A febre municipal dos “Drs”.
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Já tínhamos, entre outros, os casos recentes de Dona Ângela Tamagnini e do mestre da Ordem de Cristo D. Lopo Dias de Sousa, ambos promovidos (ou será despromovidos?) a doutores na toponímia local e em documentos da câmara de Tomar.
Esta semana surgiu mais um “doutoramento municipal” na ordem de trabalhos da reunião de câmara do dia 13.
O arquiteto italiano Diogo de Torralva, autor do Claustro Principal, ou de D. João IIl, no Convento de Cristo, passa também a “Dr.”, quase 500 anos após a sua morte. (Ver Ordem de Trabalhos da reunião de 13/05/2019 da Câmara Municipal de Tomar, página 7, tema nº 15, penúltima linha.).
Não espanta que tal aconteça numa câmara em que a própria presidente é tratada por “Drª” apesar de não ser licenciada.
Aliás, a câmara de Tomar, uma das menos transparentes do país, é das poucas que não publica o currículo dos seus autarcas no site oficial.
JG
Se não erro, a coisa é ainda mais piadética. O doador do terreno é engenheiro, mas teve bom senso e foi modesto. Indicou apenas o seu nome. Por isso a autarquia não assinalou o respetivo título académico. Temos assim que a burocracia municipal atribui graus académicos a quem os nunca teve, mas tira-os a quem os tem de fato.
Sinal dos tempos, sem dúvida.