Continua a polémica à volta da morte de uma idosa de 88 anos no dia 17, no Parque Desportivo Municipal de Atalaia, no concelho da Barquinha, quando assistia ao jogo Atalaiense – Ouriquense, no qual participava o seu neto como jogador.
O facto de o jogo não ter sido interrompido enquanto a idosa era assistida nas bancadas está a gerar um fogo cruzado entre árbitros, jogadores e técnicos.
Em comunicado a Associação de Futebol de Santarém reconheceu o erro e admoestou o árbitro, mas o mais grave é que castigou um guarda-redes por chamar a atenção para o que se estava a passar na bancada onde estava em jogo uma vida humana.

A Associação de Futebol argumenta que “a continuidade do jogo não condicionou ou atrasou, em momento algum, a assistência prestada à senhora”.
“Não obstante os alertas emitidos por vários intervenientes, o árbitro da partida não procedeu à interrupção do encontro por não ter tido, no momento em que os acontecimentos se desenrolaram, uma perceção cabal e exata da extrema gravidade e da dimensão verdadeiramente dramática da situação que se passava na bancada”, explica a Associação de Futebol.
Ao mesmo tempo que desresponsabiliza o árbitro principal Rui Ferreira, o Conselho de Arbitragem teve mão pesada para o guarda-redes do Ouriquense que, em tom exaltado, alertou para a senhora que estava a morrer nas bancadas.
Esse atleta foi castigado com um jogo de suspensão depois de lhe ser apresentado um cartão vermelho “pelo uso de linguagem e/ou gestos ofensivos ou grosseiros”. O mesmo aconteceu ao avançado Diogo Cruz pelos mesmos motivos.
O treinador do Ouriquense, Pedro Murteira, apanhou uma multa de 50 euros e 15 dias de suspensão e o clube vai ter de pagar 75 euros.
Esta dualidade de critérios está a provocar duras críticas por parte de jogadores e técnicos.
“Peço a todos os treinadores do distrito e não só para partilharem esta vergonha que não sei quem é o maior responsável se a Associação de Futebol de Santarém AFS se o conselho de Arbitragem… Treinadores e jogadores castigados por quererem respeitar a dor e o sofrimento de alguém que tinha acabado de perder alguém… faleceu uma pessoa… vergonha distrital…”, lamenta Hélio Franco
Ana Carla Silva defende que “independentemente do que possa ter sido dito no calor do momento, havia uma vida em risco, uma senhora de 88 anos estava em paragem cardiorrespiratória. E aquilo que mais chocou tanta gente foi precisamente a falta de humanidade demonstrada naquele instante. Porque o futebol parou para todos… menos para quem tinha o poder de o parar”.
A presidente do Almeirim Futsal Clube vai mais longe nas críticas: “O árbitro pareceu um robô, sem sensibilidade, sem noção do momento, como se o jogo fosse mais importante do que aquilo que estava a acontecer fora das quatro linhas. E agora, em vez de existir reflexão, existem castigos. É isto que revolta as pessoas”.

