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Presidenciais 2021: Ventos de mudança no vale do Nabão

A tribuna de António Rebelo

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Os melhores analistas políticos, e os órgãos de informação ditos de referência foram categóricos, com a ajuda de sondagens. Risco de 70% de abstenção, Ana Gomes com mais votos que Ventura. Erraram quanto à abstenção, acertaram tangencialmente sobre o posicionamento Ana Gomes/Ventura. Isto a nível nacional.

No concelho de Tomar, cuja informação parece não ter recursos humanos para publicar análise política, o silêncio foi o do costume. Feita a contagem final, os resultados são nalguns casos assaz surpreendentes, na minha tosca opinião. Assim, Marcelo vence folgadamente, passando de 53,9% em 2016, para 63,8% em 2021. Consegue praticamente mais 10 pontos percentuais.

Com 10,9%, Ana Gomes (PS) recolhe menos 12 pontos percentuais em relação a Sampaio da Nóvoa (PS), em 2016, sendo ultrapassada por André Ventura, um estreante, com 13,7%.

Para os outros candidatos partidários, a situação não é brilhante, embora diferente. Marisa Matias (BE) passa de 11,5% em 2016, para apenas 3,94% agora. E Ferreira, o candidato do PCP, não consegue melhor. Regista 3,5%, pouco mais que os 2,2% de Edgar Silva, em 2016.

Os entendidos locais, que nestas coisas da política e não só, costumam ser categóricos, sustentam que não se podem comparar presidenciais com autárquicas.

Penso exactamente o contrário. Tudo é comparável em política, nas devidas proporções.

No caso, presidenciais e autárquicas são obviamente coisas diferentes, mas os eleitores e os partidos são os mesmos. Donde inevitavelmente alguma influência de umas sobre as outras.

Nesta ordem de ideias, que se pode dizer destes resultados presidenciais? Anabela Freitas, militante e eleita socialista, deve estar bem contente. Anunciou publicamente que ia votar Marcelo, e o seu candidato ganhou folgadamente. Mas é bem possível que, em termos de análise pelo menos, lhe seja mais útil ter em conta o fraco resultado da sua camarada Ana Gomes, pois todos sabemos que Marcelo não é nem nunca foi do PS.

Sobre os dois partidos de extrema esquerda, o PCP e o BE, estes resultados parecem indiciar que não conseguirão eleger qualquer vereador em Tomar, nas próximas autárquicas. A não ser que aparecesse uma geringonça local, hipótese muito remota, porém não totalmente descartável nesta altura.

Restam o PSD, cujos dirigentes locais não devem, penso eu, iludir-se com o resultado de Marcelo, e o Chega de Ventura, que conseguiu um excelente resultado, todavia insuficiente para ir além de um eventual vereador em Outubro de 2021. E mesmo com um vereador, nunca se vai longe. A CDU que o diga. Em 2016 conseguiram 1.548 votos e não elegeram nenhum.

Concluindo, o que no meu entendimento estas presidenciais indicam para Tomar, não podia ser mais claro. Há ventos de mudança e de mudança para a direita. Se o PSD e as restantes formações dessa área política conseguirem chegar a um entendimento pré-eleitoral, uma coligação, estou convencido que a vitória não lhes vai escapar.

Todavia, uma vez que dirigentes do Chega tomarense já anunciaram há tempo que são contra qualquer coligação, é provável que o PSD tenha de concorrer mais uma vez em solitário. Nesse caso, será um jogo de resultado incerto. Sobretudo se, como é habitual, socialistas e social-democratas se apresentarem sem programas robustos e adequados.

Reina forte descontentamento com o PDM, que não passa afinal de um trambolho. Mesmo depois de revisto.

                                                           António Rebelo

 

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Escrita por António Rebelo

Comentários

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  1. Caro António Rebelo,

    Bom dia.
    Depois de mais umas eleições em Tomar, brindadas pela autarquia com mais um espetáculo de cor e espuma no Nabão, diz que se sentem em Tomar ventos de mudança?? E para a direita??
    A votação em Marcelo demonstra bem que o concelho vive de reformados e funcionalismo público, alguns com laivos de esquerdistas, mas todos eles avessos a mudanças da sua zona de conforto!
    O PSD cometeu mais um suicídio ao escolher a atual dirigente concelhia que não tem a mínima hipótese de vencer a presidenta instalada.
    Quanto a coligações à direita, para quê? Quem quer mudar não vai votar nos mesmos do costume!!
    O problema é conseguir uma lista fora dos partidos do sistema com gente capaz e HONESTA que queira o bem do Concelho e não precise de tachos.
    E já agora um programa estruturado e com objetivos mensuráveis para Tomar
    Para o Chega o problema começa agora!!

    • A mudança parece-me evidente, a julgar pelos resultados, e não por meras opiniões. Marcelo conseguiu no concelho mais 10%, em relação a 2016. Ventura arrecadou quase 14%. O BE perdeu mais de metade dos votos de 2016. A srª do PS teve menos 12% que o seu camarada Nóvoa de há 5 anos. Se isto não são sinais de mudança, então são quê?
      Dito isto, continua a haver em Tomar apenas duas formações que têm conseguido sistematicamente mais de 4 mil votos. São o PS e o PSD. Num eleitorado de 34 mil almas em que metade se abstém sempre, restam 17 mil sufrágios em disputa. Dado o formato das autárquicas, o método de Hondt impede qualquer aventura, conforme ficou claro com a malograda tentativa dos IpT, que nunca conseguiram mais de 2 vereadores.
      Nestas condições, essa sua proposta de “lista fora dos partidos” parece-me algo poética, sobretudo tendo em conta aquilo que você escreve mais acima, quando diz “mas todos eles avessos a mudanças da sua zona de conforto”. Como é que o amigo Caldas fará para para contrariar tal estado de coisas, fora de qualquer dos partidos até agora alternadamente dominantes a nível local?

      • Os partidos que mencionei são os partidos do sistema, porque sabemos que na prática é impossível apresentar uma lista independente como foi em tempos idos.
        Referia-me ao CHEGA que considero um partido radical é certo mas o único capaz de desalojar os “políticos” que nos tratam tão bem por tanto tempo…
        A lista a apresentar é crucial pois se forem buscar pessoas já conhecidas candidatas de outros tempos não conseguem!!
        O sonho comanda a vida!

    • Pergunta o sr. “coligação à direita, para quê?” Mesmo dando-lhe razão quando escreve que “Quem quer mudar não vai votar nos mesmos do costume” ainda restam aqueles eleitores que não querem mudar. Temos assim a considerar uma aritmética bem simples e clara. Em 2017, o PS ganhou em Tomar por uma diferença de 1.155 votos, em relação ao PSD. Quatro anos mais tarde, já sabemos que a lista socialista vai ser a mesma, pelo que o seu eleitorado será também o mesmo. Sucede que entretanto o Chega já conseguiu 1.900 votos no concelho, o que chega e sobra para ultrapassar a tal diferença acima referida.
      Só falta saber quem são os candidatos do PSD e se fazem ou não uma coligação.

      • Artur Arsénio, o eleitorado PS de 2017 não vai ser o mesmo de 2021. As eleições tēm sempre os eleitores pêndulo, “swing voters”, e são eles que decidem a eleição. Eles votam de acordo com a conjuntura do país. Em 2017 era tudo um mar de rosas, corria tudo bem. Em 2021 não, e eles não vão votar PS.

  2. Num inquérito feito ontem por uma rádio nacional na “boca das urnas”, citado hoje na TSF pelo comentador Prof. Costa Pinto, foi perguntado aos eleitores em quem votariam se as eleições fossem legislativas. O PS e PCP manteriam o nível de votação anterior, o Bloco uma ligeira redução e o Chega alcançaria uma votação que lhe permitia ter 15 deputados. Ou seja, os problemas/ reorganização futura da política portuguesa estão do lado direito, PSD e CDS. Sobre os resultados de ontem, pode concluir-se é que Marcelo “secou” a esquerda. Ao candidato liberal que parecia ser uma esperança do Dr. Rebelo, aconteceu o inevitável num país sem capital, sem capitalistas empresários e sem tecnologia: não convenceu ninguém porque os cidadãos perceberam que liberalismo aqui, hoje, só se for para mais hotelaria. E nem o amparo, mesmo ontem, da comunicação social de massas o ajudou. Em Tomar no futuro talvez o Chega tenha participação autárquica (dizer que não quer é enquanto não se vislumbrar “o tacho”, seja em dinheiro ou poder), mas será isso o que interessa para o futuro de Tomar?

  3. Caro Zé Caldas, estou totalmente de acordo consigo quando diz que o resultado de MRS demonstra que o concelho vive de funcionários públicos e reformados, cuja única preocupação é garantir rendimentos e regalias, e não o país, e quando diz que não se podem extrapolar estes resultados para umas eleições autartíquas. Eu fico muito admirado que entre os comentadores nínguém ache preocupante que o António Costa apoie o Marcelo. É surreal o líder do PS apoiar o candidato PSD quando tem uma Ana Gomes na corrida!!! O Marcelo devia de ser o policía do Costa, e com tantos casos polémicos acho preocupante o Costa apoiar o Marcelo. Lembro o caso do procurador europeu, Tancos, as golas inflamáveis, o litío alentejano, o siresp, agora há um novo que foram umas escutas sobre a nova fábrica de hidrogénio em Sines, o presidente do STJ diz que não tinham qualquer importância mas se tal for verdade mostrem-nas aos jornalistas, lembro que no caso Freeport mandaram recortar as declarações do Sócrates á tesoura!!!!, Eu acho que precisamos mesmo de uma nova república. Esta constituição já não serve. O país mergulha na pobreza, a educação e a justiça são umas merdas: o Sócrates foi apanhado em escutas em 2014 e ainda não foi julgado!!!!! O Madoff, está bem que confessou, foi julgado em meses!!! A saúde também está muito mal, ainda há portugueses sem médico de familía!!! Provavelmente o voto no chega foi de protesto mas na minha opinião deveria de ser visto como uma escolha natural porque é o único que quer romper com o sistema.

    • Sobre o primeiro parágrafo, de facto o concelho vive de funcionários públicos e reformados. Acrescento: e ainda bem porque assim o comércio vai tendo alguns clientes, ainda que pobres ou remediados. E em caso de pandemia é bom ter quem nos acuda, como agora se vê. Mas era bem melhor ter população a viver de organizações criadas por empresários de sucesso que pagassem bons ordenados aos seus trabalhadores. Acontece que, em Tomar, desde há umas décadas, aqueles não são desejados (quando não enxotados) e estes têm que emigrar para sobreviver sem dependência.

    • Caro Helder Silva,

      É bem verdade os casos de nepotismo, corrupção em especial no pilar da justiça com os casos do Rangel e ex-mulher , juízes da Relação de Lisboa e quase promovida ao Supremo, o caso de uma procuradora que decide escutar jornalistas sem autorização de um juíz , o caso do procurador europeu uma vergonha nacional, etc.

      Mas na parte económica o caso do hidrogénio , aprox. 7000 M€ e do lítio são o Santo Graal da corrupção que nem o Sócrates conseguiu!!

      Mas como o caminho se faz caminhando com o primeiro passo, cada cidadão no seu município tem o dever de correr com incompetentes e por vezes corruptos, todos de consciência tranquila.

      O problema está que 2,3 milhões de portugueses são reformados e 750 mil são dependentes do estado.
      Por isso os outros 50% que trabalham no privado têm dificuldade em fazer a mudança!!

  4. Sobre o primeiro parágrafo, de facto o concelho vive de funcionários públicos e reformados. Acrescento: e ainda bem porque assim o comércio vai tendo alguns clientes, ainda que pobres ou remediados. E em caso de pandemia é bom ter quem nos acuda, como agora se vê. Mas era bem melhor ter população a viver de organizações criadas por empresários de sucesso que pagassem bons ordenados aos seus trabalhadores. Acontece que, em Tomar, desde há umas décadas, aqueles não são desejados (quando não enxotados) e estes têm que emigrar para sobreviver sem dependência.

    • João Agulha,
      Como concorda o concelho vive de funcionários públicos e reformados.

      Diz que ainda bem??? não percebe que é exatamente este o problema de Tomar??

      Estas pessoas e não as estou a criticar, pois quem está reformado já contribuiu para o País e os funcionários públicos deveriam ser para isso mesmo, prestar serviços que o Estado deve garantir aos cidadãos que são funções do Estado, exemplo Defesa, Justiça, Saúde Educação e gestão do território.
      Estas funções por definição são consumidoras de dinheiro, que vêm dos nossos impostos.
      O problema é a gestão destes recursos e a quantidade de gente a mais que estão nestas funções!!

      Por isso estas pessoas não criam riqueza diretamente , mas contribuem para a gastar onde estão.

      Sem privados com investimentos com criação de riqueza que pagam impostos Tomar fica como está, muito agradecida aos clientes pobres e remediados.

  5. Ventos de mudança? Realmente só falta a esta terra passar a ter na sua governação autárquica os oportunistas do Chega, cuja mensagem é o ataque aos subsídiados, esquecendo o caso dos banqueiros. Com estes resultados o mais certo é o PSD e o CDS virem a ser penalizados a prazo, se necessitados de coligações com o Chega e o PS acabar por ganhar com isso.

    • Duvida dos ventos de mudança? Então como interpreta o evidente descalabro da esquerda?
      Por outro lado, carece de fundamento esta sua afirmação segundo a qual “só falta a esta terra passar a ter na sua governação autárquica os oportunistas do Chega, cuja mensagem é o ataque aos subsidiados.” Na verdade, faltam muitas coisas nesta terra, designadamente cidadãos capazes de analisar friamente a realidade envolvente.
      Quanto ao Chega, nem sequer sei ainda se são ou não oportunistas, pois por enquanto não chegaram ao poder. E essa de reduzir o programa de Ventura ao ataque a subsidiados, para depois tentar amalgamar com o caso dos banqueiros, é uma tática conhecida e que já não pega. Nem o Chega ataca só os subsidiados, nem as ajudas aos bancos têm qualquer relação com os subsídios sociais, uma vez que se destinam a manter o emprego, e não a sustentar gente que não quer trabalhar, em grande parte dos casos.

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Marcelo vence em Tomar com 63,7%, Ventura em 2º

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