Há mais de um mês que se verificam descargas de efluentes na ribeira de Seiça, em Ourém, constituindo um foco de poluição que, ainda que vá depurando, acaba por chegar ao rio Nabão e a Tomar.
As imagens são elucidativas e mostram descargas poluentes constantes de cor acastanhada na ribeira.
E é bom lembrar que neste curso de água existe a Lampreia do Nabão, espécie endemismo lusitano, que só ocorre na sub-bacia do rio Nabão, na zona do Agroal e ribeiras a montante.
A este propósito Anabela Henriques Pereira publicou um texto no grupo Tomar, do Facebook:
“A Lampreia do Nabão e a poluição!
A Lampreia-do-Nabão (Lampetra auremensis)
Durante décadas, pensou-se que as populações de pequenas lampreias residentes na Ribeira de Seiça / Sabacheira pertenciam à espécie europeia comum (Lampetra planeri). Contudo, estudos genéticos e morfológicos detalhados (com primeiras bases a remontar a relatórios ecológicos daquela ribeira) culminaram na identificação e catalogação, em 2013, de uma nova espécie única no mundo:
a Lampreia-do-Nabão.
Espécie Exclusiva: É uma espécie endémica restrita à sub-bacia do Rio Nabão (concelhos de Ourém e Tomar).
Ciclo de Vida Frágil: Tem um tamanho reduzido (cerca de 12 centímetros em adulta) e passa a maior parte da vida (3 a 4 anos) sob a forma de larva, completamente enterrada nos sedimentos arenosos e lodosos do fundo da ribeira.
Fase Adulta e Morte: Ao atingir o estado adulto, emerge do substrato durante apenas 3 a 4 meses.
Curiosamente, nesta fase final não se alimenta; foca toda a sua energia na reprodução e morre logo de seguida.
Poluição e Sensibilidade: Sendo animais filtrantes na fase larvar, qualquer surto de poluição pode dizimar populações inteiras desta espécie que já se encontra classificada como Criticamente em Perigo devido à sua distribuição geográfica extremamente restrita.
Assim se mantêm descargas diretas na ribeira, em Ourém, há mais de um mês!”






1 comentário
Há mais de um mês? isto mostra a eficiência de quem nos governa, e mais não digo, porque ainda tenho algum decoro, se não chamava os bois pelos nomes.