De uma moradora da Estrada de Castelo do Bode, junto à barragem, recebemos um pedido de divulgação que é ao mesmo tempo um grito de desespero acerca do problema da falta de água.
“Pedimos a urgente atenção dos órgãos de comunicação social para uma situação inaceitável que está a afetar várias habitações na zona de Castelo do Bode.
Apesar de estarmos em Portugal, em 2026, existem ainda famílias sem acesso à rede pública de abastecimento de água, dependentes de um fornecimento provisório assegurado pela EDP. Para agravar a situação, esse abastecimento encontra-se na iminência de ser interrompido definitivamente.
Neste momento, os moradores já estão há mais de 24 horas sem água. Sem água não é possível garantir condições mínimas de higiene, preparar refeições, lavar roupa ou assegurar o bem-estar de crianças, idosos e restantes residentes.
É incompreensível que um bem essencial à vida continue a não estar garantido para estas famílias. Perguntamos às entidades competentes: como é possível deixar cidadãos nesta situação, sem uma solução definitiva à vista?
Apelamos à divulgação desta realidade e à intervenção urgente das autoridades responsáveis, antes que a situação se torne ainda mais grave”.
Noutra publicação, a mesma moradora acrescenta:
“Como uma das pessoas que vive esta situação na pele, custa-me aceitar que, em pleno século XXI, tenhamos de implorar por algo tão básico como água potável.
Não estamos a pedir favores nem privilégios. Estamos a falar de um direito fundamental e de um serviço público essencial. O mais doloroso é saber que este problema se arrasta desde 2008, com promessas, garantias e sucessivos anos de espera, enquanto as nossas famílias continuam esquecidas.
Quem tem água a correr da torneira todos os dias talvez não consiga imaginar a angústia de viver com a incerteza de um dia ficar sem ela. Mas para nós essa preocupação é real. São dias de paciência, de pedidos, de esperança e de desilusão.
É triste sentir que somos cidadãos de segunda, que pagamos impostos como qualquer outro e que, mesmo assim, continuamos sem uma resposta concreta para um problema tão básico. O que pedimos é respeito, dignidade e uma solução definitiva. Nada mais…”

