O número de agências imobiliárias a operar em Tomar tem vindo a crescer, acompanhando a procura por imóveis e a valorização do mercado local. Mas, num concelho de dimensão relativamente reduzida, a multiplicação de intermediários levanta uma questão inevitável: existe negócio suficiente para todos?
Lista de agências imobiliárias de Tomar:
RE/MAX – Rumo III – Av. Cândido Madureira
Remax Team Templários – Rua de Coimbra
Century 21 – A Casa Feliz – Av. Cândido Madureira
Century 21 Omnia – Rua João dos Santos Simões
RB Imóveis – Av. Cândido Madureira
Villarius – Av. Cândido Madureira
To Live – Av. Combatentes da Grande Guerra
Portugalissimmo – Av. Cândido Madureira
Easy Gest – Av. Torres Pinheiro
BritesHouses – Rua Infantaria 15
Chavetejo – Av. Cândido Madureira
Casa Arrumada – Rua Voluntários da República
Casas Angulares – Alameda Um de Março
Hellocasa – Rua Marquês de Pombal
2uhouses – Rua Amorim Rosa
ERA Tomar / Ferreira do Zêzere – Rua de Coimbra
Tym Prestyge – Alameda Um de março
Decisões e Soluções – Av. Ângela Tamagnini
Imotrust – Av. Marquês de Tomar
(Caso note que falta alguma imobiliária, agradecemos que nos informe para completarmos a informação)
Tomar está a assistir a uma crescente presença de empresas dedicadas à mediação imobiliária. Entre agências independentes, marcas conhecidas a nível nacional e novos operadores que procuram conquistar uma fatia do mercado, são já mais de 20 as imobiliárias com atividade no concelho.
O fenómeno acompanha uma realidade que se tornou evidente nos últimos anos: comprar casa em Tomar não é necessariamente uma tarefa simples. A oferta disponível é limitada em alguns segmentos, os preços subiram e existe procura por parte de residentes, famílias que procuram mudar-se para o concelho e compradores vindos de outras regiões ou do estrangeiro.
Mas se há procura por imóveis, haverá também mercado suficiente para sustentar uma quantidade tão elevada de intermediários?
Um mercado apetecível
A resposta não é simples. O crescimento do número de imobiliárias pode ser, em primeiro lugar, um sinal de que o setor é considerado economicamente interessante.
Uma agência imobiliária não surge apenas porque existem casas para vender. É necessário que exista um volume de transações que permita remunerar profissionais, suportar estruturas, investir em publicidade e captar novos clientes. O aparecimento de novos operadores e a expansão de redes imobiliárias sugerem, portanto, que há empresas a identificar oportunidades no mercado tomarense.
Por outro lado, o número de agências não significa necessariamente que existam mais imóveis disponíveis para venda ou arrendamento. É possível que várias empresas estejam a disputar um conjunto relativamente limitado de propriedades.
E é aqui que surge a questão da concorrência.
Mais imobiliárias, mais concorrência
Num mercado com muitos intermediários, a concorrência tende a aumentar. Para captar vendedores, as agências precisam de apresentar argumentos diferenciadores: maior divulgação dos imóveis, bases de dados de compradores, conhecimento do mercado local, capacidade de negociação ou serviços complementares.
Para o proprietário, esta concorrência pode ser positiva. Ter várias empresas interessadas em angariar um imóvel pode permitir comparar serviços, condições e estratégias de comercialização.
Também pode obrigar as imobiliárias a profissionalizarem-se e a melhorarem o acompanhamento prestado ao cliente.
Mas a concorrência pode ter outro efeito: aumentar a pressão sobre a angariação de imóveis.
Num mercado onde não aparecem casas novas ao mesmo ritmo que surgem empresas para as comercializar, cada imóvel torna-se particularmente valioso. A disputa pela angariação pode tornar-se intensa e, em determinadas circunstâncias, gerar conflitos entre profissionais, clientes e diferentes empresas.
O risco de um mercado demasiado fragmentado
Mais intermediários não significam necessariamente melhor mercado.
Quando várias empresas disputam os mesmos imóveis, pode surgir uma situação em que diferentes agências anunciam a mesma propriedade, por vezes com apresentações, preços ou informações diferentes. Para quem procura casa, a multiplicação de anúncios pode transmitir a ideia de que existe uma oferta maior do que aquela que efetivamente existe.
Há ainda uma consequência menos visível: a fragmentação da oferta.
Um potencial comprador pode contactar várias agências e acabar por visitar os mesmos imóveis através de diferentes intermediários. Para o consumidor, isso pode representar perda de tempo e alguma dificuldade em perceber quem está efetivamente a representar o proprietário e quais são as condições da operação.
Não significa que estes problemas sejam generalizados em Tomar, mas são riscos que acompanham qualquer mercado imobiliário com forte presença de intermediários.
E quem procura casa?
A questão ganha outra dimensão quando se olha para o lado de quem compra ou arrenda.
O aumento do número de imobiliárias não resolve, por si só, a escassez de habitação. Se existem poucas casas disponíveis para o número de interessados, mais empresas a intermediar negócios não criam novas habitações.
Podem, isso sim, tornar o mercado mais eficiente na ligação entre quem vende e quem procura. Mas não alteram a equação fundamental entre oferta e procura.
Para muitas famílias, o problema continua a ser o preço e a dificuldade em encontrar uma habitação adequada às suas possibilidades.
É precisamente neste ponto que importa distinguir duas realidades: um mercado imobiliário dinâmico pode ser uma oportunidade para as empresas de mediação, mas não significa necessariamente que seja um mercado acessível para quem precisa de comprar ou arrendar casa.
O que explica o boom?
Há várias razões possíveis para a expansão do setor em Tomar.
A atratividade da cidade e do concelho, a procura turística, a chegada de novos residentes, a procura por parte de compradores de outras zonas do país e do estrangeiro e a valorização do património imobiliário podem contribuir para tornar o mercado interessante.
A existência de imóveis antigos, terrenos e propriedades com potencial de reabilitação também abre oportunidades para diferentes segmentos do negócio.
A entrada de marcas e redes com maior capacidade de investimento em marketing contribui, por sua vez, para tornar o setor mais visível e competitivo.
Mas o crescimento pode igualmente alimentar-se a si próprio: quanto mais imobiliárias existem, maior é a presença do setor no espaço público e digital e maior a perceção de que o imobiliário constitui uma atividade com potencial económico.
Há mercado para todos?
É a pergunta que fica.
Ter mais de 20 imobiliárias num concelho como Tomar não permite, por si só, concluir que existe um excesso de empresas. O número deve ser analisado em função do volume real de transações, do número de imóveis colocados no mercado, da dimensão das equipas e da quota de mercado de cada operador.
Uma coisa, porém, parece evidente: a concorrência está a aumentar.
E, num mercado com oferta habitacional limitada, a disputa entre empresas pode ser tão intensa quanto a disputa dos compradores pelos imóveis disponíveis.
Para sobreviver, cada agência terá de demonstrar que acrescenta valor. Para os proprietários, isso significa mais escolha. Para os compradores, poderá significar maior diversidade de serviços, mas não necessariamente mais casas ou preços mais baixos.
No final, o verdadeiro teste será feito pelo próprio mercado.
Se houver transações suficientes, novos clientes e capacidade de crescimento, o número elevado de operadores poderá ser simplesmente o reflexo de um mercado saudável e competitivo. Se, pelo contrário, a oferta de imóveis e o número de negócios não acompanharem o crescimento das empresas, será inevitável assistir a uma seleção natural do setor: algumas agências crescerão, outras reduzirão a atividade e outras poderão desaparecer.
Mais do que perguntar se Tomar tem imobiliárias a mais, talvez seja necessário perguntar se tem imóveis e transações suficientes para sustentar todas elas. A resposta estará menos nas placas colocadas à porta das agências e mais nos números efetivos do mercado.

