Tancos poderá passar a desempenhar um papel diferente no mapa da aviação portuguesa. A Lufthansa prevê investir 500 milhões de euros num conjunto de projetos em Portugal, incluindo uma escola de pilotos nesta localidade do distrito de Santarém, cuja concretização exige a adaptação da pista a operações civis.
O anúncio foi feito pelo Governo esta quarta-feira, 14 de outubro, no âmbito da escolha do grupo alemão para entrar no capital da TAP. De acordo com as informações divulgadas pelo Executivo, a nova escola deverá começar a funcionar em 2029 ou 2030.
O projeto prevê que a pista de Tancos possa servir dois tipos de operação: a militar, que já caracteriza a infraestrutura, e a civil, associada à atividade aeronáutica que a Lufthansa pretende desenvolver.
Para concretizar esta mudança, será necessário investir na adaptação das instalações e assegurar que as operações civis são compatíveis com as exigências de segurança e funcionamento militar.
O Estado português deverá contribuir com 50 milhões de euros para a intervenção na pista, correspondentes a 10% do investimento anunciado. Os restantes detalhes financeiros e técnicos da obra não foram integralmente apresentados na informação pública disponível.
A escola de pilotos constitui uma das componentes mais relevantes do plano. A sua instalação em Tancos poderá reforçar a capacidade de formação aeronáutica em Portugal e criar novas oportunidades profissionais ligadas à aviação.
O alcance destas oportunidades dependerá, contudo, da dimensão da escola, do número de alunos que venha a receber e dos postos de trabalho efetivamente criados.
Até serem conhecidos esses elementos, não é possível quantificar com rigor o impacto económico direto do projeto na região.
A iniciativa em Tancos integra uma estratégia mais ampla da Lufthansa para Portugal.
O plano anunciado contempla também um centro de inovação em Aveiro e um centro de serviços corporativos, além da atividade de manutenção aeronáutica desenvolvida pela Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira.
A escolha da Lufthansa para a futura participação na TAP dá enquadramento a estes investimentos, mas a operação de privatização ainda terá de cumprir as etapas formais e regulatórias aplicáveis.
Para o Médio Tejo, o projeto coloca Tancos perante a possibilidade de diversificar a utilização de uma infraestrutura existente e atrair atividade ligada à formação e aos serviços aeronáuticos. A concretização dessa oportunidade ficará dependente do avanço das obras, do calendário anunciado e da definição do modelo de operação civil e militar.


