turismo”, já existente naquele estabelecimento de ensino politécnico.

Ainda não tinha nascido nenhum dos membros da actual maioria PS, já o autor destas linhas trabalhava na área do turismo, em Portugal e no estrangeiro. Como operacional e não como técnico de gabinete. Pois apesar dessa muito longa experiência profissional, completada depois com ampla formação académica numa reputada universidade parisiense; apesar de tudo isso, é a primeira vez que tomo conhecimento de uma relação, suponho que científica, entre turismo e laboratório. Será isto o progresso? Ou apenas mais um argumento eleitoralista, para não falar de embuste?

Em qualquer caso, vamos ter assim, com alguma sorte, e na melhor das hipóteses, lá para o final do próximo mandato, os primeiros produtos do novo “turismo de laboratório” em Tomar. Que deverão incluir numa primeira fase, julgo eu, análises turísticas periódicas à água do Nabão e ao perfil da estátua de Gualdim Pais, vista de sul para norte, como introito para uma rábula analítica sobre o membro do Baltazar de Faria, lá em cima no Claustro do cemitério. Originalidades nabantinas. Apoquentada com as próximas autárquicas, uma maioria que já conheceu melhores dias resolveu associar-se com um estabelecimento de ensino politécnico cujas dificuldades são conhecidas. É o que se pode chamar uma aliança entre dois coxos, um da perna esquerda, outra da direita. A ver vamos se juntos conseguem andar melhor.

Já antes fomos premiados com um ajuste directo para a elaboração de um plano de sinalização turística em Tomar, excluindo a respectiva implementação no terreno, entre a Câmara tomarense e uma antes desconhecida empresa unipessoal de Braga.

Tivemos também, há dois anos, outro ajuste directo com um professor universitário de Campo Maior, para preparar e apresentar o processo de candidatura dos Tabuleiros a Património imaterial da UNESCO.

Custaram essas duas bizarrias mais de 200 mil euros, IVA incluído. Até esta data sem resultados conhecidos. Mas o leitor pague e não se amofine, nem perca a esperança. A campanha eleitoral trará decerto novidades. Porque sempre foi essa a intenção.

Quanto aos eventuais resultados do agora anunciado “Laboratório de turismo IPT-CMT”, pode ser que eu tenha sido demasiado pessimista mais acima. Pelo sim pelo não, vá perguntando volta e meia na sua farmácia habitual se já vendem pacotes turísticos anti-covid19, do Laboratório IPT-CMT, ou doses de turismo sanitário, da mesma proveniência. Logo que haja, compre que dá muito jeito, no actual contexto pandémico.

Como disse em tempos um conhecido ex-chefe de gabinete municipal, sobre a actual maioria autárquica, “aquilo é um ATL”. Passados quase 8 anos, a situação mantém-se e tende mesmo a agravar-se.

Venham as eleições! Pode ser que entretanto os eleitores tomarenses adormecidos já tenham resolvido abrir finalmente os olhos. Afinal estamos na região de Fátima, onde costuma haver milagres.

                                               António Rebelo

 

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Escrita por António Rebelo

Comentários

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  1. Ter esta Câmara, ou a sua Presidente, precisado de 8 (oito) anos para perceber que é obvia a oportunidade de valorizar o potencial que temos no Turismo, e para pedir colaboração externa, é obra!
    É claro que se não tivesse demorado 8 (oito) anos para perceber isso, já poderia ter tirado partido de competências e de sensibilidades por aí existentes, em Tomar, e já muito poderia ter sido feito, já avanços poderiam ter sido conseguidos. Sem recorrer a laboratórios.
    Já a Câmara poderia ter poupado dinheiro, já a Cidade poderia ter ganho posições que não tem, já…enfim!
    Agora, aguardemos que a equipa de turismo do IpT, possa propor alguma coisa…com sentido.
    8 anos depois.
    Se não é brincar com coisas serias, o que é isto?

    • Oito anos depois e após o concelho ter perdido entretanto 3.279 eleitores em relação a 2013. Havia 37.310 eleitores inscritos naquele ano, quando a srª iniciou o seu primeiro mandato, há agora apenas 34.031. Efeito da pandemia? Dizem os dados oficiais que até agora houve 51 vítimas mortais de covid19 em Tomar.
      Devido à interioridade? É possível, mas dos concelhos à volta (Abrantes, Ourém, Torres Novas, Entroncamento, Alcanena), só Abrantes perdeu mais eleitores que Tomar. Porquê?
      Ignorar deliberadamente os grandes problemas locais (turismo, emprego, saneamento, estruturas de acolhimento, investimento produtivo) é a via mais rápida para a ruína de todos. Mesmo dos dependentes do sector público (funcionários, colectividades) que se julgam protegidos.

    • Caro António Rebelo, o termo laboratório é muito utilizado nos meios académicos para as mais variadas áreas. Já ouvi falar em laboratórios de Português, Matemática, de Filosofia, de Inglês, de História, etc…,etc…., não é só usado para aquelas áreas tradicionais como as ciências fisíco químicas, bio químicas, engenharia, etc… Sinceramente não entendo a sua posição!!!!

      • Ilustre Helder Silva:
        O facto de o vocábulo laboratório ser “muito utilizado nos meios académicos para as mais variadas áreas” não me parece uma justificação aceitável. A cocaína e outras drogas também são muito utilizadas em todos os meios, incluindo o académico, o que não significa que seja algo aceitável.
        De acordo com o dicionário online INFOPÉDIA, mesmo em sentido figurado, LABORATÓRIO é um “Ambiente propício ao teste ou à experimentação de algo; situação favorável à observação de determinado fenómeno.” Não estou a ver com isto se possa aplicar ao turismo. Testar como? Experimentar o quê? Observar o quê dentro de um laboratório?
        No meu entender, quem teve a infeliz ideia de escolher semelhante designação para um gabinete de estudos, esqueceu-se, ou ignorava, que o turismo é uma realidade inevitavelmente complexa. Cada pacote turístico, organizado ou não, tem de incluir forçosamente informação prévia (guias, revistas, promoção), transporte, alojamento, animação, atractivos (monumentos, paisagens, mar, desportos). Como é que tudo isto se pode observar/analisar em laboratório?
        É natural que não entenda a minha posição, caro Helder Silva. Estamos por assim dizer em campos opostos. Enquanto cidadão ocasionalmente turista, o sr. aborda o tema de fora para dentro. Enquanto ex-profissional e estudioso da matéria, eu procuro fazer o caminho inverso, sempre numa óptica de dentro para fora.

  2. Antes da pandemia actual, havia em Espanha todos os anos uma epidemia de “turista”, uma diarreia provocada pela mudança de clima, de alimentação e de ritmo de vida, muito frequente entre os turistas estrangeiros. Donde a sua designação popular.
    Se o novo “Laboratório de turismo IPT-CMT” conseguir formular rapidamente uma vacina para essa maleita de caca, vão vender milhões. E criar problemas ao laboratório que agora comercializa o IMODIUM.
    Paralelamente, poderão também dispensar algumas doses em Tomar, visando evitar a proliferação de ideias de caca.

  3. Bons dias,

    Eu sempre entendi que qualquer Turista que visite o Nosso País, é sempre bem vindo.

    O que Eu já não consigo entender, é que o Turismo seja considerado no Nosso País, como um tema de desenvolvimento e principalmente um dos motores do Pib Português.

    Penso que esta Pandemia não serviu de lição para nenhum dos políticos, sejam a nível nacional como regional.

    O que esta pandemia nos veio mostrar, é que nunca um País se deve basear numa economia dependente do Turismo, e isto porquê ?

    Vejamos o que aconteceu em Portugal.

    – Quantos Hotéis fecharam (ou estão em risco de fechar) pela falta de Turistas, derivado à pandemia ?
    – Quantas Residenciais fecharam (ou estão em risco de fechar) pela falta de Turistas, derivado à pandemia ?
    – Quantos Hostéis fecharam (ou estão em risco de fechar) pela falta de Turistas, derivado à pandemia ?

    E isto, já para não falar em Alojamento Local e Restaurantes.

    Mas mesmo, que não tivesse existido esta pandemia, o Turismo encontrava-se sempre dependente dos próprios Turistas quererem ou não visitar o Nosso País, e caso decidam optar por outras paragens, iremos ver novamente o que acontece a todos estes sectores que dependem do Turismo.

    E de uma coisa é tenho a certeza, quando os Países do Norte de África estabilizarem nas sua estúpidas guerras, os mesmo Turistas que agora nos visitam, mudam de paragens novamente.

    Um País nunca deve basear a Sua economia num único ramo, deveriam ser lançadas mais indústrias, para que fosse criado mais emprego e riqueza para o País, sejam elas industrias tradicionais ou tecnológicas.

    Mas isto é a minha opinião, e como tal poderei estar a ter uma visão errada sobre a economia.

    • Mas e se não há alternativa ao Turismo???!!!! Será que há empresas tecnológicas a quererem instalar-se e o governo diz-lhes para se irem embora porque Portugal só quer turismo?

    • Julgo entender a sua posição, que em resumo será aquele velho conselho segundo o qual nunca convém colocar os ovos todos debaixo da mesma galinha. Concordo consigo. Sucede contudo que o turismo é um fenómeno do mundo moderno que ninguém consegue para ou sequer travar, a não ser de maneira muito limitada.
      Sendo algo muito importante em termos de economia, é lógico que os políticos em geral procurem atribuir-se os louros pelo seu desenvolvimento. Mas é quase só conversa. Na realidade, nem governos nem autarquias têm grande influência nas correntes turísticas. Fazem de conta.
      A prova disso está em Veneza, Dubrovnik ou Barcelona, onde em plena época alta já não se pode andar na rua, tal é a multidão. Pois em vez de tentar limitar na origem os excessivos fluxos humanos, tarefa quase impossível, Veneza já encontrou uma solução: Logo que observadores constatam que as ruas e canais, ou a praça de S. Marcos, estão congestionados, fecham as cancelas automáticas situadas em cada entrada, que assim se mantêm até que haja menos gente.
      Outro exemplo é o da Alhambra, o principal monumento de Granada. Para se poder visitar durante a época alta têm de se comprar os bilhetes com meses de antecedência, via internet. Procurando evitar excessivas reclamações, a respectiva administração reserva todos os dias umas centenas de bilhetes que são vendidos nas bilheteiras, à entrada do monumento. Assim, ao cabo de algumas horas, mesmo com centenas de pessoas nas filas, ouve-se o aviso: “No hay más entradas; por favor vuelva mañana.”
      É assim o turismo. Pode servir para tudo. Até para endrominar os eleitores tomarenses menos precavidos.

  4. O tema do desenvolvimento de Tomar é aliciante pela sua complexidade e pontos de vista diferentes.
    Um dos principais problemas é que em geral quem expressa a sua opinião já vem com “óculos” partidários ou de grupo de interesses que também são legítimos, mas que enviesam uma análise mais objetiva.
    Claro que não há desenvolvimento sem investimento e em vários setores.
    Logo aqui começa o problema, pois existem 2 visões uma em que esse investimento deve ser público e dirigir em que se investir.
    Outro acha que os investimentos públicos , normalmente são um gasto de dinheiro PÚBLICO e não apresentam gestão nem objetivos capazes. Por isso o investimento deve ser privado.
    Claro que Tomar precisa de investimento em indústria , e não só em industrias de novas tecnologias.
    Mas temos uma mais valia , no turismo temos o Convento de Cristo Património Mundial que só por si atrai muitos visitantes nacionais e estrangeiros.
    O problema no entanto surge logo do facto de a gestão do monumento ser completamente separada da do município, e por vezes até antagónica. Ou seja, o principal motivo de atração de visitantes a Tomar não tem NENHUMA intervenção do município.
    E em relação à sua gestão , nem vale a pena comentar, é desoladora de básica!!
    Por isso o município pode tentar ficar com as “sobras” e nem isso potencia.
    Tem no entanto o tema dos Templários que podia explorar, bem como os tema dos judeus com a Sinagoga.
    Os visitantes de hoje já não se contentam só com paredes , querem conteúdos e experiências , mas por cá nem as paredes conseguem gerir, Convento de St. Iria, Estalagem, Parque de campismo de responsabilidade direta da autarquia, são exemplos.
    Por isso acho bem que façam estudos laboratoriais , mas que as cobaias sejam os envolvidos em tais elaboradas teses!!

    • Infelizmente, conforme subentende no seu douto comentário, não é com “estudos laboratoriais” que vamos conseguir sair da fossa. Até demonstração atempada do contrário, sustento mesmo que se trata apenas de mais blábláblá para mobilar o “programa” socialista e ornamentar a campanha eleitoral. Escrevo isto porque estamos há largos anos numa triste situação em que nem sequer se trata de saber se o investimento deve ser privado ou público, no sector secundário ou terciário. Não há quaisquer planos. É aí que e estamos, e daí os políticos locais não querem sair, por razões que só eles poderiam explicar. Medo pode ser uma delas.
      Conheço bastante bem o tema “Convento de Cristo”. Liderei o grupo que elaborou o processo de candidatura a Património mundial, apreciado e aprovado em Friburgo. Redigi igualmente o primeiro plano de exploração para o Convento, aquando da transferência da Direcção-geral da fazenda pública para o IPPC, criado no tempo do ministro da cultura Lucas Pires. Tanto num caso como no outro, a actual maioria parece estar bastante mal informada.
      Quanto ao Património mundial, preferiram recorrer em 2019 a alguém de fora de Tomar para candidatar a Festa dos tabuleiros, mediante remuneração de 75 mil euros mais IVA. Dois anos mais tarde os tomarenses continuam a aguardar o resultado final.
      Sobre o plano de exploração do Convento de Cristo, nunca a Câmara de Tomar reivindicou a respectiva gestão. Segundo a actual presidente, pretendem apenas obter uma percentagem das receitas. Ignoram portanto que no plano inicial, aprovado em conselho de ministros era o actual Presidente da República porta-voz do governo, o que lá estava era a gestão integral do monumento pela Câmara de Tomar. Foi o então vereador da cultura, cujo nome não vem agora ao caso, que resolveu alterar essa cláusula.
      Nestas condições, não adiantará para já tratar da gestão turística do Convento de Cristo, enquanto não existir um robusto plano local de desenvolvimento do turismo. Se nas presentes circunstâncias a câmara resolvesse solicitar ao governo a transferência da gestão do monumento, alegando que não somos uma colónia de Lisboa, depressa lhe diriam que se a autarquia nem sequer consegue resolver de forma adequada a questão do estacionamento, do acolhimento e da segurança no exterior, como conseguiria uma gestão capaz daquele grandioso monumento?
      Em termos simples e crús, a triste realidade parece-me ser esta: Tomar já foi uma terra de forcados, cujo expoente máximo foi Manuel Faia. Nos tempos que correm infelizmente não aparece ninguém entre os políticos da nova geração com vontade de pegar pelos cornos esse toiro chamado futuro. Essa é que é essa!

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