“O lado negro das famílias” foi o título que a escritora e socióloga Maria Filomena Mónica escolheu para a sua crónica dominical na revista do Correio da Manhã (10/01/2021).
O assunto é a família da Venda Nova, freguesia de Casais, na qual durante cerca de 40 anos se viveu um ambiente de violência e promiscuidade. Um pai e dois filhos estão presos a aguardar julgamento sob a suspeita de abusos sexuais e violência sobre familiares alguns menores.
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Diz Maria Filomena Mónica que lhe custa entender “a forma como, ao longo de tantos anos, uma aldeia perto da casa do meu avô tenha conseguido esconder o que se passava naquele casebre infecto”.
A escritora tem raízes familiares no concelho de Ferreira do Zêzere.
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2 comentários
Compreendo a atitude de Filomena Mónica. Que não escreve tudo quanto sabe sobre o assunto. Descendente de gente da região, não ignorará decerto que o incesto, a violência doméstica e outras aberrações foram, e ainda são, tolerados na região.
Lembro-me de um caso em plena área urbana de Tomar, no qual um funcionário municipal (agora já falecido) era ao mesmo tempo pai e avô de uma criança em idade escolar. O assunto era do conhecimento das autoridades, que acharam preferível abster-se de qualquer ação, para não prejudicar a criança, agora já adulta.
Em termos comportamentais, há muitos tomarenses pouco recomendáveis, apesar de os próprios se considerarem da “boa sociedade tomarense”.
Felizmente a sociedade evoluiu no sentido de exigir mais respeito pelos outros, criando até sanções no código penal, defendendo os mais fracos, como mulheres e crianças. E até ser crítica face aos mais tratos costumeiros a animais. E se é verdade que não podemos julgar atitudes passadas exclusivamente com base nos princípios atuais, o verdadeiro progresso são essas conquistas civilizacionais.