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Propaganda política balofa

Uma análise de Margarida Magalhães

“Tomar é o concelho do Médio Tejo com maior número de testes realizados”, declarou Anabela Freitas, numa entrevista ao semanário Cidade de Tomar, publicada esta semana. Olha a grande coisa!

Os testes para deteção de infetados com a covid-19 só se justificam quando há fundadas suspeitas da existência de um surto epidémico. Não era o caso, como se veio a demonstrar depois. O concelho registou apenas até agora 19 casos da doença.

Entre esses casos houve até um que é muito duvidoso, e cujo paciente faleceu em Leiria, onde de facto residia em casa de familiares. Mas como a sua residência oficial era em Tomar, foi aqui que contou.

Cabe também lembrar que, dos 110 mil euros de testes comprados pela câmara, cujo tipo e qualidade continuam por averiguar, até hoje só dois permitiram identificar outros tantos infetados, num lar privado do concelho. E mesmo assim, veio-se a provar depois que se tratou de resultados falsos ou falseados, sabe-se lá com que intenção.

Tendo igualmente em conta que há por esse país fora dezenas de municípios com mais habitantes, mas menos dinheiro gasto em testes, e mesmo assim menos infetados que Tomar, esta afirmação da senhora presidente torna-se algo ridícula. E só pode demonstrar uma de duas coisas. Ou a senhora pensa que os tomarenses são um pouco limitados da cabeça, e portanto ficam contentes com coisas assim, que afinal até lhes meteram medo. Ou a própria senhora já está um bocadinho baralhada das ideias. Pode acontecer aos melhores, que a vida autárquica é cada vez mais agitada.

Inclino-me mais para a primeira hipótese, uma vez que a afirmação foi feita durante uma entrevista a um dos órgãos locais de informação controlados pelo município, neste caso mediante a compra antecipada de 75 mil euros de publicidade, aos quais suponho que virá a acrescer o IVA de 23%, num total geral de 92.250 euros.

Para propaganda política de fraca qualidade, é muito dinheiro público mal gasto, num concelho com tantas carências.

Mas os leitores do Cidade de Tomar tiveram ainda assim alguma sorte. Escaparam (só desta vez?) à enumeração de outros recordes nabantinos:

1 – Maior quantidade de colectividades do Médio Tejo

2 – Maior volume anual de subsídios às colectividades

3 – Comunidade cigana mais numerosa do Médio Tejo

4 – Maior despesa anual do Médio Tejo para o realojamento de ciganos

5 – Bombeiros mais mal pagos do Médio Tejo

6 – Bombeiros mais mal equipados do Médio Tejo

7 – Água mais cara do Médio Tejo

8 – Parque de estacionamento P1 com as tarifas mais caras do Médio Tejo

9 – Única avenida do Médio Tejo com duas ciclovias

10 – Maior percentagem de funcionários municipais por habitante do médio Tejo

11 -Maior número de engenheiros no DOM- Departamento de Obras Municipais em todo o Médio Tejo. Um total de 11.

Conforme se pode ver, o concelho de Tomar lidera em muitas coisas na comunidade do Médio Tejo a que pertence. Só não sei ainda se é para ficar orgulhosa e contente, ou triste e chorosa. Em Outubro de 2021 logo se vê.

                                                                Margarida Magalhães

 

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