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Carta aberta à empresa hoteleira Vila Galé

Opinião

Convento de Santa Iria. Pintura de Maria de Lourdes de Mello e Castro (1953)

Tomarense amante platónico da minha terra, começo por agradecer a tua ousadia. Nos tempos que correm, sobretudo no vale do Nabão, falar em investir 10 milhões de euros em Tomar, que decerto irão criar algumas dezenas de postos de trabalho, é já em si um acto de extraordinária coragem. O que me obriga, por uma questão de lealdade, a aconselhar-te prudência. A teres medo. Como o duque de Alba, respondendo a D. Sebastião, que lhe perguntara se sabia de que cor era o medo, após o ilustre nobre, um grande de Espanha, ter recusado acompanhá-lo na trágica expedição que terminou em Alcácer Quibir. -Sei bem, senhor. O medo é da mesma cor da prudência. Assim estamos.

Sei bem que és um grande e belo grupo hoteleiro, com hotéis em Portugal e no Brasil. Aquele da Rua Riachuelo, num velho palacete muito bem recuperado do centro do Rio, a dois passos da célebre boite Rio 40 graus, merece mesmo uma visita. E o da Praia do Futuro, em Fortaleza, a 200 metros da famosa barraca do Chico do Caranguejo, é uma maravilha.

Isto para dizer que acredito na honestidade das tuas intenções em relação a Tomar. Tal como também estou seguro da boa vontade de todos os eleitos. Sobretudo da senhora presidente, para quem o sucesso do teu projecto será um trunfo importante -quiçá até decisivo- em Outubro de 2021.

Há porém um MAS. E um MAS muito complexo. Um caldeirão com 100 quartos, estacionamento, cérceas, arco de Santa Iria, regulamentação hoteleira europeia, eventuais planos de pormenor, até agora oportunamente mantidos na penumbra das gavetas ou dos discos rígidos, etc. etc.

Por tudo isto, e o mais que calo para não alongar, nomeadamente o triste caso da Estalagem de Santa Iria, tomo a liberdade de te endereçar um conselho. Sejam quais forem as promessas e venham elas de onde vierem. jamais esqueças o adágio segundo o qual “nunca o invejoso medrou nem quem com ele negociou”. Assina apenas um contrato promessa de compra e venda, do qual conste uma cláusula estipulando que a escritura definitiva será celebrada uma vez concedida e paga a respectiva licença de construção, bem como exarada em acta própria a concessão do alvará de utilização, uma vez terminadas as obras em conformidade com a licença antes obtida.

Nunca fiando. Em qualquer caso, podes crer que, se assim procederes, te ficará muito mais barato.

Caso chegues a ler esta carta e resolvas seguir o que nela se diz, ficas-me a dever apenas um café e uma boa conversa, se um dia os nossos passos se cruzarem.

                                                                                 Leitor identificado

Comentários

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  1. Caro “leitor identificado”,

    Não se preocupe com as dificuldades que o grupo Vila Galé venha a encontrar no decorrer do processo conducente à execução do projecto. Acha que um grupo empresarial desta envergadura faz negócios por impulso? Acha que, para avançarem com a proposta, eles não estudaram ao pormenor a viabilidade da obra, incluindo o enquadramento e demais implicações? Acha que a capela de Santa Iria poderá estar em risco? Em risco está ela agora! Uma vez que se mostra tão viajado, já visitou a estalagem em Montemor-o-Novo, por acaso da responsabilidade doutra organização empresarial do mesmo ramo? Conheceu aquele espaço antes da requalificação para poder avaliar o grau de profissionalismo dessa gente? Garanto-lhe a si que os Vila Galé, para avançarem com este projecto, já estudaram o espaço de intervenção e conhecem-no a palmo, melhor que qualquer de nós, tomarenses. Quanto aos valores em jogo, não seja tão redutor. Em certos casos uma menos-valia financeira pode não significar um prejuízo, como, em minha opinião, se passa neste caso, uma vez que a câmara alija um encargo para o qual não tem resposta. Os edifícios irão ser recuperados, ganharão nova vida, e a cidade de Tomar vê enriquecido o seu património edificado.
    Posto isto, descanse a passarinha como se diz no Brasil, e durma descansados obre o assunto.

    Os meus cumprimentos.

    • Minha respeitável senhora, que pelo supra escrito me parece arquiteta:
      Compreende-se que as primeiras palavras do seu comentário sejam exatamente “Não se preocupe com as dificuldades…” É porque em geral os tomarenses se não preocupam, que as coisas estão como estão, ou são como são, tanto na cidade como no concelho. Situação muito conveniente para determinadas camarilhas.
      Logo a seguir, visando sossegar os ânimos bairristas e anestesiar os promitentes compradores, vem com aquela frase-feita “Acha que um grupo empresarial desta envergadura faz negócios por impulso?” É claro que não acho, minha senhora. Nunca fui achista, pelo que nunca escrevi ou dei a entender semelhante coisa.
      O que aqui repito é isto: Por falta de informação confiável, no estado atual das coisas o Grupo Vila Galé não sabe muito bem onde se está a meter. E caso não adopte em tempo útil algumas precauções, quando finalmente perceber já será demasiado tarde. Sobretudo em termos de tempo e de dinheiro.
      Quanto ao restante por si abordado, parece-me preferível ficar por aqui.

    • Muito curioso este seu comentário, pretensa Erica. E muito mais eloquente do que você terá pensado quando o escreveu. Desde logo por causa daquela sua altaneira recomendação inicial “Não se preocupe com as dificuldades…” E porque não há-de preocupar-se o tal “cidadão identificado”? Porque isso lhe pode vir a estragar a si o eventual arranjinho?
      Com efeito, todo o seu comentário transpira segurança, conhecimento do processo, confiança em relação ao futuro, desprezo por aquilo que interpretou como a “vox populi”. Mas olhe que essa voz do povo é também por vezes, segundo a frase milenar, a voz de Deus.
      Lendo-a com extrema atenção, fica-se com a sensação de que o projecto é impecável, que está tudo estudado e previsto, que a cidade só terá a ganhar, e por aí adiante. É demasiada fruta para ser tudo verdade, minha pretensa senhora. E tende a confirmar o que antes escrevi. Você mostra neste seu escrito que tem interesses vários no projeto Vila Galé Tomar, temendo que possam vir a ser prejudicados por um reles anónimo qualquer, que nem sequer conheço.
      Pois faça o favor de ter paciência e admita que em democracia cada eleitor tem todo o direito de expor a sua opinião, sobretudo quando estão em causa valores partilhados por toda uma comunidade.
      Termino com uma nota de espanto e um sorriso ligeiro. A fechar, escreve a pretensa senhora Erica esta pérola: “DESCANSE A PASSARINHA, como se diz no Brasil, e durma descansado sobre o assunto.” Peço desculpa, mas o meu fraco bestunto faz com que daqui resultem três dúvidas, que passo a expor.
      !ª Dúvida: Porquê uma expressão que você pretende brasileira, se estamos em Portugal? Será você de origem brasileira?
      2ª Dúvida: Tratando-se de um leitor identificado, conforme você própria reconhece ao escrever “descansado”, que é masculino e não feminino, como pode o sujeito “descansar a passarinha”?
      3ª Dúvida: “Durma descansado sobre o assunto”, escreve a pretensa Erica. Que assunto? O projeto Vila Galé? A passarinha? Ambos?
      Permita-me, em conclusão, um conselho tradicional. Na próxima, estimada pretensa Erica, seja mais prudente. Tenha mais cautela. Diz o povo que cadelas apressadas, geralmente parem cães cegos.

      • Cumpre-me desfazer as suas dúvidas. Não tenho interesses no Vila Galé, não sou brasileira, nem sou nenhuma cadela, como infere. Mas sim, o seu bestunto é fraco. Nem sequer se deu ao cuidado de saber o significado da palavra “passarinha” que os brasileiros usam habitualmente neste contexto. Também não vou explicar-lhe, não vá o senhor achar que estou a ser pretenciosa. Quanto ao género do primeiro interveniente não tenho motivo para duvidar de que se trata de uma pessoa do sexo masculino. Doutra forma subscrever-se-ia como “leitora identificada”.
        Sim, o seu bestunto é fraco. Tão fraco que são evidentes os insultos que pretendeu lançar a coberto dum prosa atávica. Se não souber o que fazer mais com eles meta-os num sítio onde o sol nunca brilha.

    • Cara Dª Srª Menina Erica, por aquilo que diz é tudo muito bonito, mas simplesmente se esqueceu de dizer que caso façam parte da FamilyGate (que é o caso) tudo é possível, até para receber em troca indemnizações que Nós contribuintes pagantes temos que pagar (por enquanto sem apelo nem agrado, basta olhar para a banca), pelo simples facto de não ser possível concretizar o negócio..

      • Cumpre-me desfazer as suas dúvidas. Não tenho interesses no Vila Galé, não sou brasileira, nem sou nenhuma cadela, como infere. Mas sim, o seu bestunto é fraco. Nem sequer se deu ao cuidado de saber o significado da palavra “passarinha” que os brasileiros usam habitualmente neste contexto. Também não vou explicar-lhe, não vá o senhor achar que estou a ser pretenciosa. Quanto ao género do primeiro interveniente não tenho motivo para duvidar de que se trata de uma pessoa do sexo masculino. Doutra forma subscrever-se-ia como “leitora identificada”.
        Sim, o seu bestunto é fraco. Tão fraco que são evidentes os insultos que pretendeu lançar a coberto dum prosa atávica. Se não souber o que fazer mais com eles meta-os num sítio onde o sol nunca brilha.

  2. Respeitável Dª Erica:
    Descodificado com a devida atenção o seu escrito, bem como os outros comentários que me precederam, peço vénia para explicitar o que penso sobre tal assunto, de forma tão sucinta quanto possível. Visando evitar reiterações, abro com uma citação que começa na 7ª linha do seu labéu (gostaria mais de poder mencionar parágrafos, para melhor orientação dos leitores, mas desafortunadamente VExa não parece saber o que seja tal coisa):
    “GARANTO-LHE A SI QUE OS VILA GALÉ, PARA AVANÇAREM COM ESTE PROJECTO, JÁ ESTUDARAM O ESPAÇO DE INTERVENÇÃO E CONHECEM-NO A PALMO, MELHOR QUE QUALQUER DE NÓS TOMARENSES.”
    Parece-me demasiado ousado garantir semelhante coisa, depois de ter havido alguma MEDIA (o Expresso por exemplo) a citar comunicação da Vila Galé e falando de “espaço templário”, adjectivação totalmente descabida, a revelar improviso em vez cuidada preparação. De qualquer forma, com ou sem a sua garantia oca, resulta da carta aberta inicial, que provocou o seu comentário, que o problema não reside de forma alguma no estudo do espaço de intervenção.
    Conquanto seja temerário, e até fantasioso e por provar, grafar preto no branco que os da dita empresa conhecem agora aquilo “a palmo, melhor que qualquer de nós tomarenses”, trata-se de qualquer maneira de um tiro seu ao lado do alvo. Dando de barato que assim seja de facto, que estão mesmo muito bem documentados os técnicos contratados pela empresa Vila Galé, a forma como a tramitação tem vindo a ser feita, com difusão a nível nacional antes de concluído o acordo, mostra que ignoram, deliberadamente ou não, o âmago da questão: NÃO CONHECEM NEM INTUEM QUAL SEJA A POLÍTICA USUAL DAQUELE SERVIÇO MUNICIPAL SITUADO AO CIMO DO PRIMEIRO LANÇO DE ESCADA, DO LADO DIREITO DO EDIFÍCIO DOS PAÇOS DO CONCELHO.
    E aí é que reside o problema, por se tratar de uma lacuna que pode vir a revelar-se fatal. Não seria a primeira vez, nem será decerto a última. Parque de Campismo, Açude de Pedra, Flecheiro, Ilha do Lombo…é bem longo o rol das tranquibérnias nabantinas.
    De forma que, estimável Srª Dª Erica, por favor deixe-se de prosápia e de sobranceria. Acolha com serenidade as opiniões alheias, e dê tempo ao tempo.
    Beijos desta sua conterrânea
    Carlota Fagulha

  3. Que palavreado tão caro, lá nisso os comentários são bons. Soluções é que nada… por isso, vão mas é trabalhar e parem de abelhar no negócio dos outros!

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