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Psiquiatra António Bento foi sepultado no cemitério da Carregueira (Beselga)

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O psiquiatra António Bento, que morreu no sábado, dia 16, foi sepultado nesta segunda feira, dia 18, na campa do pai no cemitério da Carregueira, freguesia de Beselga, Tomar. Antes foi celebrada missa na capela de Vale do Calvo.

Esta ligação do “psiquiatra dos sem-abrigo”, como era conhecido, à nossa região deve-se ao facto de os avós paternos e maternos do psiquiatra serem naturais da Carregueira, onde ainda hoje mora a sua mãe, com 93 anos.

Os pais de António Bento foram ainda novos para Lisboa e depois para Portimão. Quando se reformaram viajavam entre a Carregueira e Portimão passando por Lisboa para estar com o filho.

António Bento exercia a atividade de Psiquiatria, como Chefe de Serviço no Hospital Júlio de Matos e colaborava com diversas instituições, nomeadamente com a Santa Casa da Misericórdia na assistência e acompanhamento dos sem-abrigo, trabalho desenvolvido há mais de 20 anos.

Sobre a questão dos “sem-abrigo” este autor português é considerado como uma das referências mundiais nesta área.

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Trabalhou no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, onde desempenhou funções como chefe de serviço entre 2001 e 2021, quando se aposentou.

António Bento iniciou a vida profissional no Hospital Júlio de Matos e passou pelo Hospital do Barreiro.

“A sua vida está intimamente ligada à população em situação sem-abrigo, com quem começou a trabalhar em 1988”, lê-se numa nota divulgada pela instituição.

Em 1994, foi pioneiro na criação da equipa de rua da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e, em 2002, no CHPL, criou o Grupo Psicoterapêutico Aberto, que tem acolhido “centenas de pessoas com doença psiquiátrica grave e socialmente excluídas”.

Dos trabalhos que publicou, o CHPL destaca “Sem-Amor, Sem-Abrigo” (2002), em coautoria.

“Tornou-se uma figura incontornável no trabalho com pessoas em situação sem-abrigo em termos nacionais, através da colaboração permanente com o Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) e múltiplas entidades, tendo-lhe sido atribuída uma medalha de mérito social pela autarquia de Lisboa em 2018”, de acordo com a mesma fonte.

A nível internacional, integrou desde 1992 a organização SMES (Saúde Mental e Exclusão Social), que reúne profissionais e organizações com um foco na interação entre a saúde mental e os processos de exclusão social.

“Tocou a vida de muitas pessoas, para melhor. Continuou a dinamizar o Grupo Aberto e a fazer saídas de rua até à sua aposentação. Deixa um legado de entusiasmo e dedicação às pessoas em situação sem-abrigo que quem o conheceu não esquecerá”, sublinhou a instituição.

Morreu aos 69 anos vítima de doença de “evolução breve”, segundo o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa.

Apresentamos sentidas condolências à família.



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