O eclipse solar de 12 de agosto de 2026 será visível em toda a região do Médio Tejo e poderá provocar uma redução muito significativa da luz natural ao final da tarde. Apesar de a região ficar fora da faixa de totalidade, a Lua deverá cobrir grande parte do Sol, proporcionando um dos fenómenos astronómicos mais marcantes dos últimos anos.
Na região do Médio Tejo, incluindo concelhos como Tomar, Abrantes, Ferreira do Zêzere, Ourém, Torres Novas, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Constância, Mação, Sardoal e Alcanena, o fenómeno será observado como um eclipse solar parcial.
As previsões disponíveis para o distrito de Santarém indicam que o eclipse deverá começar aproximadamente às 18h38, atingindo o ponto máximo perto das 19h34. O fenómeno terminará por volta das 20h27, embora os horários possam variar alguns minutos consoante o local de observação.
Lua deverá cobrir grande parte do Sol
No momento máximo do eclipse, a magnitude prevista para esta região deverá aproximar-se de 0,96. Este valor significa que a Lua deverá cobrir cerca de 96% do diâmetro aparente do Sol.
Apesar de não existir escuridão total no Médio Tejo, a ocultação será suficientemente elevada para provocar uma diminuição percetível da luminosidade ambiente. As sombras poderão tornar-se mais definidas, a luz poderá adquirir uma tonalidade diferente e a temperatura poderá baixar ligeiramente durante alguns minutos.
O efeito não será semelhante ao cair da noite, uma vez que uma pequena parte do Sol continuará visível e será suficiente para manter alguma luminosidade. Ainda assim, caso o céu esteja limpo, a alteração da luz deverá ser claramente percetível.
Sol estará baixo no horizonte
O eclipse acontecerá ao final da tarde, quando o Sol já estará relativamente baixo. Para acompanhar o fenómeno, será importante escolher um local com boa visibilidade para oeste e sem árvores, edifícios, serras ou outros obstáculos a tapar o horizonte.
Locais elevados e zonas abertas poderão oferecer melhores condições de observação. No entanto, a visibilidade dependerá sempre das condições meteorológicas registadas no dia 12 de agosto.
A proximidade do pôr do Sol poderá também dificultar a observação das fases finais do eclipse em alguns pontos da região.
Nunca olhar diretamente para o Sol
Observar um eclipse solar sem proteção adequada pode provocar lesões graves e permanentes nos olhos. Mesmo quando a Lua cobre quase todo o disco solar, a parte que permanece visível continua a emitir radiação suficientemente intensa para danificar a retina.
Estas lesões podem ocorrer sem dor imediata. Os sintomas podem surgir apenas algumas horas depois e incluir visão desfocada, manchas no campo visual, alteração das cores ou perda permanente de visão.
Durante todo o eclipse observado no Médio Tejo será obrigatório utilizar proteção adequada. Como não haverá uma fase de totalidade na região, nunca será seguro retirar os óculos de observação enquanto se olha para o Sol.
Óculos de sol não são suficientes
Para observar diretamente o fenómeno devem ser utilizados exclusivamente óculos próprios para eclipses ou visualizadores solares que cumpram a norma internacional ISO 12312-2.
Antes da utilização, os óculos devem ser inspecionados. Não devem ser usados caso apresentem riscos, furos, rasgões, deformações ou qualquer outro dano.
Os óculos de sol convencionais, mesmo os mais escuros ou utilizados em conjunto, não oferecem proteção suficiente.
Também não devem ser utilizados métodos improvisados, como radiografias, negativos fotográficos, CDs, DVDs, vidro fumado, películas escuras, filtros de soldadura inadequados ou ecrãs de telemóveis.
Binóculos, telescópios e câmaras exigem filtros próprios
Os óculos para eclipses não permitem utilizar binóculos, telescópios ou câmaras fotográficas de forma segura. Estes equipamentos concentram a luz solar e podem provocar lesões oculares instantâneas, além de danificarem os próprios aparelhos.
Qualquer equipamento ótico deve possuir um filtro solar específico, corretamente instalado na parte da frente da objetiva, antes da entrada da luz.
Nunca se deve colocar um filtro solar apenas junto ao olho ou na ocular de um telescópio ou binóculo, uma vez que o calor concentrado pode danificar ou partir o filtro.
Quem pretenda fotografar o eclipse deve utilizar equipamento e filtros adequados, seguindo as indicações do fabricante. Apontar diretamente uma câmara ou um telemóvel ao Sol sem proteção pode danificar o sensor e não protege os olhos de quem estiver a enquadrar a imagem.
Cuidados especiais com crianças
As crianças devem ser acompanhadas permanentemente por adultos. Os óculos devem permanecer corretamente colocados antes de a criança levantar a cabeça e olhar na direção do Sol.
Depois da observação, a criança deve baixar novamente a cabeça antes de retirar os óculos. Este procedimento reduz o risco de olhar acidentalmente para o Sol sem proteção.
É igualmente importante explicar antecipadamente que os óculos não devem ser retirados durante a observação, mesmo que o Sol pareça pouco brilhante ou quase totalmente coberto.
Também é possível observar sem olhar para o Sol
Uma alternativa segura consiste na observação indireta através de projeção. Pode ser utilizado um projetor solar simples, feito com cartão, ou o método de projeção por um pequeno orifício, que permite projetar a imagem do Sol numa superfície branca.
Neste método, o observador olha apenas para a imagem projetada e nunca diretamente através do orifício.
Durante o eclipse também poderá ser possível observar pequenas imagens do Sol projetadas no chão através dos espaços existentes entre as folhas das árvores.
Eclipse total apenas numa pequena área de Portugal
O eclipse de 12 de agosto de 2026 será total numa faixa que atravessará a Gronelândia, a Islândia, o norte de Espanha e uma pequena área do nordeste de Portugal.
Na maior parte do território português, incluindo o Médio Tejo, será observado como eclipse parcial. Ainda assim, a elevada ocultação prevista deverá transformar o fenómeno num acontecimento pouco habitual e especialmente marcante para a região.
O eclipse acontecerá numa altura do ano em que muitas pessoas se encontram de férias e poderá levar à concentração de observadores em miradouros, zonas elevadas e outros locais com boa visibilidade. Recomenda-se que as deslocações sejam planeadas antecipadamente, que os veículos não sejam estacionados em locais perigosos e que sejam respeitadas as propriedades privadas e as áreas florestais.
Preparar a observação com antecedência
Os óculos certificados para eclipses devem ser adquiridos com antecedência e através de fornecedores credíveis. À medida que a data se aproxima, poderão surgir produtos falsificados ou sem certificação adequada.
É igualmente aconselhável consultar a previsão meteorológica, escolher antecipadamente um local com horizonte desimpedido para oeste e chegar com tempo suficiente para estacionar em segurança.
Se as condições meteorológicas forem favoráveis, o eclipse solar de 12 de agosto de 2026 promete proporcionar um final de tarde diferente em toda a região do Médio Tejo. Um espetáculo raro, mas que deverá ser observado sempre com a proteção adequada.

