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Sobre a Festa dos Tabuleiros

Opinião

João Luis Alves, Presidente da União de Freguesias de Casais e Alviobeira

Passado cerca de dois meses, altura em que escrevo estas linhas, do final da festa maior do nosso concelho e que a todos nós mais uma vez encheu de orgulho, importa fazer uma reflexão, talvez um olhar diferente, relativamente a diversos detalhes que a mesma festa encerra, sejam eles de natureza logística e organizativa, ou até mesmo de cariz financeiro, porque uma festa desta dimensão, acarreta uma enorme panóplia dos mais variados custos, que são esses no fundo que nos preocupa enquanto titulares de órgãos autárquicos, os verdadeiros financiadores do cortejo que este anos se cifrou em quase 750 tabuleiros.

É de facto uma realidade, que são as juntas de Freguesia que colocam este cortejo na rua e que são elas que se tem que  “desunhar”, passe  a expressão, para arranjar as verbas que possibilitem que tal efeméride possa ser posta em prática, com o êxito que tem sido reconhecido por todos. Para além do esforço financeiro que lhe é exigido, todos os autarcas colocam orgulhosamente todo o seu saber e empenho, para que nada falhe, na sua comitiva, em suma na representação das suas gentes e da sua freguesia.

É criada uma comissão organizadora que tem como representante máximo, a figura do Mordomo, que escolhe as pessoas que com ele(a), vão trabalhar. Os presidentes de Junta tem assento na comissão, mas no entanto não são chamados a intervir no processo organizativo.

O município atribui uma verba a essa comissão para que a mesma possa organizar adquirir o papel, os tecidos, cestas, coroas, publicidade e outras despesas de caráter  organizativo.

Essa comissão, tem um papel fundamentalmente de organização do evento, e de gestão dos fundos que lhe são atribuídos pelo Município. Ou seja, essa comissão está a trabalhar, está a organizar e está a gerir os fundos que são do erário público. São fundos que lhes foram parar as mãos, sem que para tal essa comissão tenha tido a  necessidade de gerir o dia a dia , e ter contribuído por isso para a obtenção daquela receita.

Na minha modesta opinião, o futuro da festa passará por um maior apoio da Câmara Diretamente as freguesias, para que a festa possa continuar a ter a dignidade que merece, ou eventualmente ser a Câmara a gerir os dinheiros públicos, investidos na mesma. Ter assento direto na comissão central, com gente do município, da área das finanças, fazendo eles o controlo absoluto das despesas e das receitas. Fala-se agora na hora em que escrevo estas linhas, que a Câmara terá investido cerca de quase meio milhão de Euros, na Festa dos Tabuleiros de 2019. Sabendo que o município, transferiu para a comissão 270.000€, eu pergunto se não fará sentido ser a Câmara a gerir a festa por inteiro, dado que tem muita gente com essa capacidade e competência?

Aguardo pacientemente, pela prestação de contas por parte da Comissão de Festas.

Justiça seja feita ao executivo camarário, que tudo fez e investiu, para que a festa fosse um êxito, pelas razões que todos conhecemos, apesar que tal esforço também ter afetado algumas freguesias que viram algumas obras adiadas por falta de investimento camarário.

Temos por um lado a Comissão organizadora, que tal como o nome indica, organiza o cortejo em todas as suas vertentes, ficando e temos por outro as juntas de freguesia, que pagam a maior fatia do mesmo cortejo, num papel de subalternidade, humildemente subservientes. Tudo é exigido às freguesias rurais, até na ordem com que desfilam, a meu ver sem qualquer razão ser, sermos  colocados no cortejo pela letra U, de União, quando a nossa freguesia   se chama Casais e Alviobeira.

A falta de respeito pelas freguesias rurais ficou bem patente pelo desleixo ou falha organizativa quando no sábado não tínhamos as portas da Igreja da Misericórdia abertas para que lá colocássemos as nossas bandeiras e pendões, obrigando que as transportássemos para grandes distâncias por não haver estacionamento por perto.

A falta de respeito pelas freguesias rurais ficou bem patente quando chegados ao parque do mercado no dia do cortejo parcial para estacionar as nossas carrinhas que transportaram os participantes, não haver lugar porque outras pessoas colocaram lá os seus carros.

A falta de respeito pelas freguesias rurais foi bem visível quando no domingo do cortejo face a um a estimada moldura humana que ultrapassaria todas as expetativas, as camionetas que transportavam os participantes, estivessem em eminente risco de não chegar à cidade, porque, com tantas forças de segurança  envolvidas , não se assegurou que um batedor das forças policiais pudesse vir ao encontro das viaturas a entrada da cidade e pudesse ajudar na sua progressão  através daquela moldura humana.

A falta de respeito pelas freguesias rurais é bem patente quando em anteriores comissões, quando sobrava alguma verba a mesma era distribuída pelas freguesias e agora no caso vertente ao invés de se optar por esse procedimento tentou fazer uma mega festa na cidade, que segundo me foi dito foi um fiasco, porque na minha opinião, nada tem a ver com o Espírito da festa, veja-se o caso do fogo de artifício, numa altura em que o havia alerta vermelho, por causa dos riscos de incêndio, por um lado e por outro os custos inerentes a tal iniciativa.

Cabe ainda aqui fazer um esclarecimento público:

Conheço a Senhora Professora Maria João Morais, há alguns anos, através do seu envolvimento nas festas dos Tabuleiros. Sei que sempre deu o seu máximo em prol da nossa festa maior, e que sempre lhe foi reconhecida competência em todas as áreas em que se envolveu merecendo por isso a admiração e respeito de todos nós.

Nunca nenhuma crítica ou comentário menos simpático acerca da festa, teve como destinatário a pessoa da cidadã Maria João Morais. É bom que isto fique bem claro dado que a Senhora Mordomo da Festa dos Tabuleiros assim o entendeu e manifestou o seu desagrado publicamente,

João Luis Alves

Presidente da União de Freguesias de Casais e Alviobeira

Escrita por Redação

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  1. Autarca corajoso. Revela uma quantidade de factos que dão uma imagem da festa tomarense bem menos brilhante que o apregoado. E põe o dedo na ferida. Se a câmara é que paga de facto, porque insiste em recorrer a intermediários. Naturalmente para fugir a algumas obrigações de transparência na contratação pública (concurso público, consulta prévia a três eventuais fornecedores) e também para enganar o fisco, graças a uma entidade-fachada.
    A parte final do texto é triste. Não é nada contra a mordoma? Então é contra quem? Contra a câmara?

  2. E já era tempo de o transporte dos pares, até à cidade, ser feito em autocarros ou carrinhas fechadas. Os camiões não oferecem segurança e o pitoresco da situação não abona em favor da festa.
    Outra coisa que me desgostou foi a enorme quantidade de gente que pulula por entre o cortejo. Tantos organizadores, tantos fotógrafos, tantos não sei quê…
    Quanto à ordem das freguesias no cortejo, é um tema que há muito contesto – sempre arranjam não sei quantos argumentos para colocar as freguesias urbanas na frente do cortejo, sem que nenhum deles seja válido. Faça-se um sorteio e ponto!
    Também achei, enquanto participante, que as bandas eram poucas ou estavam mal distribuidas no cortejo. A batida da caixa também serve para marcar o compasso do desfile, mas na rectaguarda nunca se ouviu o som.
    Enfim, muito haveria para dizer. Mas também muito de bom. Viva a festa!

  3. Natural de Amarante. Viajei em Autocarro no Domingo. Adorei o Desfile. Para o Futuro gostava que a comissão da Festa pudesse arranjar um Parque destinado apenas a Autocarros o mais perto possível do Evento pois o nosso ficou a cerca de 3 KLM de distância. Obrg.

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