in

Um final de mandato muito atribulado

Análise noticiosa de Margarida Magalhães

Quase sete anos após a primeira eleição, o final deste segundo mandato da câmara A+C (Anabela mais Cristóvão) está cada vez mais atribulado. A obra da Av. Nun’Álvares nunca mais acaba, ninguém percebe qual a sua utilidade prática, e há muitos descontentes, por terem perdido o estacionamento gratuito e não lhes indicarem qualquer alternativa.

O bizarro ajardinamento da Várzea Grande lá vai andando, mas mal empregados três milhões. E o prometido estacionamento ao lado da estação pode muito bem ser insuficiente para satisfazer os entretanto prejudicados automobilistas. As mariquices previstas para a Praceta Raul Lopes aguardam melhores dias. As mazelas usuais agravam-se sem soluções à vista. E a Tejo Ambiente só veio complicar as coisas.

Face a este quadro tão sombrio, compreende-se a evidente ansiedade do duo camarário. Outubro 2021 é já ali adiante. O PSD pode não estar interessado desta vez em apresentar-se ao eleitorado já derrotado.  Para cúmulo, o orçamento camarário, cada vez mais curto, ainda permite muita coisa, porém não permite comprar tudo e todos. Que fazer então?

Subir ao palco concelhio e tirar mais um coelho da cartola, como é habitual. Coelho esse que depois cai no esquecimento. Só que desta vez, facto muito significativo, não foi a ilusionista chefe que subiu ao palco noticioso. Deixou essa ingrata tarefa para um dos dois subalternos de serviço.

Porque o executivo camarário é de facto assim: Há a coronela comandante e o tenente-coronel 2º comandante. Seguem-se dois oficiais subalternos, uma da casa e outro de fora. (Com a curiosidade de o agora subalterno dos mercados e feiras ser de facto oficial superior aposentado. Foi despromovido por razões políticas).

Vem depois a tropa à sorte, com um sargento lateiro à cabeça, uma furriela por vezes refilona, e um civil militarizado, nitidamente fora do seu meio habitual. Tudo isto na ótica da comandante e do seu segundo, está bem de ver.

“Vamos ter um novo parque de feiras, um outro espaço para a Feira de Santa Iria”, anunciou o subalterno vereador Helder Henriques, numa entrevista à Rádio Cidade de Tomar. Assim, sem qualquer preparação prévia. No sétimo ano do mandato. Três anos depois de a câmara ter destruído o que ainda restava da Feira de Santa Iria, ao retirá-la do seu lugar multicentenário, sem qualquer solução alternativa. O costume. Não há planeamento. Primeiro destrói-se, depois logo se vê.

Sobre essa alegada futura localização, o autarca foi vago. Demasiado vago. Há três locais em estudo… Gosto muito de um que não tem casas em volta… A presidente e o vice é que podem revelar onde ficam os 3 terrenos. A mostrar que tudo não passa afinal da introdução à preparação da fase preparatória.

Pressionado pelo jornalista, que lhe perguntou se a nova localização era já para 2021, o vereador do pelouro mostrou-se algo agastado: Julgo que não. Falta comprar o terreno, fazer o projeto, infraestruturar e instalar os equipamentos…

Olhando para o ritmo das lamentáveis obras em curso, e voltando a ouvir as declarações do vereador, fica a impressão que, a haver um dia algum novo campo da feira, será lá mais para o fim do próximo mandato. 2025 ou mais além.

Se entretanto o duo A+C conseguir beneficiar, pela terceira vez consecutiva, da derrota local do PSD. E se não houver nova vaga de coronavírus, ou assim, que tem a virtude de tudo justificar.

Mas desta vez os laranjas nabantinos ainda estão a tempo de mudar de rumo e de gente. A cidade e o concelho ficariam muito agradecidos.

                                                    Margarida Magalhães

Comentários

Responder

      Deixe uma resposta

      O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

      Loading…

      0

      Tentativa de abuso sexual na zona das Lapas

      O regresso dos Tuk-Tuk