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Covid-19 e os negócios: da adversidade à oportunidade

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Tiago Carrao 2
Tiago Carrão*

A pandemia de covid-19 não tem ainda fim à vista. As pessoas continuam confinadas nas suas casas, a sociedade paralisada e a atividade económica a meio gás.

Apesar dos resultados dos últimos dias levarem a crer que o novo corona vírus poderá não ter um impacto tão catastrófico na saúde pública como se chegou a temer, o mesmo não se poderá dizer do ponto de vista económico. Parece-me inevitável uma grave crise económica, financeira e social, cujas consequências são imprevisíveis.

O FMI estima que seja a pior recessão desde a Grande Depressão de 1929 e prevê para este ano um recuo da economia portuguesa de 8% e o desemprego a atingir os 13,9%.

Os primeiros indicadores apontam nesse sentido. De acordo com um estudo da Universidade Católica, num mês cerca de 163 mil trabalhadores perderam o seu emprego, mais de 980 mil estão sem atividade e 1,7 milhões viu o salário reduzido. Por outro lado, diz o INE que 16% das empresas em Portugal se encontram temporariamente encerradas e que 2% já encerraram definitivamente. É também relevante o facto de quase 50% das empresas afirmar não ter condições de liquidez para se manter em atividade por mais de dois meses sem medidas de apoio adicionais.

Muitos empresários e agentes políticos perceberam rapidamente que não podiam esperar que a crise de saúde pública acabasse. É por isso que, a nível europeu e nacional, a retoma gradual da atividade económica tem sido tema quente nos últimos dias.

Mas, enquanto isso não acontece, a adversidade tem também gerado oportunidade para o tecido económico. Oportunidade de inovação e reinvenção. De digitalização da economia.

Apesar de ser ainda incerta a forma como as coisas irão mudar após esta crise em que vivemos, conseguimos ver já com clareza a importância de estar online. Esta situação está a fazer com que as empresas sofram rápidas mudanças nas suas formas de operação e a migração para o online é agora uma realidade urgente para que se possam manter os negócios vivos.

Neste último mês de Março já se registou um crescimento no e-commerce, comércio online, em Portugal e com tendência a aumentar. De acordo com os dados da SIBS, a média de compras online durante os primeiros tempos da pandemia em Portugal registou um aumento de 6%.

Os portugueses estão a encontrar novas formas de comprar e a formatar os seus hábitos de consumo cada vez mais para o online.

É também relevante o facto das compras online no estrangeiro terem reduzido para menos de 1/3, ou seja, os portugueses estão a comprar mais online e mais em Portugal. Acredito que o hábito de compra das pessoas irá mudar radicalmente daqui para a frente.

Se para muitos consumidores a sua estreia em lojas online acontece por estes dias, não será certamente a última vez que o farão. Os tempos estão a mudar, aceleradamente pela força das circunstâncias, e há uma necessidade urgente de adaptação – não só para quem compra, mas especialmente para quem vende.

No entanto, o mercado online parece não estar ainda ao alcance de todas as empresas. Seja pela resistência à mudança, barreiras tecnológicas ou a perceção, muitas vezes errada, de um investimento elevado.

Foi ao refletir nesse contexto que em colaboração com a equipa da minha agência de desenvolvimento web e marketing digital decidimos dar um contributo à comunidade tomarense no âmbito das nossas competências profissionais.

Estamos neste momento a desenvolver uma plataforma web que disponibilizaremos gratuitamente durante a pandemia e que numa primeira fase servirá para informar sobre o comércio local a funcionar neste momento e em que condições, como por exemplo, take away ou entregas ao domicílio.

Numa segunda fase, planeamos lançar um marketplace para todo o comércio local de Tomar, ou seja, um sítio na internet onde todos os comerciantes tomarenses poderão colocar a sua loja online e vender os seus produtos e serviços para todo o mundo.

Um contributo para ajudarmos aqueles que neste momento veem o seu negócio parado, para que o possam passar para o digital e retomar as suas vendas.

Os clientes não vão parar de consumir, apenas irão fazê-lo de formas diferentes. Se as pessoas estão em casa, é lá que as empresas e comerciantes têm que estar também, junto dos consumidores em qualquer lado e a qualquer hora.

*Fundador e Gerente da Noop (noop.pt)

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