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O futuro problemático do Turismo Nabantino

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Quase no fim do seu segundo mandato, Anabela Freitas lá  resolveu anunciar, como já aqui foi noticiado, que vai haver planos de desenvolvimento do turismo local, saídos de um “laboratório de turismo IPT-CMT”. Só não disse quando.

Pouco dias mais tarde, António Costa, pressionado por industriais do sector, por não constar no PRR-BAZUCA qualquer verba para a área do turismo, avançou que a seu tempo vai haver planos nacionais de incentivo, entre eles um para o turismo. Só não disse quando. Tal mestre, tal aluna.

Se em vez de anunciar uma futura e eventual elaboração de planos locais de desenvolvimento turístico, em colaboração com o “Laboratório de turismo” do IPT, a Câmara tivesse anunciado a aquisição de um plano local de turismo, já pronto e com assessoria, conforme lhe foi proposto, outro e melhor seria agora o posicionamento de Tomar. Estaria em condições de avançar com projectos logo que aparecer o prometido plano nacional de incentivos para o turismo.

Assim, dado que, na hipótese mais favorável, se chegar a haver mesmo algum plano local de turismo, será só lá para meados do próximo mandato, caso o PS ganhe entretanto as eleições, é muito provável que venha a ocorrer uma situação comparável à do futuro aeroporto lisboeta. Quando há verbas disponíveis, não há planos aprovados. Quando há planos aprovados, não há verbas disponíveis.

No caso do aeroporto da capital, andamos nisto há 50 anos. No caso tomarense, pelo menos desde o 25 de Abril. A diferença é mínima. Entretanto, das centenas de milhares de visitantes anuais do Convento de Cristo, menos de 15% descem à cidade, com os inerentes prejuízos para todos (refeições, dormidas, bebidas, souvenirs, outras compras).

Deixou de haver parque de campismo, só estacionamento para autocaravanas. No centro histórico o estacionamento é cada vez menos. Sanitários públicos já houve. Sinalética para turismo pedestre não há. Na época alta, os veículos ilegalmente estacionados nas proximidades do Convento, em terrenos privados, ou nas bermas da estrada, já costumam ultrapassar o cruzamento do Casal de Santo António, na estrada municipal da Venda da Gaita para a  de Paialvo.

Uma daquelas recordações inesquecíveis para quem nos visita. O tempo perdido à procura de um lugar para estacionar, e depois de uns sanitários. Ou, na falta deles, de uma árvore amiga para se poder aliviar.

Mas também é verdade que o simples problema da Estalagem de Santa Iria, que até começou com coragem, ao decidir-se finalmente o despejo da ocupante inadimplente. está por resolver há mais de dois anos. E o do Convento de Santa Iria/CNA feminino há mais de vinte. Perspectivas caóticas portanto, nesta como noutras áreas.

Pobre terra! Não temos mesmo sorte nenhuma!

                                                          António Rebelo

 

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9 comentários

  1. Bom dia. Há coisas com as tais estou em acordo, como a falta de sanitários e devidamente higiénizados. E é uma falha grave. Mas quanto á falta de eficácia da Câmara na gestão do Turismo não estou nada de acordo, não tenho dados para debater isto consigo mas a minha percepção é que se estava a trabalhar bastante bem nesse dominío. E a presidente tem, ou pelo menos tinha, pessoas próximas que entendem do assunto, como a Sónia País empresária e catedrática em Turismo, com todo o respeito não concordo consigo. Cumprimentos

    1. Bom dia, prezado Helder Silva. É sempre um prazer ler a sua sábia prosa, geralmente bem escrita, o que facilita o respectivo entendimento.
      Ainda bem que não concorda comigo. A discordância fortifica a democracia e facilita o avanço do conhecimento.
      No caso em apreço, a sua percepção de que a câmara “estava a trabalhar bastante bem nesse domínio”, parece basear-se na actuação da vereadora da esquerda sempre em festa, bem como nas pessoas próximas da presidente “que entendem do assunto”. É o seu direito, que não contesto, mas peço licença para perguntar:
      1 – Parece-lhe aceitável que pelo menos 85% dos visitantes do Convento se vão embora sem visitar a cidade? Porque será que assim acontece?
      2 – Na sua opinião, a ausência de sinalética turística não prejudica os turistas que nos visitam, e que apesar de tudo arriscam descer à cidade?
      3 – Considera normal que no verão muitos turistas tenham de estacionar ilegalmente os seus carros, por vezes a mais de um quilómetro da entrada do Convento?
      4 – Acha decente e proveitoso que a câmara não tenha um plano para o desenvolvimento do turismo local, adequado aos novos tempos que aí vêm?
      5 – Se o caro Helder Silva fosse turista em Tomar, gostaria de dar voltas e mais voltas na urbe, à procura de estacionamento para o carro, quando o P1 está cheio?
      6 – Será natural que não haja um parque de campismo urbano e em condições?
      7 – Uma arena devidamente equipada não seria um bom equipamento para o desenvolvimento do turismo de congressos?
      Em conclusão provisória, admito poder estar enganado, mas fico com a ideia de que o estimado Helder Silva aborda estas questões em termos pessoais. De simpatia ou aversão. Resolvo por isso tomar a dianteira: Não tenho nenhum problema pessoal com nenhum dos eleitos do actual executivo, ou com qualquer outro conterrâneo. As minhas críticas e divergências são sempre e exclusivamente políticas. Nada de escusadas querelas pessoais, que só podem prejudicar uns e outros.

    2. A própria fotografia que ilustra a crónica é bem elucidativa. Um autocarro de turistas estacionado no local reservado a ambulâncias, certamente porque o motorista não encontrou sinalização que lhe permitisse outra opção. É assim que estamos em matéria de turismo. Impera o desenrasca e o resto que se lixe. Venham os votos que permitam mais um mandato. Tudo o mais é música.

  2. Bom dia,

    Em minha opinião seria bem mais acertivo em vez de ter só um Laboratório do Turismo, CMT criar um conselho consultivo de turismo que envolvesse todos os agentes públicos e privados (seus representantes) da área de Turismo em Tomar. Afinal de contas se a ideia é ouvir quem é catedrático e profissional na área de turismo, certamente que este conselho consultivo daria bons resultados. A criação deste conselho não inviabiliza em nada o Laboratório de Turismo, aliás podiam trabalhar em conjunto. Preparar um plano a medio e longo prazo em vez de medidas avulso seria importante. Este conselho consultivo não teria custos. Ás vezes basta olhar para o lado e ver o que os outros estão a fazer de bem. Por aqui o conselho consultivo foi criado em 2017 e começa a dar os seus primeiros resultados. Tanto a Universidade Católica como a Universidade do Minho estão representadas. Cumprimentos.

    1. É uma excelente ideia, caro Jorge Manuel. Ou uma boa semente, usando terminologia agrícola. O problema é que o terreno não é nada propício para esse tipo de cultura. Nos anos 30 do século passado tivemos das primeiras Comissões de Iniciativa e Turismo do país. Resta-nos o magnífico edifício-sede, ali ao cimo da Rua da Graça.
      Vieram mais tarde, em tempos de salazarismo, as Comissões Municipais de Turismo, que duraram para além do 25 de Abril, mas desapareceram nos anos 90, aqui em Tomar sem qualquer justificação publicada.
      Em Tomar tivemos até, após dura luta em Santarém, a Comissão Regional de Turismo dos Templários, Floresta Central e Albufeiras. Foi trabalho inglório. Durou poucas décadas e desapareceu sem deixar saudades. A Câmara de Tomar nem sequer reivindicou o edifício-sede, apesar do mesmo ter sido pago pelos municípios que a compunham, e Tomar ter liquidado a maior parte.
      Nos tempos que correm, nem comissão de iniciativa, nem comissão municipal, nem comissão regional. É o vazio total, propício a todas as aventuras. Ou desventuras. A sua sugestão é portanto muito oportuna, caro Jorge Manuel, convindo no entanto ter presente a sentença do político francês Clemenceau (1841/1929): “Se querem resolver o problema, resolvam. Caso contrário, o melhor é nomear uma comissão.” Terrível este Clemenceau, que também escreveu isto: “Os funcionários públicos são os melhores maridos. Quando à noite regressam ao lar, não estão cansados e já leram os jornais.”
      Naquele tempo ainda não havia a net…

  3. António Rebelo e Helder Silva têm aqui mais uma vez posições diferentes, sem contudo se esgadanharem, o que é muito positivo. Helder Silva posiciona-se como da “boa sociedade tomarense” e acredita naquilo que lhe dizem “fontes próximas da maioria PS”. António Rebelo pelo contrário mostra-se igual a si próprio. Escreve como profissional de turismo que já foi, como especialista académico na matéria e como contestatário político, que só acredita naquilo que vê.
    Não podem portanto estar os dois de acordo e parece-me que ambos têm razão, sendo que António Rebelo tem o apoio dos factos, enquanto Helder Silva parece gostar de acreditar em histórias da carochinha, sem se dar ao trabalho de verificar se encaixam na realidade.

    1. Eu comento aqui, especialmente a economia, por paixão a Tomar, não tenho qualquer ambição política. Se eu me candidatasse perdia de certeza, ninguém votava em mim. Eu nem sou residente, sou emigrante há 18 anos. Gostava de voltar um dia e ir aí acabar os meus dias. Eu sou amigo de infância do filho do dono do Bomjardim e Residencial Sinagoga e quando vou aí estou muitas vezes com ele e conversamos sobre estes assuntos. Ainda há cerca de dois meses lhe liguei e perguntei como íam as coisas, ele disse que está tudo parado, e depois perguntei se antes da pandemia estava bom, e ele disse que sim, estava bom!!!! E é a percepção que eu tive, eu via imensos turistas por Tomar. Há pouco mencionei a Sónia Pais, ela abriu o Hostel na corredoura e há cerca de três anos concorreu á exploração da estalagem de Santa Iria, onde além da renda se predispôs a um investimento de salvo erro 1 milhão de euros. Ela perdeu, ficou com uma grande cachola e veio lamentar-se no Facebook que o processo não teria sido justo. Será ela louca???!!!! Eu penso que não. E como a Sónia há outros exemplos, nos últimos anos foram feitos muitos investimentos em unidades hoteleiras de qualidade em Tomar. Eu apesar de não ter formação em Turismo nem em economia, não sou totalmente acéfalo, penso, analiso, e dou a minha opinião que é contrária á do António Rebelo.

    1. Duas partes neste seu curto mas percutante comentário, caro João Agulha. 1 – A indústria dos pobres, 2 – A falta de atenção do poder local.
      1 – O turismo pode ser considerado a “indústria dos pobres” porque é nos países pobres que mais se tem desenvolvido, apesar de os pobres não fazerem turismo. Quando viajam é porque a isso são obrigados (trabalhar longe de casa, ir ao médico, emigrar…). Mas essa designação de “indústria dos pobres” mostra-se inadequada ao estudarmos os países onde está mais desenvolvida. França, Itália e Espanha ocupam os três primeiros lugares mundiais em turismo receptivo, com mais de 80 milhões de turistas cada um, e não consta que sejam países pobres.
      2 – Critica-se a maioria PS na autarquia, não pela evidente falta de atenção em relação ao turismo, mas por tentar enganar as pessoas, apregoando o contrário. Durante quase 8 anos foi o que se viu até agora. Fogo de vista. De repente aparece um inopinado convénio com o IPT, nomeadamente na área do turismo. A seis meses das eleições, em concreto esperam o quê desse acordo? Que facilite a elaboração do programa eleitoral? Que inventem ideias para o turismo local?
      Que eu saiba, apesar do ensino politécnico dever ser profissionalizante, porque para o tradicional há as universidades, e por isso ministrado sempre que possível por quem tenha experiência profissional fora da docência, julgo que não há no IPT docentes de turismo que sejam ou tenham sido profissionais dessa área. E fazem muita falta.

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