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Bob, o professor de inglês que marcou gerações

Muitos devem-se lembrar do professor Bob que fundou o Instituto de Línguas de Tomar no início dos anos 80. Funcionava num 1º andar da rua Joaquim Jacinto e rua Infantaria 15 e foi uma escola que marcou gerações.

Além de gerir e trabalhar no Instituto de Línguas de Tomar durante vários anos, ajudou a abrir os Institutos de Abrantes, Torres Novas e Ourém.

O prof. Bob (Robert Carter) morreu no dia 22 de dezembro, com 80 anos, anunciou a sua filha Helen Maria Carter no grupo de antigos alunos do Instituto.

Os muitos alunos que com ele se cruzaram guardam na memória a sua simpatia e boa disposição, um professor sereno, afável e muito competente que recordam com saudade.

Não vai haver funeral porque Bob deixou expresso o seu desejo de doar o corpo à ciência, para estudo.

Pedimos a Helen um pequeno texto sobre o seu pai, que a seguir publicamos:

 

“O meu pai, Robert George Carter, nasceu em West Hagley, Worcestershire, no dia 3 de Junho, 1941.

Formou-se em enfermagem e conheceu a minha mãe, portuguesa, em 1967. Casaram um ano depois e, em 1972, já com duas filhas, vieram à procura de uma vida mais calma em Portugal.

Nos primeiros anos, o meu pai trabalhou em Alcoitão e depois no Hospital de Santarém. Em Santarém foi convidado pelo Instituto de Línguas para dar aulas de inglês como língua estrangeira. Quando pensaram em abrir o Instituto em Tomar, pediram aos meus pais para serem responsáveis pelo Instituto em Tomar – a minha mãe como administrativa e o meu pai como professor.

Além de trabalhar no Instituto de Línguas de Tomar cerca de dez anos, ajudou na abertura dos Institutos de Abrantes, Torres Novas e Ourém.

Ainda hoje me cruzo com antigos alunos que se referem a ele com carinho, alguns que, inclusive, seguiram a área das línguas (que tenha sido por influência dele ou não, não sei. Quero crer que sim.)

Em Tomar fez amizades para a vida, desde os colegas professores, a alunos, Tomarenses, e até mesmo os estrangeiros que visitavam a terra no verão.

Por ser estrangeiro – louro, alto, olhos azuis – na altura era uma espécie rara, o Bob!

Gostava de ler, dançar (era um excelente bailarino 😉), da sua bica a seguir à refeição, do sol e do modo de vida português. Tanto que nunca mais quis voltar à sua terra natal. Também gostava de cozinhar e era mestre a fazer roast beef com Yorkshire pudding e o pastry para tartes. Sabia fazer malha. Fez uma camisola com trabalhados e torcidos para a minha mãe no início de vida de casados. Quando teve uma aluna invisual, aprendeu braille 😊.

Em 1985 (mais coisa, menos coisa) decidiu lançar-se por conta própria em Pombal onde abriu uma pequena escola e onde sei que também foi muito acarinhado. Escola essa (Pombalíngua) que continua a formar crianças, jovens e adultos.

Quando se reformou, foi viver para Benavente – terra da minha mãe.

Começámos a notar o seu desinteresse pela leitura, o esquecimento… Alzheimer, pois claro. Doença que custou ainda mais sabendo que tanto que tinha ensinado, estava a dissipar-se. O seu humor inglês e o twinkle in his eye talvez tenham sido das últimas coisas a desvanecer.

Deu o seu último suspiro ontem, dia 22 de Janeiro, 2022.

 

Há anos que os meu pais tinham determinado que quando morressem queriam que os seus corpos fossem doados ao Instituto de Medicina Legal para estudo. Assim, e como não sentimos necessidade de uma cerimónia religiosa (ele era anglicano), fizemos nós (filhos, netos e minha mãe) a nossa “cerimónia” particular que sabemos que ele teria gostado de partilhar: abrimos umas garrafinhas e fomos fazendo videochamada a familiares e amigos para fazer um brinde à distância, rimos, tocámos as músicas que o punham a dançar…”

bob

2 comentários

  1. Bom Dia,
    Um beijinho à mãe e para todos vós, ela deve recordar-se de mim, são momentos para os quais n~~ao estamos preparados, mas o de devemos manter vivas as boas recordações do Bob, beijinhos.

  2. Também foi meu Professor e lembro-me muito bem do seu estilo e forma de estar.
    Recordo com muito saudade aquele Instituto de Linguas na Rua de Infantaria 15. Era uma Família!
    Um exemplo que todos devemos transmitir.

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