Luciano de Vries vive numa propriedade rural em Tavira, no Algarve. Tem galinhas, um pato chamado Donald e um coelho chamado Snowball. Tem dois cães permanentes e, nos últimos meses, acolheu mais de sete cães em regime de acolhimento temporário. A maioria das pessoas conhece De Vries pelo que construiu nos negócios. Quem o conhece pessoalmente conhece também alguém para quem o bem-estar animal é uma preocupação genuína, presente no quotidiano, não uma declaração de princípios. Os animais em Tavira confirmam isso.
Em abril de 2024, De Vries doou 4.950 euros à Animal Rescue Algarve, uma organização de resgate animal sediada em Loulé. A doação não foi anunciada com pompa. Aconteceu porque a organização precisava de apoio e De Vries decidiu prestá-lo. A decisão não precisou de anúncios. A Animal Rescue Algarve trabalha com animais em risco no sul de Portugal, num contexto de financiamento limitado e de dependência quase total de voluntários e de doações privadas. Para organizações com esta dimensão, uma doação individual pode representar a diferença entre manter e suspender a operação durante semanas.
Uma Filosofia, Não uma Estratégia
Existe uma tendência, nos círculos empresariais, de tratar a filantropia como uma extensão da estratégia de marca. Doações com visibilidade, patrocínios calculados, comunicação cuidadosamente gerida. De Vries opera de forma diferente.
O seu envolvimento com causas de bem-estar animal e de apoio humanitário parte de uma visão de responsabilidade que De Vries não separa da forma como gere as suas empresas. Quem cuida dos animais da sua propriedade com atenção diária aplica o mesmo critério de cuidado às equipas que dirige. Quem escolhe acolher cães temporários, sabendo que vai criar laços e depois despedir-se, está a exercitar uma forma de compromisso que não depende do retorno.
De Vries não fala de filantropia como se fosse uma obrigação do sucesso. Fala como alguém que sempre acreditou que a forma como tratamos o que nos rodeia é um reflexo de quem se é.
O Apoio à Ucrânia
Quando a guerra na Ucrânia começou, De Vries não permaneceu indiferente. A sua empresa de transporte na Polónia tem uma presença significativa de trabalhadores ucranianos. Para De Vries, essa presença tinha um peso que ia além dos números.
O apoio que canalizou para trabalhadores e famílias ucranianas afetados pelo conflito foi uma extensão natural da forma como gere as suas relações laborais. Quem trabalha com De Vries é uma pessoa com uma história, uma família e uma situação que muda. Esse entendimento molda tanto as decisões de contratação quanto as de apoio em momentos difíceis. A decisão de criar um ambiente de trabalho estável para trabalhadores ucranianos deslocados partiu do mesmo princípio que orienta todos os seus negócios: quem trabalha com ele merece que a sua situação seja levada a sério.
O Algarve e a Comunidade Local
A ligação de De Vries ao Algarve vai além dos projetos imobiliários que desenvolve com o parceiro Nick Houwen através da Casa Vista Real Estate. É também uma ligação ao território e às comunidades que o habitam.
A doação à Animal Rescue Algarve enquadra-se nessa lógica. As organizações de resgate animal no sul de Portugal enfrentam um problema permanente de financiamento e de capacidade. A maioria depende de doações privadas para manter a operação. De Vries, que vive na região e convive diariamente com animais na sua propriedade em Tavira, entende esse contexto e age em conformidade. A mesma atenção que dedica ao contexto local ao avaliar uma oportunidade de investimento estende-se à forma como escolhe apoiar as comunidades nas quais opera. Quem conhece um território em profundidade tende a perceber onde o apoio faz mais diferença.
O Que a Filantropia Revela
Existe um argumento, cada vez mais presente na literatura de gestão, de que os líderes que constroem empresas duradouras tendem a ter uma relação com o mundo que vai além do lucro. Não porque a filantropia seja uma condição do sucesso, mas porque a mentalidade que leva alguém a cuidar genuinamente do que o rodeia tende a ser a mesma que constrói equipas coesas, culturas organizacionais resilientes e relações comerciais duradouras.
A investigação de gestão tem começado a medir o que muitos líderes já intuem. Empresas orientadas por propósito registam, em média, receitas e margens superiores às das que operam com foco exclusivo no resultado imediato. A correlação não surpreende quem entende que as culturas organizacionais mais coesas tendem a ser as que partem de líderes com um sentido de responsabilidade que vai além do escritório.
De Vries não faria essa formulação em voz alta. Mas a coerência entre a forma como trata os animais da sua quinta, os trabalhadores da sua equipa polaca e as comunidades onde investe sugere que existe, nele, uma visão integrada do que significa agir com responsabilidade.
Para De Vries, cuidar é um verbo ativo. Aplica-se em Tavira, na Polónia e no Algarve. Com a mesma constância.


1 comentário
Gostei do artigo.
Uma das dificuldades que tenho, quando pretendo fazer doações ou mesmo só consignar aquela percentagenzinha do IRS, é a credibilidade do receptor. Todos sabemos que a intermediação na “solidariedade” ´w um bom negócio.
Gostaria de saber mais sobre essa associação e, já agora, o NIB.