José Cunha Simões, antigo professor no Liceu de Tomar e deputado na Assembleia da República, ex-diretor dos jornais “O Templário” e “A Província”, morreu no dia 23 de julho no Entroncamento, aos 91 anos.
Só esta semana tivemos conhecimento do falecimento desta figura eclética que deixou a sua marca na história de Tomar, merecendo este apontamento necrológico, apesar de tardio.
Pai de três filhos (duas mulheres e um homem), Cunha Simões residiu em Tomar desde os anos 50, onde exerceu funções de professor do ensino secundário no antigo Liceu, empresário, jornalista, autarca e político.
Além de de dedicar ao ensino, fundou um jornal local, o semanário ‘A Província’ que era impresso em Alcanena. Abriu uma pequena loja que era simultaneamente um local de convívio dos jovens estudantes, a maioria seus alunos, a que chamou ‘Os Meus Amores’.
Membro do CDS, foi eleito vereador por este partido na Câmara Municipal de Tomar e mais tarde ocupou temporariamente o lugar de deputado eleito por Santarém na Assembleia da República.
Já a viver em Alcanena, ficou a gerir a tipografia com o seu nome que ainda hoje funciona.
Lançou dezenas de livros sobre política, religião, história, poesia, entre outros temas.
Morreu no dia 23 de julho e foi sepultado no dia 25 no cemitério do Entroncamento.
À família apresentamos sentidas condolências.
Biografia incompleta
José Cunha Simões nasceu em Penamacor, a 12 de maio de 1935. Casado com Maria da Graça Salema Corte-Real, pai de Margarida Corte-Real Cunha Simões, Andreia Corte-Real Cunha Simões e Fernando José Corte-Real Cunha Simões. Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Trabalhou no Colégio Bloco, em Sintra. Parte para Londres. Frequenta um curso de Medicina Natural com mestre Tchuan-Jie. Em Paris, faz estudos sobre Espiritismo e Ocultismo com a Madame Christine e Georges Guillaume. Trabalhou no Consulado de Portugal em Paris onde o Vice-Cônsul, Carvalho da Silva, lhe conta tudo sobre a ocupação Alemã e as ordens, secretas, que havia para ajudar os judeus.
Regressa a Portugal, trabalha no Turismo do Secretariado Nacional de Informação de onde saiu triste e zangado, tal como confessa no livro “Portugal, um País ingovernável”, págs. 33 e 34. Faz estágios nas Casas de Portugal em Londres e em Estocolmo.
Publica o seu segundo livro “Tu cá, tu lá” no auge do Salazarismo, em 1962, onde faz a defesa intransigente do trabalhador rural e insulta o Governo. Ninguém o incomoda. Só alguns (11) artigos, em jornais são cortados pelo lápis azul, mas ninguém o leva a tribunal. O mesmo não aconteceu depois do 25 de Abril, com o artigo “Atrás dos Militares”, citado algumas linhas abaixo.
Fala fluentemente inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. Lê chinês, hebraico e russo. Tem conhecimentos de latim e grego.
Cunha Simões foi professor do ensino secundário na Escola de Santa Maria dos Olivais, em Tomar, Diretor dos jornais “O Templário” e “A Província”. Foi Presidente da Sociedade Banda Republicana Marcial Nabantina e do Club Thomarense. O primeiro, considerado o clube dos pobres, o segundo, o dos ricos.
Na Assembleia da República foi um Deputado controverso. Convidado pelo PPD, PS e CDS recusou integrar as listas para a Constituinte. No ano seguinte, perante a insistência do CDS, aceitou entrar como candidato independente em segundo lugar, em virtude de, nas eleições anteriores o CDS não ter conseguido nenhum Deputado por Santarém e assim evitar a política. É eleito. O CDS integra-o no Grupo Parlamentar, o que acarreta (ao CDS) vários dissabores. Cunha Simões é um independente nato, um humanista. Insurge-se várias vezes contra o caminho que o País está a seguir e as graves consequências que isso irá ter para o povo. Muitas vezes o vemos votar contra o próprio Partido. A sua entrada no Parlamento também não é pacífica, logo ao quinto dia, o Tribunal de Tomar pede a suspensão do mandato do Deputado para ser julgado por delito de Imprensa. Cunha Simões tinha escrito n’”O Templário” o artigo: “Atrás dos Militares” onde os avisava do caminho perigoso que o Golpe do 25 de Abril estava a tomar. Como resultado da sua frontalidade foi julgado, alguns anos depois.
Cunha Simões trabalhou ainda num Ministério. Foi assessor de diversas figuras públicas. Foi investigador no campo social; tem mais de 150 obras publicadas, estando algumas esgotadas, mas que podem ser lidas, online, no site http://www.cunhasimoes.net.
Fonte: CM Penamacor



