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Economia de Tomar: das expetativas aos factos

Opinião

Zona industrial. Foto de arquivo
Tiago Carrão*

Já por várias vezes me ouviram falar sobre o papel das empresas e do investimento produtivo no desenvolvimento do nosso concelho.

A resposta do Estado, ao nível central e local, no que toca ao desenvolvimento económico é cada vez mais limitada e ineficaz. Entre discursos, artifícios políticos e burocracias, perde-se a essência da ação. É por isso que registo com agrado e admiro a capacidade empreendedora daqueles que optam por arriscar e investir em Tomar. Em particular, em investimentos direcionados para a produção, para o valor acrescentado e para o crescimento qualificado. Porque, como sabemos, o crescimento assente numa economia de consumo é um crescimento frágil e mais vulnerável.

Para quem acompanha a gestão camarária, rapidamente se apercebe que a Câmara Municipal colocou os ovos todos no mesmo cesto, o cesto do Turismo: feiras, agências de comunicação, publicidade na comunicação social, outdoors pelo país. Estratégias de divulgação e promoção importantes, especialmente com o potencial turístico que Tomar tem no seu património, na cultura, na história, na natureza, nas suas gentes.

Mas a economia não é só Turismo e Tomar muito menos. É redutor e não assegura um futuro sustentável. Não nos podemos esquecer que no final do ano passado, apesar de continuar a crescer este setor dava já sinais de abrandamento. É urgente a aposta noutras áreas da economia, capazes de dinamizar o nosso concelho, de gerar emprego qualificado e oportunidades para os jovens e para a sua fixação.

Existe criatividade, talento e vontade em Tomar. Mas é difícil convencê-los a ficar quando concelhos vizinhos oferecem condições muito mais interessantes a quem pretende criar o seu próprio negócio. Não é preciso ir muito longe para encontramos diferenças nas despesas mensais superiores a 300% entre quem decide investir em Tomar e num concelho vizinho. Sim, três vezes mais caro! Um valor que faz toda a diferença, especialmente para quem começa um pequeno negócio. Tomar está na cauda da região, sem infraestruturas de apoio aos empreendedores, como incubadoras, que potenciem o investimento e o conhecimento.

Na zona industrial, a intervenção da governação municipal ficou-se pela mudança de nome para ‘Parque Empresarial’. Mais pomposo, é certo. Mas sem quaisquer resultados visíveis. Pouco ou nada foi feito para consolidar as empresas que lá laboram, levando os empresários a afirmarem publicamente que “a Câmara Municipal e as empresas vivem de costas voltadas”. Impensável ouvir isto num concelho moderno e com visão de futuro!

Tomar, hub tecnológico da região permanece um sonho adiado. A vinda da SoftInsa/IBM em 2013 trouxe oportunidades para Tomar e para o Instituto Politécnico, mas sabe a pouco. Não faltam bons exemplos pelo país, de municípios que souberam reinventar-se e implementar estratégias municipais de desenvolvimento económico compatibilizando turismo e inovação, como os casos de Tondela, Sines ou Évora.

Em Tomar ficamo-nos por sound bytes avulsos, como “estão empresas em lista de espera para a zona industrial” ou “uma empresa que não ficou por falta de espaços”. A bem da transparência seria importante sabermos que empresas são essas e por que razões não se instalam. Ou não passa de areia para os olhos da população? Não nos podemos esquecer que estão há 6 anos na governação de Tomar.

O comboio já vai em andamento. Ou nos apressamos a apanhá-lo, com uma estratégia económica de futuro, com determinação, engenho e competência, ou daqui a uns anos iremos todos lamentar as oportunidades perdidas.

Tiago Carrão

*Vice-Presidente, PSD de Tomar

Escrita por Tiago Carrão

Comentários

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  1. Generalidades, e fragilidade de argumentação, superficial.
    A tese está errada, e as premissas também.
    Onde estão ovos no mesmo cesto? É admitir que a Câmara tem uma estratégia para o Turismo; ora, no cesto há apenas medidas avulsas e dispersas, sem articulação nem coerência entre elas.
    E afirmar que Economia não é só Turismo, é redutor, e mostra falta de conhecimento; ignora, ou esquece, o efeito multiplicador do desenvolvimento do Turismo nos restantes setores da Economia. Por exemplo.
    E por aqui me fico, para não tirar brilho ao escrito e à ambição do redator.

  2. Olha, olha. O PSD local descobriu agora que a economia assente no turismo é redutora e não é sustentável. Será que querem reescrever a história dos 15 anos de mandato Paiva&sucessores PSD em que ostracizaram todos os investimentos produtivos? Haja vergonha.

    • O Tiago Carrão está muito bem na fotografia. E isso é capaz de ser suficiente para os tomarenses. Não fosse assim e alguns autarcas locais não tinham passado do primeiro mandato. Triste sina, a de Tomar nos últimos 40 anos.

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