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Deixem-se de tretas, enfrentem os problemas, governem

Opinião

Nota prévia

Este trabalho tem dois objectivos, informar e ficar em paz com a minha consciência. É portanto só para memória futura. Não tenho ilusões sobre a sua influência imediata na comunidade tomarense, que será praticamente nula, como habitualmente.

 

Eleitores Inscritos

Quadro comparativo 2013 – 2019

Concelhos por ordem decrescente da % de perda de eleitores

Concelho da faixa costeira – C

Concelho do interior – I

Concelho do interior profundo – IP

 

 2013             2019           DIFERENÇA          %

1-COVILHÃ – IP – PS          49.773          45.057           -4.716                9,47%

2-POMBAL – C – PSD         55.115          50.239           -4-876                8,84%

3-TOMAR – I – PS               37.310          34.326           -2.984                7,99% 

4-ABRANTES – I – PS         35.075          32.372          -2-703                7,70%

5-MOGADOURO – IP – PS 11.222           10.417          -805                   7,17%

6-TAVIRA – C – PS             22.778           21.469          -1.309                5,74%

7-FIG. DA FOZ – C – PS     58-844           55.542          -3-302               5,61%

8-CHAVES – IP – PS           46.095           43.846          -2.249               4,88%

9-ELVAS – IP- PS               20.009           19.082          -927                  4,63%

10-OURÉM – I – PSD          43.331          41.335          -1.996              4,60%

11-GUARDA – IP – PSD      39.965          38.133          -1.832               4,58%

12-T. NOVAS – I – PS          32.548          31.063          -1.485               4,56%

13-BARQUINHA – I – PS      6.479            6.186           -293                  4,52%

14-BEJA – IP – PS              30.268          29.040           -1.228               4,05%

15-ÉVORA – IP – PCP        48.072         47.159           -913                  1,89%

16-ENTRONC. – I – PS       17.263         17.017          -246                   1,42%

17-LEIRIA – C – PS           113.378       113.021          -357                    0,31%

18-AVEIRO – C – PS          70.132         70.841         +709                   +1,O1%

19-FARO -C – PSD            56.065         56.582         +517                   +0,92%

_______________________________________________________________

Quadro elaborado por António Rebelo, a partir dos resultados eleitorais publicados pelo MAI. Novembro de 2019

 

O quadro acima visa destruir a argumentação usual, segundo a qual o concelho de Tomar está a esvair-se, a despovoar-se, a transformar-se num deserto populacional, pelo facto de estar situado no interior do país, e de a população estar a migrar para a faixa costeira.

A primeira parte do quadro, de 1 a 5, mostra que realmente o interior do país está a perder população, de forma acentuada. Em apenas seis anos, a Covilhã perdeu quase 10% dos eleitores, Pombal perdeu, 8,84%, e Tomar vem logo a seguir com menos 7,99%- Seguem-se Abrantes, com menos 7,70% e Mogadouro, com menos 7,17%

Sendo verdade que a maioria destes 5 concelhos fica no interior, o facto de Tomar, que fica no interior próximo de Lisboa, ter perdido mais eleitores que Mogadouro, situado no interior profundo, em Trás os Montes, a 300 quilómetros de Lisboa, devia ser a principal preocupação dos autarcas nabantinos. Infelizmente os factos demonstram que não é.

E lá está o caso de Pombal, situado na faixa costeira, e no distrito de Leiria, cujo eleitorado até aumentou no período em análise, para desmentir a treta da interioridade como causa principal da fuga da população.

Segue-se um grupo de nove concelhos, que perderam menos de 6% do eleitorado entre 2013 e 2019, apesar de se situarem na faixa costeira (Tavira e Figueira da Foz), no interior próximo (Ourém, Torres Novas, Barquinha) e no interior profundo (Chaves, Beja, Guarda e Elvas).

O grupo seguinte engloba os concelhos que perderam menos de 2% do eleitorado no período em análise (2013/2019). São eles Évora, no interior profundo, Entroncamento, no interior próximo, e Leiria, na faixa costeira.

Finalmente, no quarto grupo, Aveiro e Faro, ambos na costa e cujo eleitorado inscrito aumentou muito ligeiramente.

Conclusão: A argumentar que em Tomar a população está a diminuir por causa da interioridade, não passa de mais uma treta. Muito conveniente para intrujar as pessoas, evitar procurar a verdadeira causa do problema e recusar encontrar soluções.

Como bem mostram entre outros os casos da Covilhã e de Pombal, o facto de estar na costa ou no interior terá alguma influência. Haverá porém causas bem mais importantes. A boa ou má governação, por exemplo.

E não há piores cegos que aqueles que não querem ver.

 

Escrita por António Rebelo

Comentários

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  1. Sejamos, porém, realistas. Se em tempos remotos uma autarquia não dependia, exclusivamente, de outras zonas- era quase auto-suficiente, nomeadamente no aspeto económico-, hoje o seu desenvolvimento depende de políticas regionais e nacionais e do interesse dos investidores, e estes costumam ser muito argutos e oportunistas… Porque não investem mais em Tomar? Boa pergunta. Não é certamente só por culpa dos políticos locais. Existem razões históricas, geográficas e económicas que conviria debater. Ou, então, pode até dar-se o caso de que a razão mais importante de todas é a de que os tomarenses gostam de viver assim, tal qual as coisas estão. Dava pano para mangas.

    • “Sejamos, porém, realistas”, escreves tu. Haverá mais realista que a realidade? Haverá mais real que a comparação da realidade através dos dados oficiais, nunca contestados, sobre as variações do eleitorado?
      A mim o que ainda me aflige é óbvia ausência de planos, de ideias, ou sequer de coragem e de bases para os encomendar. Nem que fosse por ajuste directo a uma micro-empresa de Braga, por exemplo…
      “Os tomarenses gostam de viver assim, tal qual as coisas estão”? Tu és tomarense, como eu. Saberás portanto que caso isso fosse verdade, já constaria há muito tempo.

    • Não esquecer a fase Paiva & seguidores em que os investidores na área comercial ou industrial eram corridos. Verdade que a atual maioria segue o mesmo caminho. Donde talvez Tomar esteja como os tomarenses gostam e querem.

      • Na fase Paiva e sucessores as coisas correram bem melhor. Entre 2005 e 2009, Tomar passou de 38.518 eleitores inscritos para 38.724. Um aumento de 206, o que corresponde a +0,53%. Mas entre 2005 e 2013, houve uma redução de 38.518 para 37.310, o que representa menos 3,13%. Mesmo assim bem longe dos actuais 7,99%. Infelizmente.

  2. Apesar de concordar na generalidade com o escrito, considerar um período de 6 anos é muito reduzido para aferir de tendências. Se uma cidade viu desaparecer o tecido económico em 30 ou 40 anos, deixa de atrair população mas ficam os desempregados e os reformados. Até devido ah compra da habitação própria os cidadãos portugueses inativos não têm a mobilidade que existe noutros países. É o caso de Tomar: vai perdendo aos bocadinhos e perdeu num período longo. Sem crescimento ah vista por falta de economia. Quanto ao governar, a pergunta é: para quê? Para fazer novos jardins, parques de lazer e ciclovias? Para atrair mais hotelaria?

    • Concordo consigo. Seis anos é pouco tempo para aferir uma tendência. Devo esclarecer no entanto que apenas pretendi destacar a situação tomarense desde que a actual maioria ocupa o poder. De resto, conforme poderá conferir mais acima, na minha resposta a João Agulha, durante os mandatos PSD, com Paiva e sucessores, as coisas correram bem melhor. Longe do actual descalabro, que me parece evidente.

  3. Ora aí está. Os factos são tão esmagadores que os acólitos da actual maioria autárquica meteram a viola no saco. Nem um pio. Até o notável Pompeu resolveu ir dar música para outros lados. E Outubro de 2021 é já ali adiante.

  4. Sr. Rebelo, o seu artigo de opinião é dispensável. Toda a gente sabe e vê que o actual elenco camarário cumpre exactamente aquilo que o sr. lhes “exige”, com uma pequena nuance :respeitam a missão para que foram eleitos mas na forma reflexiva…

    • Olá Erica, bom dia! Já conseguiu mais dados sobre o Chopin e a sua casa natal na Polónia? Sua dele, bem entendido.
      Este seu comentário seria algo cómico se não fosse trágico e preocupante, ao revelar a sua verdadeira natureza como pessoa. O meu artigo de opinião é dispensável, escreve você. Antes de mais, um esclarecimento que se impõe. O meu artigo só é de opinião numa terra desgraçada onde tudo o que não seja informação oficial ou da lavra de quem manda na “casa”, é alcunhado de “opinião”. Porém, neste caso, se tiver o escrúpulo de interpretar bem, constatará que não está lá opinião nenhuma. Apenas um alinhamento de factos e de conclusões, cuja univocidade pode ser vista por qualquer leitor imparcial.
      Segue-se que qualquer escrito discordante é dispensável, e até mesmo punível, na opinião de “quem tem alma de lacaio ou feitio de ditador”, citando Manuel Alegre.
      Aquela sua frase seguinte “Toda a gente sabe e vê…” mesmo dando para rir, vem confirmar o seu feitio assaz peculiar, porém não raro em Tomar. O seu exagerado egocentrismo leva-a (o) a supor que todos os outros cidadãos têm de ter forçosamente a mesma opinião que você. Mas isso apenas costuma acontecer nos países totalitários, et pour cause…
      Estamos portanto conversados, Erica. Tenha no futuro alguma cautela com o que escreve, e com a maneira como escreve, porque a escrita acaba sempre por ultrapassar as nossas intenções.
      E depois ainda há que ter em conta a inevitável identificação do aparelho através do qual o comentário foi escrito e enviado. Daí até quem escreveu e enviou, é um passo, como bem sabe.
      Seja feliz, se puder.

      • Denoto uma ameaça declarada num dos últimos parágrafos da sua resposta. Devo ficar cheia de medo ou para acalmar devo ouvir umas obras de violino de Chopin?

        • Pois denotou mal. Ameaçada declarada? Da minha parte? Nem pensar! Desde a guerra em Angola que nunca mais andei com uma arma de fogo na mão.
          Limitei-me a tentar alertar para uma eventual e indesejada inconfidência. Atitude de cavalheiro, ao que vejo mal interpretada. Diferença de idades, de estilos, de educação, de estudos.
          Cabe-lhe escolher a música de que mais gosta. Se o Frederico é do seu agrado, porque não?
          Para a outra música, aquela que lhe desagrada, pode contar comigo, sempre com punhos de renda. En gardant la manière, comme il faut.
          Passado, a quanto obrigas…

          • Você não passa dum pedantezito com necessidade de atenção. Um vaidoso com cultura de sofá. Lave a cara todos os dias e trate de ser humilde. Cuidado com as ameaças. O ricochete pode ser complicado.

  5. Minha cara Erica:
    Permita-me que agradeça aquilo que você garatujou como insultos, mas que eu considero elogios e até atestados de bom comportamento. Mostram que tenho estado à altura.
    Apesar da minha “cultura de sofá”, se calhar graças à componente universitária parisiense, sempre consegui distinguir os políticos dos simples porcos, daqueles de que fala Orwell no triunfo dos ditos (não sei se já terá lido). Fará o favor de se situar onde melhor entender, Para mim já está catalogada, mas a educação clássica e chã impede-me de escrever mais a esse respeito.
    Quanto ao resto, devo esclarecer, uma vez que você não é tomarense de nascimento: Até esta data, e já vão vão quase oito décadas, quem me procurou sempre me achou. Pode portanto ter a certeza que, chegada a altura, lá estarei à sua espera. Não para a agredir fisicamente ou ofender. Tão só para a demolir, em termos políticos, cívicos e éticos como cidadã e como candidata. Porque a política local não deve ser para crianças mal educadas.

  6. Muito agradecido, Querida Erica, pelas suas amáveis considerações. É sempre com muito gosto que acolho opiniões tão serenas e densas como esta sua.
    Uma vez que que você é meteca, peço licença para esclarecer que, até esta data, (e já lá vão quase oito décadas), quem me procurou sempre me achou. Pode portanto dar por adquirido que, nos momentos oportunos, lá estarei para demolições políticas daquelas sem remédio.
    Queira aceitar as minhas saudações cordiais, apesar de tudo.

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