Até 22 de julho está a decorrer na Unidade Móvel da Liga Portuguesa Contra o Cancro, junto ao Centro de Saúde da Nabância, em Tomar, o rastreio gratuito do cancro de mama.
A ação decorre de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 13h00 e das 14h00 às 17h30, e destina-se a mulheres entre os 45 e os 74 anos, mediante os critérios de participação definidos para o rastreio.
Cada mulher deve realizar este rastreio de dois em dois anos.
Nunca é demais reforçar a importância da deteção precoce do cancro da mama.
Infelizmente temos em Tomar centenas de casos de mulheres a quem foi diagnosticado cancro da mama.
A ex-vereadora Graça Costa é um exemplo. No seu grupo “Este bocadinho é só para mim” vai relatando como lida com a doença, os tratamentos a que se tem de sujeitar, os problemas nas marcações de consultas e exames, tudo isto enquanto reflete sobre a vida.
Eis um dos seus últimos apontamentos:
“Ao longo da minha doença fui tendo contacto com muitos doentes oncológicos.
Tantas histórias. Tantas famílias afectadas por uma doença que ainda assusta tanto, que ainda mata tanto, que tantas alterações provoca nas vidas dos doentes e dos que os rodeiam.
Há muita gente que prefere não falar do assunto e eu respeito, porque as pessoas só devem conhecer aquilo que estamos dispostos a partilhar.
Pessoalmente, optei por falar abertamente da minha doença e por falar abertamente sobre o Cancro porque sei o quanto é uma doença assustadora e de resultados imprevisíveis.
Infelizmente, conheço muitos casos que morreram de coragem prolongada e a dor cá dentro é imensa.
Sim, porque todos os doentes oncológicos lutam com uma coragem imensa. Uma coragem que desconhecem até que a vida os obriga a convocá-la.
Sei bem do que falo.
É uma luta sem tréguas, porque é da nossa vida que se trata e perdê-la é um preço que nunca queremos equacionar, apesar de sabermos que a morte pode estar ali ao virar da esquina e de sabermos que enfrentamos uma luta para toda a vida porque mesmo sobrevivendo a vida nunca mais volta a ser a mesma.
Apenas um exemplo para ilustrar o que acabo de referir. Uma mulher mastectomizada e com esvaziamento da axila corre riscos imensos com coisas inócuas para gente saudável. Um simples corte na mão do lado afetado, pode facilmente desencadear erisipela ou linfedema com consequências irreversíveis para a doente.
É muito difícil explicar como é viver com um cancro a quem teve a felicidade de nunca passar por nada parecido.
É muito difícil e às vezes nem vale a pena, porque há quem não saiba ou não queira entender e mesmo na classe médica, tenho visto atitudes incompreensíveis e deploráveis.
Por isso, não há nem receitas, nem conselhos. Apenas refletir sobre o que nos acontece, partilhá-lo se assim o entendermos, mas sem esperar nada em troca.
Nem reconhecimento, nem piedade.
Partilhar apenas. Pode ser que faça sentido a alguém e possa ajudar a fazer alguma luz sobre esta, que é ainda uma doença repleta de estigmas, de medos, de superstições, mas também de cada vez mais esperança.
Que nunca me falte.
Um grande beijinho”.
© Graça Costa

