Porque será que se foram e não querem regressar?
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Segundo o Secretário de Estado das comunidades, “A situação dos portugueses na Venezuela é muito grave. Mas a grande maioria não quer regressar.” (Expresso curto online, 18/06/2019). Compreende-se. Não querem abandonar os seus bens e sujeitar-se a refazer de novo a vida. Mas também, e talvez até sobretudo, porque todos sabem muito bem o que deixaram para trás, quando emigraram.
Exagero? Talvez nalguns raros casos. No geral, basta pensar no caso tomarense, para apoiar a tese das más recordações do torrão pátrio.
Em Tomar, a situação não é muito grave, nem sequer grave. É a do costume. Boa para uns, complicada para outros, excelente a acreditar nas declarações dos que nos administram. Tanto assim que insistem em não mudar seja o que for. Mesmo asneiras evidentes, reconhecidas por todos e com mais de 10 anos.
Apesar de tal oásis de tranquilidade e progresso, a população nabantina continua a diminuir, a ritmo cada vez mais acelerado, conforme se vai lendo por aí. Não sendo portanto a situação tomarense, nem a dos países europeus em geral, da América do norte ou da Austrália, tão grave como na Venezuela, nem coisa que se pareça, porque será então que a migração continua e os emigrantes tomarenses não regressam à sua terra?
Será só para contrariar? Ou porque ainda não esqueceram as crónicas maleitas nabantinas?
José Cidade Velha
Quem já foi emigrante e, roído pela saudade, teve a ideia de regressar, agora lamenta-se amargamente. Salvo nalguns raros casos. Ao regressar, os emigrantes da Europa ou da América do norte dão se conta que Portugal, quanto mais muda, mais está pior. Salvo para os funcionários públicos e para os eleitos em geral, com destaque para os governantes. De resto, tirando as auto-estradas e pouco mais, é o que está à vista. E nos envergonha, quando comparado com a restante União europeia.