
Os proprietários de stands e oficinas da av. D. Nuno Álvares Pereira, em Tomar, estão revoltados pelas obras que estão a ser feitas naquela artéria, com erros de projeto que põem em causa o normal funcionamento dos seus estabelecimentos.
As rampas de acesso às oficinas e stands são estreitas e há casos em que não coincidem com os portões de entrada e saída de viaturas. Pior ainda é que está a prevista a plantação de algumas árvores em frente a esses estabelecimentos o que vai impedir a entrada e saída de viaturas. Alguns nem sequer têm direito a rampas de acesso.
Alguns empresários do ramo automóvel já se deslocaram à câmara e a resposta que obtiveram foi que não é possível fazer alterações ao projeto nesta fase. “Faz-se assim agora e depois pode-se corrigir”, terá sido a resposta que obtiveram da câmara.
Contrataram uma advogada que está a trabalhar no processo tendo já havido troca de correspondência com a autarquia. No local, os trabalhadores da obra são questionados pelos comerciantes como é que tiram os automóveis, mas a resposta é remetida para a câmara e para o projetista.
Têm sido vários os problemas nesta obra desde que começou, em julho de 2019, por exemplo a nível de esgotos. Era suposto estar terminada no prazo de nove meses, ou seja, em abril.
O projeto devia estar afixado no local da obra, conforme obriga o contrato assinado entre a presidente da câmara e a empresa, mas tal não acontece. Além disso, de acordo com a lei, o empreiteiro “deve afixar no local dos trabalhos, de forma visível, a identificação da obra, do dono da obra e do empreiteiro, com menção do respetivo alvará”.
A empreitada foi adjudicada à empresa Carlos Gil – Obras Públicas, Construção Civil e Montagens Elétricas Lda., da Lousã e custa mais de 870 mil euros.
https://issuu.com/tomarnarede/docs/706783
O martírio das obras a passo de caracol na av. D. Nuno Álvares Pereira
Obras na av. Nuno Álvares Pereira atrasadas vários meses (c/ vídeo)
Condicionamentos na obra da av. Nuno Álvares Pereira continuam
Já se sabia, e já foi amplamente denunciado nestas colunas, mas a presente situação vem reforçar a ideia: obras à portuguesa, variante obras à moda nabantina. Abundam os erros e as omissões, mas nunca há responsáveis. Nem punições. O costume.
A publicação do contrato, conquanto de reduzida utilidade, vem mostrar que, quando quer, o Tomar na rede consegue obter cópias de documentos no segredo dos gabinetes. Na ciscunstância, se conseguisse obter a cópia do projeto ou, no mínimo, a indicação da sua autoria, já ficariam os leitores a saber quem cometeu as asneiras agora denunciadas como se fossem da responsabilidade de anónimos. Simples azares.
De forma mais clara: É urgente indicar em detalhe quem fez e quem aprovou este projeto, cheio de mazelas, como mostra a notícia. Sem nunca esquecer que “quem fez” é igual a “que pessoa fez”, ou “que pessoas fizeram”. Não venham para cá com “gabinete”, “atelier”, “serviços”, “departamento”, com forma de ocultar quem comete erros graves no exercício das suas funções.
Os empresários agora prejudicados pelas obras da avenida não precisam de conselhos. Há lá pelo menos um que já gere empresas há mais de 60 anos. Tem portanto experiência para dar e vender. Em todo o caso, como “homem prevenido vale por dois” ou, na versão mais moderna, “homem prevenido, raramente é fodido”, aqui vai uma chamada de atenção: Não se fiem na frase camarista “Faz-se assim agora e depois pode-se corrigir”.
Desde logo porque não há uma formulação clara, tipo “depois corrige-se”. Fica-se pelo hipotético “pode-se corrigir”. Eventualmente, lá mais para o dia do nunca.
Depois, e sobretudo, porque há pelo menos um exemplo prático à vista de todos: Nas obras do tempo do Paiva na Estrada do Convento foram cometido vários erros, tanto de projeto como de execução. Um desses erros impede, desde 2010, que dois autocarros de turismo se possam cruzar. As obras tornaram a estrada demasiado estreita em pelo menos um pequeno troço. Pois em 10 anos, ainda não houve tempo para o “depois pode-se corrigir”. É mais fácil proteger quem fez o projeto, se calhar o mesmo da avenida, e manter a sinalização proibindo que os autocarros desçam. São assim forçados a ir para a Venda da Gaita ou para o Marmeleiro, e daí já seria demasiado incómodo voltar a passar pela cidade.
Quem perde são os comerciantes. Que pelos vistos também não estão muito incomodados. É a outra vertente da moda nabantina: Deixa andar; não te rales; depois logo se vê; alguém há-de fazer alguma coisa. Pois.
Já viram bem a largura da via será que vai ser só de entrada na cidade ??? Ou de saída???
É que eu acho que para cruzarem 2 carros já parece a ponte da Chamusca agora é que vai ser interessante se entrar um pesado na cidade a avenida só da para ele entrar e se vierem 2 pesados vai ser uma festa…
Isto ainda agora está a dar as primeiras bombas.
Há já agora hoje há reunião será importante esclarecer está situação agora e já bem como afixação do alvará, e demais informações do projeto assim como a largura com que vai ficar a faixa de rodagem…
E muito perto daí temos outra bronca, que mostra bem a caótica administração municipal em Tomar.
Aqui há tempos, a presidente declarou, na rádio oficial da câmara, que o novo parque ao lado da estação ia estar em funcionamento antes do final de Abril.
Estamos no final de Maio e só na reunião de hoje vai ser apresentado e aprovado o acordo celebrado com o dono do terreno.
Ou seja, até agora a câmara andou a fazer obras naquilo que não lhe pertence, e sem ter qualquer documento que lhe desse poderes para tal.
Mas se um desgraçado de um tomarense resolve fazer uma pequena obra sem licença, está logo lixado.
É como diz o outro: Votaram nela, não foi?! Agora aturem-na!
Olhando com atenção para as fotos que mostram o piso já instalado, dá vontade de fazer logo a mala e desandar para paisagens menos embirrantes. E projetistas menos palermas.
Com pedras calcáreas daquela espessura, e com o fraco tapete-base, aquilo não vai aguentar muito tempo. Após a passagem de cinquenta camiões de 30 toneladas, vai haver covas e buracos por todo o lado. E como a câmara já não tem calceteiros suficientes, nem vontade de os contratar, vai ser bonito vai!
O melhor será os residentes aproveitarem os próximos saldos para comprarem botins de borracha para o próximo inverno. A menos que prefiram dar banho aos pés sem gastar água da Tejo Ambiente.
Os empresários que se sentem prejudicados resolveram então contratar um advogado. É mais uma originalidade tomarense.
Noutras terras, os contribuintes-eleitores, quando discordam das opções dos eleitos, manifestam-se, concentram -se nos centros de poder, para protestar pacificamente, mas exigindo com firmeza satisfação para as suas reivindicações.
Em Tomar até os ciganos já fazem isso. Volta e meia juntam-se ao funda da escadaria dos Paços do concelho, para pedir isto mais aquilo, apesar de não pagarem impostos, nem terem alojamentos legais.
Infelizmente, a população nabantina nunca está para essas maçadas. Ninguém quer “meter-se em alhadas”. Outros que tratem disso.
Nunca leram o Berthold Brecht: Primeiro levaram os aleijados, e o pessoal calou-se; depois levaram os ciganos, e o pessoal calou-se; mais tarde levaram os judeus, e o pessoal calou-se. Até que um dia, começaram a levar o próprio pessoal, e aí já era demasiado tarde para protestar.
Assim estão os empresários e os moradores vítimas desta desgraça urbanística. Noutros casos não ajudaram ninguém a defender-se. Agora não têm quem os ajude a defender-se. Cá se fazem, cá se pagam.