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Não seria altura de dar alguma utilização turística ao antigo Hospital Militar de Tomar?

Mosteiro de Arouca vai acolher hotel de quatro estrelas

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Foto de Manuela Oliveira

A Direção-Geral de Finanças e a Direção Regional de Cultura do Norte assinaram um contrato de concessão que permitirá transformar a ala sul do Mosteiro de Arouca numa unidade hoteleira de quatro estrelas, com ‘spa’ e restaurante.

Prevendo uma concessão por 50 anos no âmbito do programa REVIVE, que viabiliza a cedência de património devoluto do Estado para utilização turística, o acordo confia à empresa MS Hotels & Resorts a tarefa de investir 3,5 milhões de euros no ‘ex-líbris’ de Arouca, para aí criar até 2022 uma unidade com 60 a 70 quartos, piscina interior e exterior, e também um ‘court’ de padel.

“É difícil transformar o património num ativo vivo e com potencial económico para a população, mas a verdade é que, graças a uma equipa extraordinária que teve como único foco o de que não há impossíveis, deitámos abaixo preconceitos. Hoje está à vista de todos que o património é de facto um ativo que gera possibilidades novas para a população”, afirmou a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

Estas palavras da “tomarense por afinidade” podiam ouvir-se caso igual decisão fosse tomada não fosse, o que em tempos alguns “Velhos do Restelo de Tomar” se manifestaram, acerca do Hospital Militar e alguns anexos do Convento de Cristo que não são habitualmente visitáveis. Ou continuamos, em Tomar,  a apostar em unidades de poucos quartos que inviabilizam receber grupos?

Realçando o papel das autarquias na mobilização de todos os agentes locais para projetos de interesse comum, sobretudo quando localizados no interior do país, Ana Mendes Godinho apontou Arouca como “exemplo nacional e internacional” de que o turismo tem vantagens sociais e económicas, e “consegue, de facto, mudar o território”.

Pedro Mesquita, diretor do grupo MS Hotel & Resorts, reconheceu que a dinâmica da população local foi um dos aspetos a motivar “algum conforto” na aposta empresarial no Mosteiro.

“Quando comecei a investigar o edifício, achei muito engraçado que já no século XV e XVI os arouquenses defendessem o património que aqui existia e, como acredito que a população quer vê-lo defendido ‘ad aeternum’, estamos neste projeto para fazer o mesmo”, disse.

António Ponte, diretor regional de Cultura do Norte, também assumiu que a reabilitação do Mosteiro de Arouca envolveu “uma das histórias mais difíceis” dos últimos anos de atividade do organismo, por envolver um projeto com duas componentes autónomas, mas complementares.

O responsável referia-se, por um lado, à conversão da ala sul do imóvel para efeitos de alojamento ‘premium’, o que garantirá ao Estado uma renda anual de 42.000 euros, e, por outro, à melhoria das condições de visitação pública do restante edificado, onde na próxima semana arranca uma empreitada de um milhão de euros para o efeito.

Margarida Belém, presidente da Câmara Municipal de Arouca, encara essas duas vertentes de qualificação do Mosteiro como contributos para a afirmação do geoparque local, na medida em que garantirão “mais atratividade” a um território cujo reconhecimento como património geológico da humanidade “já está a ter impacto económico”.

A autarca antecipa, por isso, que as mudanças previstas para o ‘ex-líbris’ da vila garantirão novos públicos a todo o concelho, porque “uma unidade de quatro ou cinco estrelas vai permitir outro perfil de visitantes no território”.

Fundado no século XII pela Ordem de Cister, o Mosteiro de Arouca assumiu relevância na história de Portugal pelo facto de D. Mafalda, filha do rei D. Sancho I e rainha efémera de Castela, aí ter vivido entre 1220 e 1256 – estando na propriedade também sepultada.

De estilo classicista romano, o imóvel foi objeto de grandes intervenções de estilo barroco nos séculos XVII e XVIII, ficou na posse do Estado em 1834 – quando se extinguiram as ordens religiosas portuguesas – e manteve atividade monástica até 1886 – ano da morte da última freira aí residente.

Os bens do Mosteiro reverteram então para a Fazenda Pública, após o que o edifício vem acolhendo diversas funcionalidades, estando classificado como Monumento Nacional desde 1910.

O imóvel é o sétimo a ser concessionado pelo Estado no âmbito do programa REVIVE.

                                                                 António Freitas com Lusa

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Mosteiro de Arouca

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Escrita por António Freitas

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