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Os escandalosos atrasos das obras da Câmara

A tribuna de António Rebelo

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Os atrasos nas obras municipais são em Tomar tão corriqueiros, que a população já se habituou. De tal forma que reclamam (quando reclamam!) apenas contra os incómodos, quase nunca sobre a exagerada duração. O caso mais conhecido é o da avenida Nun’Álvares, por ser o mais recente e em plena cidade. Mas há também a empreitada da Várzea grande, com algum atraso, apesar de ter ficado para melhor ocasião a requalificação dos sanitários, prevista no projecto que foi a concurso.

Além dos antes mencionados, há ainda e sobretudo o verdadeiro escândalo do Centro escolar da Linhaceira. Já com mais de dois anos de atraso em relação ao inicialmente previsto, força dezenas de crianças e respectivos professores a usarem contentores como salas de aula, situação muito prática, como se calcula, sobretudo nesta altura de invernia e necessidade de arejamento, por causa da pandemia.

Apesar da manifesta enormidade do drama, nem assim o assunto tem merecido destaque na pobre informação tomarense a que temos direito. Só se fala de tal desastre, pois é disso que se trata, quando por vezes os membros do executivo resolvem abordar e debater o tema, para mostrar indignação. Que é vergonhoso, que vai haver multas, que é inaceitável, e mais isto e mais aquilo. Mas quanto às causas, pouco ou nada dizem. E os obedientes media locais reproduzem caninamente o que se passou. Na boa tradição local, nada de tentar ouvir as outras partes envolvidas, para não gerar escusadas divergências e subsequentes recriminações. Viver não custa, custa é saber viver.

Até que um semanário regional de alhures, o Mirante, resolveu fazer o seu trabalho como deve ser. Conforme pode ler aqui.

A empresa de construção posta em causa pelos autarcas nabantinos -a Tecnourém- afirma que o enorme atraso se deve afinal a erros e lacunas do projecto. E diz mais, que perante tais lacunas, só não abandonou a obra por uma questão de respeito para com a Câmara.

Perante tal acusação, que é grave, torna-se imperioso formular várias perguntas:

1 – Se a responsabilidade é afinal do dono da obra, haverá mesmo multas?

2 – Como se explica que uma autarquia com 600 funcionários, entre os quais pelo menos 6 arquitectos e 12 engenheiros, encarregados de examinar e despachar projectos, apresente a concurso empreitadas com suporte técnico defeituoso?

3 – Qual a intenção real dos técnicos camarários, quando despacham favoravelmente projectos com evidentes lacunas?

Fica para outra ocasião a questão de saber quem dirige efectivamente a autarquia. Os eleitos para esse efeito? Ou uma “panelinha” de funcionários superiores, que se julgam e agem como donos daquela casa de todos nós? Como explicar de outro modo os casos estranhos da Estalagem, do Convento de Santa Iria, da churrasqueira do mercado, do palácio Alvim, por exemplo?

Não sou de forma alguma defensor da teoria do complot. Mas em política aquilo que parece é, dizia o Botas de Santa Comba, que como mostra a ascensão do odiado Ventura, parece voltar a estar muito na moda.

                                                      António Rebelo

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Escrita por António Rebelo

Comentários

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  1. Raramente um silêncio profundo não tem significado. No caso deste post de ontem, sem comentários nem partilhas para além das 5 habituais, não se trata de um silêncio ensurdecedor. É antes e mais modestamente um silêncio eloquente. Que diz muito. E leva inevitavelmente aqueles que pensam um bocadinho ao adágio “Quem cala consente.”
    Que permite repetir “O maior e mais perigoso inimigo de Tomar são os próprios tomarenses”, sem que estes tenham alguma razão para protestar. Salvo um reduzidíssimo grupo de irredutíveis.
    Melhores dias virão? Enquanto há vida há esperança? Dá tempo ao tempo e o tempo te dará as respostas?
    Entretanto fazes aqui falta, Zeca. Porque “eles comem tudo e não deixam nada.”

  2. Existe uma espécie de perseguição pidesca a quem se atreve a “afrontar” os poderes ligados aos interesses do PS. E os esbirros andam por aí a policiar quem diz alguma coisa contra este estado de coisas…
    Já dizia alguém importante deste partido que quem se mete com o PS leva.
    Passámos de uma ditadura de direita (?) antes de 1974 para uma ditadura de esquerda hoje em dia.

  3. Os tomarenses perderam outra vez o comboio:
    “O PS, através destes sucessivas casos, está a levar o Estado à bancarrota moral.
    No passado ainda recente, este quadro conduzia a uma certa inércia, ao distanciamento das pessoas, à abstenção. Mas agora, este ressentimento alimenta movimentos populistas e securitários. Não é um pormenor…”
    Henrique Raposo, Expresso online, 21/01/21

    Calando-se, abstendo-se ante a denuncia da seita municipal, os leitores habituais do TNR mostram estar ainda na fase anterior, denunciada por H. Raposo. Perderam outra vez o comboio. E normalmente os atrasados não vão longe.

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