Um grupo de moradores da zona de Alverangel e Casalinho vai participar na reunião pública da câmara municipal de Tomar, nesta segunda feira, dia 4 de maio, a partir das 14h30, para exigir “um esclarecimento urgente à população sobre o estado do processo de intervenção na Praia Fluvial de Alverangel”, na albufeira de Castelo do Bode.
Em junho de 2024 o proprietário de uma moradia no local colocou um portão e impediu o acesso à praia, o que suscitou muitos protestos por parte da população local e dos banhistas que viram assim cortado mais um caminho que era público para aceder à praia fluvial.
Apesar das promessas do anterior presidente da câmara de Tomar, Hugo Cristóvão (PS) segundo o qual já haveria um acordo para que os banhistas pudessem aceder à praia fluvial de Alverangel, o que é certo é que quase dois anos depois nada mudou.
“A solução foi encontrada há algum tempo, em diálogo com os proprietários, comigo e com o apoio dos serviços, e a solução possível, para um espaço muito exíguo onde duas viaturas têm dificuldade em se cruzar, requer obra e o lançar de uma empreitada que pretende criar as condições para que as pessoas de Alverangel, e não só, possam continuar a aceder àquela praia fluvial”, disse na altura à agência Lusa o autarca socialista.
Hugo Cristóvão referiu ainda que o acordo inclui o acesso por um caminho em que parte é público e parte é de domínio privado, tendo os proprietários do terreno dado o seu consentimento à passagem da população e de turistas desde que a sua casa fique resguardada em termos de privacidade. “Será sempre um acesso limitado, porque as condições físicas no local e o acesso ao rio é muito exíguo, mas o que vamos fazer é melhorar o acesso pedonal, desviando ligeiramente uma parte do percurso do terreno da habitação, criando escadas e rampas, e a outra parte será feita pelo mesmo caminho que se fazia e até onde será possível parquear viaturas e fazer inversão de marcha”, detalhou o autarca.
Nesta altura, o acesso à praia só é possível de barco e mesmo assim o proprietário tem hostilizado os visitantes que acedem à faixa do domínio público na margem (50 metros). Além disso colocou várias câmaras de videovigilância.
Quase dois anos depois, acesso à praia fluvial de Alverangel continua fechado
















5 comentários
Estamos em Portugal. Podem simplesmente expropriar o terreno invocando o interesse público, pagam uma miséria de indemnização, e está resolvido. O proprietário pode ir ter privacidade para outro lado.
Não era mal pensado assim a câmara tivesse interesse em fazer valer os direitos da autarquia e garantir que os cidadãos nao pediam os direitos sobre um direito essencial de aceder a Albufeira que é de todos e nao só para alguns senão qualquer dia é so de quem tiver um terreno a beira da linha de agua e todos ficam sem direito ao acesso a água.
Aguardo pela decisao da câmara pois ja passei de canoa em frente a dita praia e senti-me escorraçado.
Não era mal pensado assim a câmara tivesse interesse em fazer valer os direitos da autarquia e garantir que os cidadãos nao pediam os direitos sobre um direito essencial de aceder a Albufeira que é de todos e nao só para alguns senão qualquer dia é so de quem tiver um terreno a beira da linha de agua e todos ficam sem direito ao acesso a água.
Aguardo pela decisao da câmara pois ja passei de canoa em frente a dita praia e senti-me escorraçado.
Mais uma decisão mirabolante e irresponsável do moço que pensava que era presidente da câmara de tomar, Hugo de seu nome.
Engana tolos, até ao dia em que a verdade não escondida.
Esta é a praia fluvial de Tomar. Desde há dezenas de anos que os tomarenses escolheram este local pela proximidade, pelo acesso, pelo facto de formar uma baía, ter um pequeno areal e ter sombras. A estrada que lhe dá acesso sempre foi de utilidade pública e assim se deve manter. A decisão do Tribunal em considerar a referida estrada como sendo privada é um absurdo e deve ser revertida. Aliás, não havia possibilidade de recorrer da decisão? Decisão que teve este desfecho dada a fragilidade da defesa e fracos fundamentos apresentados para que a estrada se mantivesse de acesso público.
Na última reunião de Câmara o assunto foi novamente levantado por uma moradora no local, bem conhecedora da realidade e da existência do caminho público. As respostas foram ambíguas e evasivas. Surgiu ainda uma outra proprietária que é dona de um terreno no local, junto ao portão e por onde passa a estrada? não se percebeu.
Ficou claro que a Câmara poderia, e poderá fazer alguma coisa de modo a manter o acesso ao rio e àquela praia fluvial.
É evidente que o atual proprietário comprou um imóvel “abandonado” porque era atravessado por uma estrada pública e tinha assim menos valor. Quem comprou privatizou a estrada, vedou o terreno, devastou o arvoredo, inclusive o que se encontrava abaixo da linha de água, ampliou o edifício, construiu mais e em local que seria impossível para o comum dos cidadãos e para outros proprietários com terrenos confinantes com a água. Imagine-se o valor atual do imóvel.
Algo de especial e estranho se passa. O comprador ganha o processo em Tribunal, não há recurso, privatiza a estrada pública, abate arvoredo que permitia sombra na praia e constrói onde para outros seria impossível, deve estar bem protegido e com alguns poderes ocultos para que possa impunemente apropriar-se de uma praia pública.