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Fábrica do Prado está a ser desmantelada. Sucateiro comprou recheio

A última fábrica de papel de Tomar, ao fim de 200 anos de história, está a ser desmantelada por um sucateiro que comprou todo o recheio por 870 mil euros.

Chegou a haver dois leilões para venda da unidade industrial em bloco, mas a proposta mais alta, 1 milhão e 770 mil euros, não foi aceite por estar muito abaixo do preço base, 2 milhões e 750 mil euros.

Perante a ausência de mais propostas e havendo vários sucateiros interessados, o gestor de insolvência decidiu vender o recheio – máquinas, ferramentas, cablagens, mobiliário, equipamentos, etc – à empresa Ferminova, do Porto por 870 mil euros.

Desde outubro que decorrem os trabalhos de desmantelamento da fábrica, com os camiões a saírem diariamente carregados de toneladas de material.

A empresa tem seis meses para retirar todo o recheio, prazo que deverá ser prorrogado por igual período.

Ficam por vender os edifícios e os terrenos, processo que deverá avançar este ano.

Ao fim de mais de 200 anos de funcionamento, a fábrica de papel do Prado parou de laborar no dia 30 de junho de 2017, deixando no desemprego mais de 70 trabalhadores. Iniciou-se então o processo de insolvência que culmina com a venda de todo o património da fábrica.

Situada na união das freguesias de Além da Ribeira e Pedreira, a unidade fabril ocupa uma área superior a 50 hectares à beira do rio Nabão, tendo uma área coberta de 25.465 m2.

É o fim da última fábrica de papel em Tomar, concelho que chegou a ter cinco fábricas de papel.

Escrita por Redação

Comentários

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  1. É o caminho habitual das unidades industriais tomarenses. Crise > insolvência > desmantelamento. Não conheço notícia de que alguma tenha sido recuperada, salvo o ex-matadouro regional. Porque será que os investidores ignoram sistematicamente as falidas indústrias tomarenses? Será medo das ratazanas locais?
    Segundo esta notícia, ainda terá havido propostas para retomar o Prado, todavia muito inferiores ao montante-base do respectivo leilão. Percebe-se. Tendo em conta a envolvência, os bens valem o que valem para os potenciais investidores.
    Há porém detalhes intrigantes. Segundo omirante.pt houve dois investidores estrangeiros que acabaram por desistir. Um era catalão e foi-se tal como tinha vindo. Sem qualquer explicação. O outro era moldavo e pretendia não só recuperar a fábrica, como acrescentar uma outra de reciclagem de pneus. Acabou por abandonar, ao ser-lhe recusado o financiamento bancário que solicitara.
    Estranho, tudo muito estranho. Mas nem os eleitos, nem os jornalistas, e muito menos os tomarenses em geral, procuram indagar quais as causas para tanta fatalidade, que pouco a pouco vai reduzindo Tomar a uma aldeia cada vez mais triste.
    Conviria talvez reler o canto 10º dos Luzíadas. O Camões era zarolho, mas mesmo assim via longe.

  2. Pronto, já ouvi. Querem saber onde podem ler o tal canto 10 dos Luzíadas. Pois aí vai. Professor durante um tempo, professor sempre:
    Não mais, Musa, não mais, que A LIRA TENHO
    DESTEMPERADA, E A VOZ ENROUQUECIDA
    E não do canto, mas de ver que VENHO CANTAR
    A GENTE SURDA E ENDURECIDA.
    O favor com que mais se acende o engenho
    NÃO O DÁ A PÁTRIA, NÃO, QUE ESTÁ METIDA
    NO GOSTO DA COBIÇA E NA RUDEZA
    DUMA AUSTERA, APAGADA E VIL TRISTEZA

    Como escreveu o tomarense Gonçalo Macedo, também eu considero que “Tomar é a minha pátria”. Onde, mais de cinco séculos após Camões, abundam as festanças e outros eventos, apesar da pandemia, decerto para tentar espantar a vil tristeza… e angariar votos para Outubro. Mas quanto ao resto…

  3. Mais do que a última fábrica de papel, é a última fabrica relevante do concelho. Relevante por ter dimensão, capacidade para atrair trabalhadores, contratar quadros superiores, poder ter programas de investigação, produzir bens transacionaveis e trabalhar no mercado externo. Quanto aos 70 trabalhadores no desemprego esse talvez seja o último número, já em crise. Mas entre emprego direto e indireto haveria 500 pessoas ligadas a fábrica, o que significa mais de mil pessoas com rendimentos dela dependentes. E esse era dinheiro que agora não está disponível para o comércio local. Pode dizer-se que houve investimentos errados, assim como decisões da gestão (a privatização a favor de um grupo financeiro não industrial, prenunciava um colapso)
    Se é verdade que em todo o mundo há encerramento de empresas, o que aqui se estranha é a generalizada apatia tomarense e a incapacidade de atrair outros investimentos que substituíssem.

  4. Mais do que a última fábrica de papel, é a última fabrica relevante do concelho. Relevante por ter dimensão (figurou muitas vezes nas listas das 1000 maiores), ter capacidade para atrair trabalhadores, poder contratar quadros superiores, poder ter programas de investigação, produzir bens transacionaveis e trabalhar no mercado externo. Quanto aos 70 trabalhadores no desemprego esse talvez seja o último número, já em crise. Mas entre emprego direto e indireto haveria 500 pessoas ligadas ah fábrica, o que significa mais de mil pessoas com rendimentos dela dependentes. E esse era dinheiro que agora não está disponível para o comércio local. Pode dizer-se que houve investimentos errados, assim como más decisões da gestão (a privatização a favor de um grupo financeiro não industrial, prenunciava um colapso)
    Se é verdade que em todo o mundo há encerramento de empresas, o que aqui se estranha é a generalizada apatia tomarense e a incapacidade de atrair outros investimentos que substituíssem os que entretanto encerraram. A ilusão que o turismo é suficiente para a dimensão da cidade vai sair caro aos tomarenses.

  5. Uma curiosidade sobre o interesse pelo Prado da parte dos poderes públicos: um dos maiores problemas que a fábrica teve desde a última expansão era o acesso de camiões pesados, alguns obrigados a atravessar Tomar. Durante a construção do IC9 foi feito um acesso junto á fábrica para facilitar a circulação de máquinas pesadas, necessárias para a obra. Concluída a estrada foi encerrado o dito acesso.

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