O ourives José da Silva dos Santos Gaio, um dos fundadores do CIRE – Centro de Integração e Reabilitação de Tomar e proprietário da ourivesaria da av. Torres Pinheiro, morreu nesta terça feira, dia 30, aos 86 anos, no hospital de Abrantes.
Era casado e pai de dois filhos, família a quem apresentamos sentidas condolências.
O velório decorre na manhã desta quarta feira, dia 31, na casa mortuária de Tomar.
O funeral está marcado para as 11h00 no cemitério de Marmelais onde se realiza uma cerimónia religiosa na capela.
No final de setembro do ano passado foi inaugurada na casa Vieira Guimarães a exposição “Ourivesaria Popular”, com mais de 200 peças da autoria de José Gaio.
Ourives desde muito jovem, aprendeu a arte em Gondomar, perto do Douro da sua infância. Fez serviço militar em Tomar, no posto de rádio no Convento de Cristo, e foi em Tomar que constituiu família. A criação com metais preciosos sempre fez parte do seu quotidiano, quer fazendo pequenos concertos de joias, quer criando peças originais na sua oficina da Ourivesaria Popular.
Na sua criação artística, José Gaio materializava o mundo sensível à sua volta a partir da memória do que foi vendo ao longo da vida.
Os temas foram variando, desde os motivos religiosos até à representação da natureza: flores, árvores, arbustos, cobras, crocodilos. A relação com a flora local foi-se fortalecendo, as plantas que faz crescer no seu jardim, servem de modelo para cada nova estatueta, brinco ou pregadeira.
As técnicas de ourivesaria que José Gaio foi usando para chegar aos seus objetivos criativos foram evoluindo, começando quase sempre pela fundição e forjamento e passando depois pela gravação, esmaltação ou granulação. Para chegar às formas que apresentou naquela exposição, foi experimentando múltiplos acabamentos sobre a prata, o seu metal preferido. No conjunto que esteve exposto encontram-se folhas, ramos e pétalas que foram repujadas, cinzeladas, algumas delas ornamentadas com pedras preciosas e semipreciosas com cravamentos em garra ou pavê e outras ainda em canal.
Há diferenças de cor de metal que se encontra entre elementos da mesma peça que criam contraste, cada um desses elementos foi colorido através de processos de oxidação e patinação e colocados no seu lugar através de um processo de marchetaria.
A direção do CIRE publicou uma nota de pesar:
“Hoje fomos fustigados, pela notícia do falecimento de José Gaio, um dos fundadores da nossa Instituição, o CIRE.
José Gaio foi muito mais do que um pilar fundador.
Foi um ourives de arte, no sentido mais nobre da palavra, alguém que trabalhava com mestria, paciência e sensibilidade, transformando matérias simples em obras com alma.
Mas, acima de tudo, foi um ourives de pessoas: um homem de coração de ouro, generoso no gesto, atento no olhar e firme nos valores.
A sua visão, dedicação e humanidade ajudaram a construir o CIRE que hoje conhecemos. O seu legado vive em cada projeto, em cada pessoa que aqui encontrou oportunidades, dignidade e esperança. Deixou-nos um exemplo raro de compromisso, humildade e amor ao próximo.
Partiu um homem bom, mas permanece uma herança imensa. Honraremos a sua memória continuando o caminho que ajudou a traçar, com o mesmo respeito, a mesma entrega e o mesmo coração.
À família, amigos e a todos os que tiveram o privilégio de o conhecer, deixamos a nossa mais sentida solidariedade.
Obrigada, José Gaio. Nunca será esquecido”.
Reportagem da SIC
Aos 85 anos, José Gaio inaugura exposição com mais de 200 peças de ourivesaria


