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Eleições Europeias ou “primárias” das Legislativas?

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Dia 26 de maio temos eleições para o Parlamento Europeu. Sim, é mesmo verdade. Mas não parece. Já alguém ouviu discutir seriamente a Europa neste período eleitoral? Eu não.

O que ouvi foi António Costa dizer “Quero pedir um voto de confiança a este governo, a esta governação nestas eleições para o Parlamento Europeu”. E, pasme-se, um dos outdoors do Partido Socialista com o cabeço de lista Pedro Marques fala em contas certas. Afinal estamos a falar da Europa ou estas eleições são um teste ao governo como o PS pretende?

Mas não é uma atitude exclusiva do Partido Socialista. Nuno Melo do CDS disse “o que eu peço a cada eleitor é que tenha nestas eleições uma moção de censura ao governo”. E Marisa Matias do Bloco de Esquerda admitiu “é inevitável que os eleitores vão avaliar nas urnas a satisfação com esta solução de governo”.

Os partidos políticos estão, de facto, a transformar estas eleições europeias numas “primárias” das legislativas que decorrem em outubro.

Como dizia há poucos dias António Barreto, não é estranho que a Europa tenha ficado de fora dos discursos do 25 de abril? Não é isto uma enorme contradição? Os mesmos partidos que lamentam a abstenção e desinteresse pelas questões europeias são os mesmos que desperdiçam oportunidades para mobilizar e envolver os cidadãos no projeto europeu.

E tanto que há para falar da Europa. Desde logo, a influência determinante que a União Europeia tem na política interna, sendo responsável por legislar 85% das políticas implementadas nos estados membros.

Mas também porque existem temas e desafios incontornáveis no nosso futuro coletivo, como são as consequências do Brexit; as migrações; a moeda única; as alterações climáticas; a união bancária; a tecnologia; a energia; as relações internacionais com nações fora da União Europeia, como é o caso dos Estados Unidos da América, a Rússia e a China; e os extremismos e populismos.

Se a campanha eleitoral estivesse centrada nestes e outros temas relevantes para a Europa, não estaríamos todos nós em melhores condições de decidir, em consciência, os mais bem preparados para nos representar no Parlamento Europeu?

Uma União Europeia forte, democrática e unida na diversidade, é a chave para a prosperidade, liberdade e justiça social dos europeus.

A defesa dos valores de abril também passa por políticas europeias que respeitem e defendam o nosso país e os portugueses.

O Partido Social Democrata já apresentou o seu Manifesto Eleitoral Programático para as eleições europeias. Um documento merecedor da atenção de todos e que detalha aquilo que os portugueses poderão esperar de Paulo Rangel e da sua equipa no Parlamento Europeu.

É nestas iniciativas que nos devemos concentrar e no que cada partido propõe defender no Parlamento Europeu.

Dia 26 de maio vamos votar, mas votamos a pensar na Europa!

                                                                 Tiago Carrão
                                              Vice-Presidente do PSD de Tomar

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