Opinião de Luís Francisco, Deputado Municipal pelo PSD
Não há futuro sem memória. Quando olhamos para Tomar, temos de ser capazes de fazer um exercício de avaliação: perceber o que foi feito na última década, reconhecer o que correu bem, identificar o que ficou por fazer e, sobretudo, perguntar se o caminho percorrido nos prepara para os desafios que temos pela frente.
Entre 2015 e 2025, Tomar viveu um período de continuidade administrativa. Houve obras, investimento, projetos concretizados e uma aposta importante na cultura e no turismo. Tudo isso deve ser reconhecido. Mas levanta-se uma pergunta simples: qual foi a transformação estrutural de Tomar na última década?
Num país que enfrenta desafios demográficos e num contexto difícil para os municípios do interior, o sucesso de um concelho tem de ser medido também pela sua capacidade de criar futuro. Tomar está a conseguir fixar os seus jovens? Está a atrair famílias? Está a criar emprego qualificado? Está a captar investimento? Está a oferecer habitação compatível com os rendimentos de quem aqui trabalha? Está a competir e a afirmar-se perante concelhos como Leiria, Santarém, Torres Novas, Entroncamento ou Abrantes?
Daqui a dez anos, não queremos apenas uma Tomar mais bonita e com mais equipamentos. Queremos uma Tomar com mais jovens, mais famílias, mais empresas, mais emprego e maior capacidade de criar oportunidades.
Os tomarenses escolheram uma mudança de ciclo em 2025. Essa mudança não significa apagar o passado, nem interromper tudo o que foi iniciado. Há compromissos que devem ser cumpridos e projetos que devem continuar.
Mas mudar implica mudar prioridades, acelerar a execução e ter uma visão clara para o desenvolvimento do concelho.
Os primeiros meses deste novo ciclo apontam nesse sentido, com uma administração municipal mais orientada para a execução e para os resultados. O Orçamento Municipal para 2026 e a criação de um Portal da Transparência são instrumentos importantes nesta nova fase. A transparência da governação ganha verdadeiro significado se permitir aos cidadãos saber o que foi prometido, o que foi feito, quanto custou e quais os resultados alcançados.
Tomar precisa de deixar de pensar apenas em ciclos eleitorais. Precisa de pensar em ciclos de desenvolvimento.
Importa criar condições para que um jovem formado possa escolher ficar em Tomar. Importa aumentar a oferta de habitação, reabilitar imóveis devolutos, reforçar a habitação municipal e criar mecanismos que ajudem jovens e famílias a permanecer no concelho.
Importa também compreender que preservar o Centro Histórico não pode limitar-se a conservar edifícios. Um centro histórico que perde habitantes pode preservar o seu património, mas perde a sua alma. O Centro Histórico precisa de residentes, comércio, estudantes, empresas e vida.
Tomar tem também de ir além da aposta no turismo. Tem de diversificar a sua economia e aumentar a capacidade de criar emprego qualificado. Indústria, tecnologia, serviços especializados, economia digital, agroalimentar, economia verde, logística e turismo de maior valor acrescentado devem fazer parte de uma estratégia de desenvolvimento.
A Câmara Municipal tem de assumir um papel mais ativo na captação de investimento: identificar terrenos e áreas empresariais disponíveis, simplificar procedimentos, acelerar licenciamentos e, sobretudo, procurar e acompanhar investidores.
No turismo, o desafio está em transformar os extraordinários ativos que Tomar possui — o Convento de Cristo, o Castelo, o património templário, a Festa dos Tabuleiros, os rios Nabão e Zêzere, a cultura, o desporto, a gastronomia, a identidade e a capacidade das suas gentes — numa verdadeira vantagem competitiva, capaz de gerar mais visitantes, mais investimento, mais emprego e mais riqueza local.
Mas não basta ter ativos. É preciso criar as condições para os transformar em desenvolvimento.
A mobilidade é uma dessas condições e não pode continuar a ser pensada de forma fragmentada. Transportes públicos, estacionamento, circulação no centro da cidade, mobilidade pedonal e ciclável, ferrovia, ligação às freguesias e articulação com os concelhos vizinhos devem integrar uma estratégia única.
Tomar não existe isoladamente. A nossa localização pode ser uma vantagem se soubermos trabalhar à escala regional. A ligação aos concelhos vizinhos e a capacidade de construir estratégias comuns serão cada vez mais importantes para captar investimento, melhorar a mobilidade e reforçar a competitividade do território.
O desenvolvimento do concelho deve ser integrado, valorizando as suas diversas freguesias. Há problemas concretos que exigem respostas concretas: rede viária, transportes, saneamento, conectividade digital, envelhecimento, proteção civil e apoio ao movimento associativo.
Também a ocorrência de fenómenos climáticos extremos obriga a preparar o território para lhes fazer frente e defender pessoas e bens. Incêndios, cheias, tempestades e ondas de calor exigem prevenção, planeamento e capacidade de resposta.
Ao PSD cabe hoje a responsabilidade de implementar um novo modelo de desenvolvimento para Tomar. E essa responsabilidade mede-se pelos resultados. Daqui a quatro anos, os tomarenses avaliarão o que foi feito: a capacidade de executar, de concretizar compromissos e de transformar prioridades em resultados.
Daqui a dez anos, queremos olhar para trás e poder dizer que Tomar mudou estruturalmente. Que conseguimos criar oportunidades para os jovens, atrair investimento, gerar emprego qualificado, aumentar a oferta de habitação, revitalizar o Centro Histórico, valorizar as freguesias, melhorar a mobilidade e transformar os nossos ativos numa verdadeira fonte de desenvolvimento.
Governar hoje implica ter os olhos postos nesse futuro e ir além dos ciclos eleitorais.
Os próximos dez anos não se constroem daqui a dez anos. Constroem-se agora. Tomar não precisa apenas de preservar aquilo que é. Precisa de ter a ambição de se tornar aquilo que pode ser.
*Luís Francisco, Deputado Municipal pelo PSD
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Este Katavento acabou de descobrir a pólvora.