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O desnorte da autarquia esbanjadora

Opinião de António Rebelo

Os senhores camaristas, e respectivos acólitos, ficam muito incomodados quando são criticados. Parecem ser alérgicos a opiniões diferentes. E quando se escreve que estamos perante uma câmara gastadora, esbanjadora até, que adora ornamentações, enfeites, obras vistosas e eventos promocionais, a coisa piora.

Não se percebe porquê. É uma evidência gritante. A tal ponto que, limitada na sua outra vertente, a das comezainas, passeatas e festarolas, por causa da pandemia, a autarquia mais uma vez não resistiu. E mostra estar um pouco desnorteada.

Numa altura em que se renova o estado de emergência. Numa altura em que mais de metade dos 308 concelhos do país estão confinados de facto, e os restantes para lá caminham. Numa altura em que já se ultrapassam as 6 mil infecções diárias. Numa altura em que a própria senhora presidente, numa atitude louvável, aconselha os tomarenses a serem cautelosos.

Numa altura assim, e com perspectivas de agravamento, pois o período de mau tempo e baixas temperaturas vai durar pelo menos até Março, que resolve fazer a autarquia? Anuncia pomposamente um evento (ou uma série de eventos) com o título genérico “Natal é no comércio local”, que vai custar 40 mil euros.

Outras iniciativas virão, mas para já foi anunciada a ornamentação luminosa de algumas ruas, por 20 mil euros.

Está-se mesmo a ver que, numa altura de tantas cautelas e tantas limitações, era mesmo o que estava a fazer falta. Ornamentar as ruas da urbe, para incitar as pessoas a saírem de casa e irem às compras. Valha-nos nossa senhora da Agrela, que não há santa como ela!

Nas actuais circunstâncias, a iniciativa “Natal é no comércio local” aparece como tão estapafúrdia, tão intempestiva, que uma de duas, qual delas a pior. Ou, como dito a cima, encrencada com a pandemia, a câmara desnorteou. Ou estamos perante um caso de evidente cinismo político. Maneira de anunciar obra sem ter de a fazer, impedida pelas medidas de confinamento.

Seja como for, estão os tomarenses confrontados com uma óbvia e muito desagradável incoerência factual. Enquanto a senhora presidente vai recomendando aos tomarenses que todo o cuidado é pouco, designadamente na recente entrevista a uma rádio local na qual, durante 10 minutos, não falou de outra coisa, a câmara vai fazendo orelhas moucas. Vai anunciando eventos para promover o Natal, incentivando as pessoas a irem ver as iluminações, e sobretudo fazer as suas compras próprias da época.

É uma nova versão do secular dito popular “Façam o que eu digo. Não olhem para o que eu faço.” E mais um exemplo flagrante de caça ao voto. Necessidade a quanto obrigas!

                                     António Rebelo

ADENDA
 
“Gato escaldado de água fria tem medo” e “quem não se sente não é filho de boa gente”. Tendo em conta os antecedentes, solicitei à administração do Tomar na rede que não publique qualquer comentário aos meus textos, assinado com o pseudónimo ERICA, ou que não tenha estreita relação com o assunto apresentado.
Esta segunda parte, a congruência ou relação comentário/texto inicial, visa evitar a esperteza saloia que seria mudar de pseudo mas continuar a semear bostas.

Escrita por António Rebelo

Comentários

Responder
    • Vai-se agravando o estilo, na sua opinião? E daí? O principal é o estilo ou a matéria exposta?
      Sem conteúdo e sem nexo, diz você. Temos de concordar que este seu ponto de vista é muito específico e assaz obtuso. Não concordar é uma coisa. Fingir que não vê ou não se percebe, outra. Os restantes leitores concluirão.
      Se puder, agradeço que procure manter um debate cordato. Evite a agressiva ofensa gratuita e despropositada Jagunço não é termo aceitável entre europeus que se respeitam e respeitam o idioma pátrio. Só pode desqualificar quem o usa indevidamente.
      Para que conste e não esqueça: Conteúdo >despesas camarárias de 40 mil euros, com ornamentações de rua e animação, em tempo de estado de emergência, confinamento e agravamento da pandemia;
      Nexo > quem paga impostos em Tomar tem o direito de saber para onde vai parte do seu dinheiro e de emitir opinião.

    • As verdades custam a engolir, seja a dita a verdade.
      Porque na realidade dos factos, em vez da Câmara andar a gastar dinheiro dos Contribuintes (dos quais eu me incluo) em coisas fúteis, era preferível dar o dinheiro mal gasto, a ajudar os tomarenses que na realidade precisam neste tempo pandémico.
      Basta ver as longas filas no armazém da Cáritas que hoje em dia ocorrem, para as Pessoas levarem alguns bens essenciais para casa, para que se perceba a que me refiro.
      E aqui Eu pessoalmente já nada tinha a comentar sobre os avultados impostos que pago a estas corjas (Município incluído).
      Enfim, quando o dinheiro não é deles vai de esbanjar em gastos supérfluos.

  1. António Rebelo: você agora esteve mal!!!! As ornamentaçōes de Natal não são dinheiro mal gasto visto as lojas estarem abertas. Dinheiro mal gasto é o que a câmara paga todos os meses pelo aluguer do Mercedes da presidente, por exemplo.

    • Ora aqui temos, no meu entender, um comentário como sempre deveriam ser. Numa linguagem ponderada, sem agredir nem ofender, expõe a sua discordância e avança a argumentação. Os meus agradecimentos por este seu exemplo, sr. Helder. Oxalá frutifique.
      Indo agora ao âmago da questão, mantenho tudo o que escrevi, por me parecer que o seu argumento não é suficiente. Desde logo porque em não escrevi que as “ornamentações são dinheiro mal gasto”, fiquei-me pela ideia de despesa de promoção eleitoralista. Depois, porque as lojas continuam abertas, como escreveu, mas também continua a haver, por exemplo, bebidas alcoólicas em venda livre. Todavia, por alguma razão, a sua difusão publicitária está severamente regulamentada. Da mesma forma, atravessamos um período muito difícil porque extremamente perigoso, pelo que se devem evitar todos os incitamentos a saídas de casa, compras, celebrações, idas aos cafés, etc. Por conseguinte, a câmara devia abster-se de qualquer acção tendente a reduzir o confinamento. de facto.
      Para não alargar, fico-me pela constatação de que, bem vistas as coisas, as opiniões são afinal como as cabeças. Cada qual tem a sua, mas há umas que são melhores que outras.

  2. Bom texto, aliás como o Sr. A. Rebelo há muitos anos nos habitua.
    Se os custos referidos já eram do anterior, desperdício e ostentação paga pelos impostos dos Munícipes, mais o são no presente contexto de muito grave crise económica, e que muito se agravará no futuro próximo.

  3. Sou favorável à liberdade de circulação, sim, mesmo que isso leve à morte directamente mais de 20 mil pessoas em Portugal, e de mais uns quantos milhares de internamentos em estado grave, que de resto tendo em conta que morrem mais de 100 mil todos os anos, seria ainda assim melhor que colocar todas as 10 milhões e 200 mil pessoas presas e restritas colocando em perigo a saúde a todos os níveis (física, psicológica, relações sociais, economia, dentro da própria saúde o tratamento de outras doenças que se descuradas também levam e certamente já levaram a um aumento de mortes enorme) de toda a população.
    Deem a informação, os meios de protecção se existirem, e deixem as pessoas decidirem em liberdade o que fazer (desde que não coloquem terceiros directamente em perigo, que neste caso obtêm-se exigindo a máscara em espaços fechados e na proximidade de terceiros no exterior).

    Quando aos gastos em luzinhas e promoção do consumo local, se o município já tiver pago todas as suas dívidas e neste momento tiver grande margem de lucro, não vejo problema… mas como a dívida ainda parece ser grande (dívida total, a bancos e fornecedores, de 17,2 milhões de euros a 18-06-2020 (in. http://www.cm-tomar.pt/index.php/pt/noticias-lista/1293-municipio-de-tomar-fecha-contas-de-2019-com-um-milhao-de-euros-positivo )) talvez tivesse sido melhor anunciar um pagamento extraordinário a empresários locais a quem já tenha dívidas, e se não dever a ninguém localmente então na região e depois no país e só depois no estrangeiro… que esse dinheiro certamente faz muita falta a muitos desses fornecedores.

    • O problema é que essa irresponsabilidade vai por em perigo o sistema de saúde e todos os que lha trabalham e quem dele precisa por outras doenças.
      Ou a sua liberdade de pensamento não lhe permite percebe que o numero de pessoas internadas e em cuidados intensivos é muito superior ao de uma gripe normal?! e que esta pressão no sistema de saúde tem imensos custos e põe em perigo todos os intervenientes e famílias dos mesmos, que têm de ser mobilizados, ficar sem ferias porque uns iluminados são a favor da liberdade de circulação?!

      • Para mim a vida não humana não é uma valor absoluto, existem limites como a liberdade individual e liberdade de movimentação, entre outros, que considero muito superiores ao direito à vida. Claro que o direito à vida é um direito legítimo, apenas não um direito absoluto que ultrapassa todos os outros.

        É daquele(a)s que prefere ter uma saúde boa mas fechada numa cela de uma prisão o resto da sua vida, ou ir tendo alguns problemazitos mas poder estar com quem quiser e ir a onde quiser, quando quiser, e fazer o que quer desde que não prejudique terceiros propositalmente?

        Você quer restringir a liberdade de todos em prol de uns uns poucos, eu prefiro arriscar a saúde de uns poucos em benefício do todo.

        E quanto às pessoas internadas em cuidados intensivos, tal também não é aceite por mim como desculpa suficiente para impedir e de facto estragar a vida a mais de 10 milhões de pessoas em Portugal, só porque potencialmente umas quantas dezenas de milhares poderão não conseguir assistência médica, em especial quando já se sabe que com cuidados básicos de higiene, boa circulação de ar, máscaras de protecção bem ajustadas à cara para realmente protegerem, e distanciamento físico, são suficientes para reduzir significativamente a velocidade de transmissão e talvez prevenir o problema completamente (na melhor das hipóteses). Pode dizer-me que as pessoas não cumprem, mas aí estão a fazer uma opção e a aceitar as consequências… ah! mas vai afectar outros… então é porque esses outros não cumpriram as melhores práticas, se são negligentes porque têm o resto do povo todo sofrer as consequências da negligência de alguns? Não tem.

        Isto no fundo é uma questão filosófica por assim dizer. Você tem uma maneira de ver o assunto que provavelmente defenderá até ao fim, e eu tenho outra forma de ver o mesmo assunto. Compreendo a sua forma de ver as coisas, pelo lado que considera que todas as vidas contam, apenas não a aceito como a correcta, assim como provavelmente vossa excelência não aceitará a minha forma de ver as coisas como a correcta.

        • Li e reli este seu comentário, bem vindo como todos os que respeitam as regras da boa convivência cidadã, porque me pareceu desde o começo haver entre as nossas posições respectivas um mal entendido. Na verdade, parece-me que nunca escrevi, nem penso, que se deva sacrificar a liberdade de todos para defender o direito à vida de alguns. Salvo em casos muito restritos. Trata-se porém de uma vasta questão filosófica, para a qual não me sinto habilitado, e por isso prefiro não ir por aí.
          O que defendi no meu texto inicial foi a manifesta inoportunidade, a inconveniência até, de em tempo de pandemia e de confinamento, a autarquia gastar dinheiro a implementar, ou a dizer que implementa, eventos tendentes a levar os cidadãos a sair de casa e a não respeitar os agora prudentes afastamentos sociais. Pareceu-me útil, para evitar males maiores. Como por exemplo que os comerciantes locais se convençam que daí lhes resultarão mais negócios, quando se trata apenas de promoção eleitoral encapotada.
          Foi só isto, que não me parece nada pouco, antes pelo contrário, que tentei explicitar. Quanto ao vasto debate entre os que defendem medidas governamentais, e os que são contra, por enquanto continuo a estar com os primeiros. Deve ser da idade.

  4. Tenho dúvidas que se possa dizer que este dinheiro seja mal gasto. Também não parece que se possa associar a eleitoralismo. Não será antes uma tentativa de o já antes aflito e agora aflitissimo comércio local conseguir alguma faturação para cobrir despesas com salários, rendas e outros encargos? Claro que as iluminações são um incentivo para as pessoas sairem mas o país não foi mandado fechar. As restrições ah mobilidade entre concelhos é que talvez evitem compras dos tomarenses em Torres Novas, Lisboa ou Leiria, como é costume há vários anos, dada a muito maior oferta naquelas cidades, ao mesmo tempo que em Tomar se reduzia.

    • É um outro ponto de vista, que naturalmente respeito, conquanto não concorde. Veja bem. A ser como diz, a série de musicadas do verão passado, além de contribuírem para danificar ainda mais a relva e dar uns subsídios encobertos ao conjuntos do costume, serviram para quê? Para promover o turismo? Para promover a cidade e o concelho? Ou para promover a maioria camarária que está?
      Não me parece moralmente aceitável andar, por um lado, a recomendar que toda a cautela é pouca, e por outro lado, a tentar enganar comerciantes e consumidores com campanhas promocionais e iluminações públicas de gosto duvidoso e oportunidade ainda mais questionável.

  5. Não entendo como iluminações promovem consumo, mas enfim…poderá ser limitação minha.
    Mas por certo melhor seria que o dinheiro gasto nessa iniciativa fosse utilizado para pagar dividas da câmara a fornecedores, locais, de preferencia.
    Melhor ainda seria não contratar serviços de empresas sediadas em concelhos e distritos longinquos, para prestar serviços à câmara.
    Isso é que era!
    Mas, contratar a conceção de um centro de interpretação templaria lá longe, nas Beiras, ou a produção e montagem de paineis de promoção da Cidade, em Lisboa, é pena…
    Com um pouco de perseverança, apenas, não conseguiria a senhora camara enconttrar esses serviço no nosso concelho?
    Essa é que seria! (sempre em ajuste direto)

  6. Isto parece a antiga Feira dos Três de Ourém onde se transacionava gado, sobretudo azinino. Aqui uns zurram para um lado, outros zurram para o outro.
    Não se esqueça, senhor administrador do blogue, de eliminar o meu post. Obrigado.

    • Comentário muito peculiar, a falar de uma feira desconhecida, mesmo por quem nasceu e vive em Ourém. Se calhar estará a confundir com Feira do ano, em Santa Cita. A idade não perdoa.
      Como lhe parece, não sei a que propósito, que aqui neste blogue uns zurram para um lado, outros zurram para o outro, deduzo que você zurra para outro lado ainda. Deve ser para o lado da ex-APU e dos polícias militares especialistas em minas e armadilhas, formados em Tancos na então EPE, por volta de 1972.
      A sua tentativa final de simular que não sabe porque lhe cortaram algumas mensagens anteriores, é como dizia o Solnado: bem enjorcada, mas não flutua.
      A advocacia pode conduzir a tudo. Até aos mais incríveis equívocos. Oxalá não seja o seu caso.

  7. Caro António Rebelo, apesar de não nos conhecermos vou acompanhando as suas escritas e encontro nelas um evidente amor a Tomar. Poderei discordar em bastantes pontos , mas noutros é por demais evidente que tem razão. É importante fazer diagnósticos acertados e para isso a opinião de outros ajuda muito. Por vezes mesmos a da sua fã numero 1 que sistematicamente intervém. Amizades de estimação??…
    No entanto feito o diagnóstico que ainda falta fazer é necessário ter pessoas com as competências e meios a todos os níveis para o executar.
    Ora o diagnóstico como podemos constatar não está feito, bastantes munícipes estão satisfeitos com a gestão camarária e com o estado do concelho e outros não. Aparentemente a maioria está satisfeito pois continua a votar na mesma gestão e atendendo ás alternativas assim continuará a ser até ser forçada por lei a ir para outro cargo de altíssima responsabilidade aplicar o seu saber. Para outros entre os quais o incluo e a mim, é confrangedor ver o estado da nossa cidade e em especial do que se adivinha para o seu futuro.
    Nem o clima do Ceará nos ameniza com tanta incompetência , falta de visão e ultimamente a arrogância dos incapazes. Boa semana de praia!!

    • Parece-me imperativo, caro conterrâneo, começar por agradecer este seu balsâmico comentário, tão necessário nos tempos que correm. Concordo consigo, salvo em dois pontos: A fã nº1 e a atitude da maioria dos eleitores.
      Quanto ao primeiro, creio que o assunto está agora resolvido. Pelo menos assim o espero. Não é UMA fã, mas UM elemento da actual maioria alargada, não filiado no PS, e que até já andou pela APU. Fico por aqui, por considerar que é a melhor atitude.
      Sobre a postura dos eleitores tomarenses, tanto a metade que se abstém, como a que vota, correndo o risco de ser, uma vez mais, demasiado agreste, ouso escrever que se trata sobretudo de evidente ignorância.
      O que até nem é exclusivo de Tomar. Ignorantes somos afinal todos nós, embora uns mais do que outros, dependendo da matéria. O grande problema nabantino é que os tomarenses continuam com a mesma mentalidade de antes do 25 de Abril, quando eram pastoreados por gente nomeada em Lisboa e de pau na mão. Insistem em crer que “essas coisas são decididas lá em cima, por quem pode”. No fundo, não admitem a sua ignorância, que vou procurando camuflar com alardes de conhecimentos que não têm. Os candidatos escolhidos são apenas um dos aspectos, conquanto seja o mais importante.
      Se as autárquicas fossem como aqui no Brasil, em que o eleitor vota num candidato e não numa lista, penso que a situação seria bem diferente. Só para ter uma ideia, Fortaleza tem cerca de 2,5 milhões de habitantes. Os eleitores fortalecenses elegeram na primeira volta 43 vereadores (Câmara municipal, aqui equivalente a Assembleia municipal) e o prefeito (equivalente ao nosso president da câmara).
      No próximo domingo, são de novo chamados às urnas electrónicas, para escolher entre os dois candidatos a prefeito mais votados na primeira volta (primeiro turno, como dizem aqui). A escolha é entre o Sarto 19, do PDT, apoiado pelo actual prefeito, e Capitão Wagner 90, apoiado pelo Bolsonaro. O número à frente de cada nome é o que os eleitores têm de digitar na máquina de votar. Não há votos em papel e o voto é obrigatório.
      Enquanto isto, em Tomar, lá para Outubro próximo, vamos continuar a fazer a cruzinha no papel, para escolher um pequeno rebanho, mal conhecendo o pastor, quanto mais agora as ovelhas.
      É a nossa cruz!

  8. Afinal a ERICA não é UMA mas UM ?? Pensei que fosse uma tomarense com propostas para o município um pouco despeitada por não ser reconhecida.

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