Opinião

Duas câmaras do mesmo partido, duas formas de lidar com a imprensa

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O exercício que propomos é uma comparação entre as câmaras de Tomar e de Alcanena, ambas de maioria PS, quanto à forma como lidam com os jornalistas nesta fase da pandemia. A diferença é abissal e revela a política de transparência de uma e outra autarquia.

Na câmara de Tomar as duas últimas reuniões foram feitas por videoconferência e sem que os jornalistas pudessem acompanhar quando bastava que tivessem na sua posse uma password. O argumento técnico de que o sistema de videoconferência tem limite de participantes cai pela base quando há sistemas fiáveis e seguros como o Jitsi Meet, Zoom ou o Skype que permitem a participação simultânea de muitas pessoas.

Na câmara de Alcanena as reuniões mantêm-se abertas à participação da comunicação social. Basta os jornalistas contactarem o Serviço de Comunicação da autarquia, identificarem-se e têm acesso à reunião por videoconferência.

Na câmara de Tomar, para dar conta do que foi aprovado, a presidente ou o vice-presidente estão disponíveis em videoconferência no final de cada reunião. Para isso concedem uma password a alguns jornalistas (na foto). O problema é que, sem saberem o que foi discutido no período antes da ordem do dia, não adivinham quais os temas que suscitaram debate, apenas o que está na ordem de trabalhos. E claro que o porta-voz da câmara apresenta a sua versão, parcial, do que foi aprovado, sem os jornalistas terem acesso à discussão que os temas possam ter suscitado.

Outro exemplo aqui ao lado, na câmara do Entroncamento qualquer pessoa tem acesso à gravação da reunião camarária no youtube.

Na câmara de Alcanena, além da abertura das reuniões à comunicação social, os jornalistas podem colocar questões após a reunião, por telefone ou por email. Além disso, é disponibilizada a gravação da reunião, o que não acontece em Tomar.

Duas câmaras, ambas do PS, mas cuja política de comunicação e transparência, é reveladora da forma como gerem a coisa pública e como lidam com a comunicação social.

JG

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José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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