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Anabela Xi Jinping?

Opinião de António Rebelo

O recente e inesperado abate de dois choupos saudáveis na rotunda da Ponte nova é mais um episódio da governação autoritária da nossa autarca em chefe. Antes já fora condenada duas vezes em tribunal por falta de respostas atempadas a um munícipe. É também do domínio público que se recusa sistematicamente a responder aos pedidos do administrador deste blogue, feitos ao abrigo da lei do direito à informação, e portanto de resposta obrigatória, caso Tomar fosse uma democracia a sério.

Em resumo, seja qual for o tema ou a situação, a atitude da nossa presidente é sempre a mesma: num tom crispado a tender para o agreste, ou não responde às usuais questões elementares -porquê? quando? quem? como? onde? para quê?- ou se o faz, arranja argumentação que depois se comprova nem sempre corresponder à verdade, quando pura e simplesmente não falha nas suas promessas. Como foi o caso das análises da água do Nabão. Prometidos por ela os resultados finais para Abril de 2018, nove meses depois continuamos todos a aguardar. E sem quaisquer esclarecimentos posteriores, completos e convincentes. Atirar a responsabilidade para a APA, assim sem mais explicações, é do domínio da infantilidade política.

Neste caso do abate das árvores saudáveis, executado por uma empresa privada contratada por ajuste directo pela autarquia, sem  explicação ou informação prévia, quando aqui no Tomar na rede um comentador anónimo se mostrou incomodado, logo um outro anónimo se apressou a pôr os pontos nos is, defendendo caninamente a actual maioria:

Anónimo11 de janeiro de 2019 às 10:28

“Era o que mais faltava, sempre que vão á cada de banho emitirem um comunicado. Goste-se ou não foram eleitos para governar, no fim do mandato, não votem neste executivo, ponto.”

Nota-se, pela hora matinal e pelo estilo, que quem assim escreveu ainda estava com os beiços sujos da gamela municipal, mas pronto. Além de confirmar o estilo trauliteiro de alguns nabantinos saudosos, é a prova de que há no concelho eleitores que gostam e apoiam o modelo autoritário, tipo “quero, posso e mando, execute-se” da senhora presidente. São por isso pró-chineses que se ignoram, apoiantes de Anabela Xi Jinping.

Há todavia, em termos políticos, uma diferença abissal e preocupante entre a eleita tomarense e o líder chinês, para além do oceânico fosso populacional. O dirigente de Pequim tem mostrado por esse mundo fora, incluindo entre nós, que, tal como disse uma vez Salazar, logo no início do seu longo e sinistro consulado, “Sei muito bem o que quero e para onde vou”.

Gostaria de estar seguro de que Anabela Xi Jinping, apesar de inscrita no PS, também sabe muito bem, (como Salazar, outro autoritário), o que quer e para onde vai. Infelizmente não estou. Acredito que a nossa presidente saiba muito bem o que quer -a sua reeleição em 2021. Mas quanto a saber para onde vai, para onde está a levar-nos como cidade e concelho, não quero antecipar-me. A resposta cabe aos leitores atentos e capazes de raciocínios mais complexos.

Acham que a senhora sabe mesmo que caminho está (estamos) a trilhar? Se afirmativo, façam-me um enorme favor. Sosseguem-me. Expliquem-me qual é essa rota, escolhida no actual mar encapelado da economia do interior, e quais são os objectivos a alcançar, se possível calendarizados.

                  António Rebelo

Escrita por António Rebelo

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