Ontem, 17 de agosto, os portugueses acordaram com mais uma subida significativa dos combustíveis.
Já não estamos a falar de previsões para a próxima segunda-feira. Os novos preços entraram ontem em vigor.
O mercado apontava para aumentos próximos dos 10 cêntimos por litro no gasóleo e dos 9 cêntimos na gasolina. O Governo voltou a mexer no ISP para amortecer parcialmente a subida, reduzindo a taxa em cerca de 2,14 cêntimos por litro no gasóleo e 1,42 cêntimos na gasolina, antes de IVA.
Mesmo com esse alívio fiscal, abastecer ficou mais caro. E, como sempre acontece quando chegamos perto – ou ultrapassamos – a barreira psicológica dos dois euros por litro, começam imediatamente a aparecer culpados.
São as petrolíferas. É o Estado. É o petróleo. É a guerra. É a especulação. É o homem da bomba. É tudo e mais alguma coisa.
Mas afinal, quem está realmente a meter a mão no nosso bolso?
Tive de fazer as contas e mais contas. E, como tantas vezes acontece, a resposta é bastante mais incómoda do que escolher um único culpado.
A ERSE fez ontem uma conta importante: 2,102 euros para o gasóleo
Comecemos pelos números mais recentes. Para esta semana de 17 a 23 de agosto, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos – ERSE – fixou o chamado Preço Eficiente em:
- 1,984 €/litro para a gasolina 95 simples;
- 2,102 €/litro para o gasóleo simples.
Convém explicar imediatamente aquilo que este número significa. O Preço Eficiente não é um preço máximo, mínimo ou obrigatório.
É um referencial calculado pela ERSE que agrega as principais componentes necessárias para colocar o combustível à disposição do consumidor: cotação internacional do produto refinado, frete, logística, reservas estratégicas, incorporação de biocombustíveis, componente de retalho e impostos.
Os postos continuam a definir livremente os seus preços. E é precisamente quando desmontamos esses 1,984 e 2,102 euros que a discussão começa a ficar interessante.
Quanto de cada litro são impostos?
Segundo a decomposição publicada pela ERSE, num litro de gasolina 95 simples a 1,984 euros temos aproximadamente:
| Componente | Valor | Peso |
|---|---|---|
| Cotação internacional + frete | 0,734 € | 37,0% |
| Logística e reservas | 0,006 € | 0,3% |
| Biocombustíveis | 0,080 € | 4,0% |
| Retalho | 0,186 € | 9,4% |
| Impostos | 0,978 € | 49,3% |
Ou seja: num litro de gasolina, praticamente um euro é fiscalidade.
No gasóleo simples, com um Preço Eficiente de 2,102 euros, a decomposição é esta:
| Componente | Valor | Peso |
|---|---|---|
| Cotação internacional + frete | 0,979 € | 46,5% |
| Logística e reservas | 0,006 € | 0,3% |
| Biocombustíveis | 0,085 € | 4,0% |
| Retalho | 0,185 € | 8,8% |
| Impostos | 0,848 € | 40,3% |
Portanto, no referencial atual da ERSE, o Estado representa aproximadamente 97,8 cêntimos de cada litro de gasolina e 84,8 cêntimos de cada litro de gasóleo.
É muito. E não desaparece só porque o Governo decidiu agora aliviar mais alguns cêntimos de ISP.
Mas a subida desta semana é inventada pelas gasolineiras?
Não. Podemos criticar muita coisa, mas convém fazê-lo com factos.
A ERSE revela que, na última semana, as cotações internacionais da gasolina 95 refinada aumentaram 11% e as do gasóleo refinado subiram 9,8%.
É uma subida brutal. E ajuda a explicar porque estamos hoje a pagar mais.
Aliás, entre 7 e 13 de agosto, a referência internacional da gasolina passou aproximadamente de 0,691 €/l para 0,747 €/l.
No gasóleo, passou de aproximadamente 0,901 €/l para valores próximos de 0,975 a 0,999 €/l durante a semana.
Portanto, desta vez existe uma subida internacional clara e mensurável. Ignorá-la para dizer simplesmente que “as gasolineiras aumentaram porque lhes apeteceu” seria intelectualmente desonesto.
E aqui cai novamente o argumento do Brent
Há uma frase que aparece sempre nestas alturas:
“Em 2008 o petróleo chegou aos 147 dólares e o gasóleo custava cerca de 1,40 euros. Agora o petróleo está muito mais barato e o gasóleo passa dos dois euros.”
A frase tem números verdadeiros. A conclusão é que está incompleta.
Primeiro, porque o petróleo é negociado em dólares e o câmbio era muito diferente.
Em 2008, quando o Brent atingiu valores próximos dos 147,50 dólares por barril, o euro chegou a valer aproximadamente 1,58 dólares.
Para um comprador europeu, aqueles 147,50 dólares correspondiam a cerca de 93 euros por barril.
Hoje, com um euro bastante mais fraco face ao dólar, a diferença real é muito menor do que os números “147 contra 88” fazem parecer.
Mas há um segundo problema ainda maior.
1,42 euros de 2008 não valem 1,42 euros hoje
Passaram 18 anos. Houve inflação. O dinheiro perdeu poder de compra.
Quando atualizamos aproximadamente os 1,42 euros de 2008 pela inflação acumulada, chegamos a um valor próximo de 1,95 euros em dinheiro de hoje.
Portanto, a comparação economicamente razoável deixa de ser: 1,42 € contra mais de 2 €.
E passa a aproximar-se de: 1,95 € contra pouco mais de 2 €.
A diferença continua a existir. Mas já não tem nada a ver com os cerca de 60 cêntimos que a comparação nominal parece sugerir. Não se podem atribuir às petrolíferas 18 anos de inflação.
E há um terceiro erro: ninguém mete Brent no depósito
O nosso automóvel não anda a Brent. Anda a gasolina ou gasóleo refinados.
E, curiosamente, a própria ERSE faz questão de o explicar no relatório desta semana:
para compreender a evolução dos preços dos combustíveis, a referência mais relevante não é o barril de petróleo bruto, mas as cotações internacionais da gasolina e do gasóleo já refinados.
São precisamente essas cotações que subiram agora 11% e 9,8%. Portanto, quem quiser discutir seriamente se uma subida é ou não justificada tem de olhar para o preço internacional do produto que realmente entra no depósito.
Não apenas para o barril de petróleo que lhe deu origem.
Então absolvemos as petrolíferas?
Claro que não. As petrolíferas não são instituições de solidariedade social. Existem para ganhar dinheiro. As suas margens devem ser fiscalizadas e os preços devem ser comparados.
E os consumidores devem perceber que abastecer na primeira bomba que encontram pode custar bastante dinheiro.
Mas os próprios números da ERSE mostram que a componente de retalho representa atualmente cerca de 18,5 cêntimos por litro no gasóleo e 18,6 cêntimos na gasolina no cálculo do Preço Eficiente.
Não é pouco. Mas também não são os 80 ou 98 cêntimos de fiscalidade. É preciso manter alguma proporção quando apontamos o dedo.
E os preços reais? Vamos olhar para Tomar
Uma coisa é falar de médias nacionais. Outra é olhar para aquilo que um consumidor encontra hoje, 17 de agosto, nas bombas da região.
Segundo os preços comunicados à Direção-Geral de Energia e Geologia durante o dia de hoje, estes encontravam-se entre os postos mais baratos no concelho de Tomar.
Gasóleo simples
| Posto | Preço |
|---|---|
| PA Sabacheira – Vale dos Ovos | 1,955 €/l |
| Intermarché de Tomar | 1,979 €/l |
| Posto Abastecimento Delongo | 2,004 €/l |
| Ponto Rural | 2,037 €/l |
| Galp Sabrosa – Além da Ribeira | 2,060 €/l |
Gasolina simples 95
| Posto | Preço |
|---|---|
| Posto Abastecimento Delongo | 1,908 €/l |
| Intermarché de Tomar | 1,909 €/l |
| PA Sabacheira – Vale dos Ovos | 1,919 €/l |
| Ponto Rural | 1,944 €/l |
| Galp Sabrosa – Além da Ribeira | 1,970 €/l |
Preços consultados no portal da DGEG em 17 de agosto de 2026. Os valores podem ser alterados pelos operadores e alguns postos apresentam atualizações efetuadas em dias anteriores.
E estes números ajudam-nos a perceber outra coisa.
O Preço Eficiente calculado pela ERSE é de 2,102 euros no gasóleo.
Mas em Tomar existe hoje gasóleo simples anunciado a 1,955 euros.
São 14,7 cêntimos por litro abaixo do referencial eficiente.
Na gasolina, temos um Preço Eficiente de 1,984 euros e um posto no concelho a anunciar 1,908 euros.
São 7,6 cêntimos abaixo.
Isto não significa que o posto esteja a vender abaixo do custo. O Preço Eficiente é um referencial nacional construído pela ERSE, não o custo individual de cada operador.
Mas demonstra claramente que há concorrência e que comparar antes de abastecer pode fazer diferença.
Num depósito de 50 litros, 14,7 cêntimos representam 7,35 euros. Não é propriamente dinheiro para deitar fora.
Agora vamos falar do Estado
Porque é aqui que a conversa fica verdadeiramente desconfortável.
O ISP atualmente em vigor desde hoje é de:
- 0,44791 €/l na gasolina sem chumbo;
- 0,28108 €/l no gasóleo rodoviário.
Além disso, existe o adicionamento sobre emissões de CO₂:
- 0,15911 €/l na gasolina;
- 0,17334 €/l no gasóleo.
E depois chega o IVA. Sim, esses 23%. Sobre tudo. Inclusive sobre os impostos anteriores. Sim.
Pagamos IVA sobre ISP. Pagamos imposto sobre imposto. Pode ser legal. Pode ser a forma como o sistema fiscal está construído.
Mas continua a ser extraordinariamente difícil explicar a um cidadão que paga imposto e depois paga IVA sobre o imposto que acabou de pagar.
É justo reconhecer: o Governo voltou a baixar o ISP
Não gosto de análises em que se escolhe previamente um culpado e depois se escondem os números que não ajudam à narrativa.
Por isso também é preciso reconhecer o que aconteceu. Perante a perspetiva desta subida, o Governo reforçou o desconto extraordinário no ISP.
Face à semana passada, a taxa caiu aproximadamente:
- 1,42 cêntimos por litro na gasolina;
- 2,14 cêntimos por litro no gasóleo.
O desconto extraordinário acumulado face às taxas fixadas em dezembro de 2025 chega agora a:
- 4,96 cêntimos por litro na gasolina;
- 8,05 cêntimos por litro no gasóleo;
antes de IVA. Portanto, é falso dizer que o Governo ficou simplesmente sentado a ver o preço subir. Interveio.
Mas reconhecer isso não significa que desapareça a discussão principal.
É justo reconhecer quando o Estado baixa o ISP para amortecer uma subida. Mas amortecer dois cêntimos numa semana não responde à questão de fundo: porque é que um país com salários inferiores aos espanhóis mantém uma fiscalidade sobre os combustíveis substancialmente superior, sobretudo quando uma grande parte do território não dispõe de transportes públicos capazes de substituir o automóvel?
É esta a pergunta que não podemos perder no meio das contas semanais.
Portugal e Espanha: aqui o petróleo deixa de servir de desculpa
A comparação com Espanha é talvez uma das partes mais esclarecedoras desta discussão.
Estamos a falar de dois países vizinhos. Mesmo mercado europeu. Mesmo petróleo internacional. Mesma moeda. Mesma necessidade de importar e transformar energia.
E, no entanto, no segundo trimestre de 2026, o estudo da ERSE revelou uma situação extraordinária.
Antes dos impostos, os combustíveis eram mais caros em Espanha.
A gasolina custava antes de impostos cerca de 5,9 cêntimos por litro mais em Espanha. O gasóleo custava aproximadamente 10,6 cêntimos mais.
Seria lógico que, chegando à bomba, o português pagasse menos. Acontecia precisamente o contrário.
Depois da fiscalidade, o consumidor português acabava a pagar aproximadamente:
- mais 41,8 cêntimos por litro de gasolina;
- mais 25,1 cêntimos por litro de gasóleo.
Como é possível? Pela fiscalidade.
A componente fiscal portuguesa superava naquele período a espanhola em aproximadamente:
- 47,6 cêntimos por litro na gasolina;
- 35,7 cêntimos por litro no gasóleo.
Parte dessa enorme diferença resulta de medidas fiscais extraordinárias aplicadas por Espanha em 2026.
Mas isso não enfraquece o argumento. Reforça-o.
A fiscalidade é uma decisão política.
O petróleo era o mesmo. O combustível antes de impostos chegava até a ser mais barato em Portugal. Depois entrava o Estado. E a vantagem desaparecia.
Mas há uma diferença entre pagar combustível em Lisboa e pagá-lo no interior
E esta é talvez a parte da discussão que mais falta faz. Porque é muito fácil desenhar políticas de mobilidade sentado em Lisboa ou no Porto.
Combustível caro? Use os transportes públicos. Apanhe o metro. Apanhe o comboio. Use o autocarro. Compre um passe mensal e deixe o automóvel em casa. Excelente ideia.
Mas apenas para quem pode fazê-lo.
O Médio Tejo tem transportes públicos. Mas isso não significa que possa dispensar o carro
É importante ser rigoroso. O Médio Tejo tem transporte público. Temos a rede MEIO. Temos passes. Temos serviços urbanos. Temos ligações entre várias localidades. Há investimento público em mobilidade. Negá-lo seria injusto e factualmente errado.
Mas ter uma rede de transportes públicos não é a mesma coisa que ter uma alternativa real ao automóvel.
Quem vive numa aldeia de Tomar, Ferreira do Zêzere, Vila de Rei, Mação, Sardoal, Abrantes, Ourém ou noutro ponto do Médio Tejo não tem necessariamente um transporte de dez em dez minutos.
Não tem metro. Não tem comboios suburbanos a passar constantemente. Não tem necessariamente um autocarro às cinco da manhã. Ou às onze da noite.
E quem trabalha por turnos? E quem entra às sete da manhã? E quem sai à meia-noite? E quem vive numa aldeia e trabalha noutro concelho? E quem trabalha numa zona industrial afastada? E quem precisa primeiro de levar os filhos à escola? Que alternativa é suposto utilizar?
No interior, muitas vezes, o carro não é uma escolha
É uma necessidade. Serve para trabalhar. Serve para levar os filhos à escola. Serve para ir ao médico. Serve para ir à farmácia. Serve para fazer compras. Serve para tratar de assuntos num serviço público. Serve para viver.
É profundamente diferente aumentar o custo da utilização do automóvel a alguém que tem metro, comboio e uma dezena de autocarros à porta, ou fazê-lo a alguém que vive a 20 ou 30 quilómetros do emprego sem uma ligação de transporte público compatível.
No primeiro caso, o preço pode incentivar a pessoa a trocar de transporte. No segundo, acontece apenas isto: paga mais.
Não conduz menos. Não aparece magicamente um autocarro. Não muda de emprego porque o gasóleo subiu. Não muda de casa. Paga. Porque precisa.
É aqui que uma política ambiental se pode transformar numa injustiça territorial
Queremos reduzir as emissões? Claro. Queremos diminuir a dependência dos combustíveis fósseis? Claro. Queremos incentivar transportes coletivos? Claro.
Então façamos uma coisa muito simples: dêem primeiro às pessoas a possibilidade de escolher.
Criem frequências. Criem horários. Criem ligações entre freguesias e concelhos. Criem respostas para quem trabalha por turnos. Criem uma rede que permita verdadeiramente deixar o automóvel em casa.
Depois podemos discutir incentivos e penalizações. Até lá, em boa parte do interior do país, não estamos a tributar uma escolha ambientalmente menos correta. Estamos a tributar uma necessidade.
Espanha torna esta discussão ainda mais difícil de aceitar
Porque Espanha consegue ter preços finais inferiores apesar de, no período analisado pela ERSE, o próprio combustível antes de impostos ser mais caro.
E estamos a comparar-nos com um país que apresenta, em termos gerais, rendimentos superiores aos portugueses.
Por isso, talvez a comparação mais importante nem seja saber quanto custa um litro de combustível. É perguntar:
quantos minutos precisa um português de trabalhar para pagar esse litro e quantos precisa um espanhol?
Quando temos rendimentos inferiores e simultaneamente combustível mais caro depois dos impostos, o esforço do consumidor português é maior dos dois lados.
E quando esse português vive no interior, acrescentamos uma terceira penalização: muitas vezes não pode sequer escolher deixar de comprar o combustível.
Então quem são afinal os culpados?
Depois de todas estas contas, tenho uma má notícia para quem procura uma resposta simples.
Não existe um único culpado.
O mercado internacional tem responsabilidade pela subida desta semana. Os números são claros: +11% na cotação da gasolina refinada e +9,8% no gasóleo.
A refinação, os fretes e a logística fazem com que olhar apenas para o Brent seja insuficiente.
As petrolíferas e distribuidores têm margens e devem continuar sob escrutínio e concorrência. E o consumidor deve comparar preços porque, como os exemplos de Tomar demonstram, as diferenças podem ser significativas.
O Estado é responsável por uma carga fiscal enorme: no Preço Eficiente desta semana são cerca de 98 cêntimos por litro de gasolina e 85 cêntimos no gasóleo.
O Governo deve receber o crédito de ter reforçado o desconto no ISP esta semana.
Mas também deve responder pela questão estrutural: por que razão continuamos com uma fiscalidade tão pesada num país de rendimentos baixos e profundamente desigual na oferta de alternativas de mobilidade?
E a política pública tem responsabilidade quando pretende penalizar a utilização do automóvel sem garantir uma alternativa viável a uma parte enorme do território.
Os preços podem ter uma explicação económica. Isso não torna a política justa.
Esta é, para mim, a principal conclusão. A subida que entrou hoje em vigor não apareceu do nada. Há uma subida real e muito significativa das cotações internacionais da gasolina e do gasóleo refinados. É factual.
O Governo reduziu o ISP para amortecer parte desse aumento. Também é factual. Existem postos a vender abaixo do Preço Eficiente calculado pela ERSE. Também é factual.
Portanto, não vou escrever que os atuais preços são simplesmente resultado de um enorme roubo das petrolíferas, porque os números não permitem fazê-lo.
Mas também não vou aceitar que nos digam que não existe um problema. Quando 49,3% do Preço Eficiente da gasolina são impostos, existe uma decisão política.
Quando o combustível antes de impostos consegue ser mais barato em Portugal do que em Espanha e acaba mais caro depois da fiscalidade, existe uma decisão política.
E quando se cobra essa fiscalidade a alguém que não tem qualquer alternativa razoável ao automóvel, existe uma questão de justiça territorial.
Podemos continuar a discutir o Brent. Podemos discutir guerras. Podemos discutir petrolíferas. Podemos discutir mercados. Mas há uma parte destes 1,984 e 2,102 euros que não é decidida em Riade, Nova Iorque ou nos mercados internacionais.
É decidida em Portugal. E talvez esteja na altura de quem governa perceber uma coisa muito simples:
Portugal não acaba onde termina a linha do Metro.
O interior não pode continuar a pagar impostos destinados a mudar comportamentos quando o Estado ainda não lhe deu meios para poder mudá-los.
Antes de penalizar quem usa o automóvel, dêem-lhe a possibilidade real de o deixar em casa.
Nota: Os valores relativos ao Preço Eficiente, respetiva decomposição, evolução das cotações internacionais e taxas de ISP utilizados neste artigo constam do Relatório Semanal de Supervisão dos Preços de Combustíveis da ERSE para 17 a 23 de agosto de 2026. Os preços dos postos de abastecimento de Tomar foram consultados no portal de preços dos combustíveis da Direção-Geral de Energia e Geologia em 17 de agosto de 2026 e podem sofrer alterações posteriores.
Fontes: Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE); Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG); estudo da ERSE sobre a formação e evolução dos preços dos combustíveis rodoviários em Portugal.


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A CULPA É DO PAIVA