Discurso de Francisco Tavares, deputado do CDS-PP, na Assembleia Municipal de Tomar comemorativa do Dia do Concelho – 1 Março 2026
Senhor Presidente da Assembleia Municipal,
Senhor Presidente da Câmara Municipal,
Senhoras e Senhores Autarcas,
Digníssimas Autoridades Civis, Militares e Religiosas,
Coletividades, Trabalhadores do Município e comunicação social,
E acima de tudo, meus caros Tomarenses,
Hoje celebramos Tomar.
Celebramos a nossa história, a nossa identidade e aquilo que nos une enquanto comunidade.
Mas o Dia da Cidade não pode ser apenas memória.
Não pode ser apenas cerimónia.
Tem de ser, acima de tudo, um momento de direção coletiva.
Porque este dia não serve apenas para recordar quem fomos.
Serve para decidir quem queremos ser.
Durante muitos anos habituámo-nos a olhar para Tomar com orgulho… mas também com alguma resignação.
Orgulho no passado.
Resignação perante o presente.
Vimos população partir.
Vimos jovens sair.
Vimos oportunidades escolher outros territórios.
E demasiadas vezes aceitámos isso como inevitável.
Mas não era inevitável.
Nunca foi inevitável.
Era apenas falta de ambição coletiva.
Hoje vivemos um momento diferente.
Este é o primeiro Dia da Cidade após uma mudança democrática clara no nosso concelho.
E aquilo que quero dizer hoje não é partidário. É algo que qualquer tomarense sente no dia-a-dia: já se respira outro ar em Tomar.
Respira-se expectativa.
Respira-se vontade.
Respira-se esperança.
Não porque os problemas desapareceram.
Mas porque voltou algo essencial numa comunidade: a crença de que o futuro pode ser diferente.
E se houve momento recente que nos lembrou verdadeiramente quem somos enquanto povo, foi aquilo que vivemos após a tempestade Kristin.
Quando o concelho foi atingido, não perguntámos quem era responsável.
Não perguntámos diferenças.
Não perguntámos posições.
Vimos algo muito maior.
Vimos cidadãos anónimos sair de casa para ajudar vizinhos.
Vimos associações mobilizarem-se.
Vimos jovens, famílias, bombeiros, militares, voluntários e trabalhadores unirem-se por Tomar.
Vimos o melhor de nós.
Um espírito de entreajuda genuíno.
Emocionante.
Profundamente humano.
Naqueles dias difíceis percebemos algo essencial: Tomar não é apenas um território.
Tomar é uma comunidade.
E quando essa comunidade é chamada, responde sempre trazendo o melhor de si.
Esse espírito dos voluntários é mais do que memória recente.
É o exemplo do que podemos ser enquanto concelho.
Porque aquilo que reconstruímos juntos depois da tempestade… é exatamente aquilo que agora temos de construir para o futuro.
Mas neste dia não podemos lembrar apenas a força de quem ajudou.
Temos também de lembrar aqueles que sofreram.
As famílias que viram as suas casas danificadas, os negócios afetados, os agricultores
que perderam trabalho de meses, e todos aqueles para quem a tempestade não foi
apenas um episódio, mas uma dificuldade real nas suas vidas.
A todos eles quero deixar uma palavra muito clara: Tomar não esquece.
O concelho esteve presente nos momentos mais difíceis e continuará presente no caminho da recuperação.
Porque uma comunidade mede-se verdadeiramente não nos dias fáceis, mas na forma como cuida dos seus quando tudo se torna mais difícil.
E sabemos que ainda há caminhos a fazer, apoios a garantir e reconstruções a concluir – e é nossa responsabilidade coletiva não virar a página antes de tempo.
Mas esperança e união precisam de direção.
E por isso a mensagem que hoje deixo é simples: é tempo de recentrar prioridades.
Durante demasiado tempo discutimos o acessório.
Agora temos de focar o essencial.
E o essencial chama-se economia local.
Porque sem economia não há população.
Sem população não há serviços.
Sem serviços não há qualidade de vida.
E sem qualidade de vida não há futuro.
Tomar não pode viver apenas da memória.
O nosso património é extraordinário.
A nossa história é única.
Mas nenhuma cidade vive apenas do que já aconteceu.
As cidades que prosperam são aquelas que transformam identidade em
oportunidade.
Temos localização estratégica.
Temos acessibilidades.
Temos ensino superior.
Temos talento.
Temos qualidade de vida.
O que precisamos agora é foco estratégico.
Durante anos falei da necessidade de apostar na inovação, na atração de empresas, na ligação entre conhecimento e território.
Hoje essas ideias deixaram de ser visão distante.
São urgência.
O mundo está a mudar rapidamente.
O investimento não espera.
A tecnologia não espera.
O talento não espera.
E a pergunta que temos de responder é simples: Tomar quer liderar ou quer continuar a chegar depois?
Recentrar prioridades significa criar condições reais para viver e investir aqui:
- Licenciamentos mais ágeis e transparentes.
- Habitação acessível.
- Infraestruturas eficientes.
- Gestão responsável e inteligente dos recursos.
- Segurança e serviços públicos de qualidade.
Porque quando alguém escolhe um concelho, escolhe sobretudo futuro.
Há dois tipos de comunidades: as que passam o tempo a explicar porque não conseguem…e as que encontram forma de conseguir.
A tempestade Kristin mostrou-nos claramente qual é a verdadeira natureza dos tomarenses.
Nós sabemos conseguir.
Agora temos de aplicar esse mesmo espírito à construção do futuro do concelho.
E permitam-me partilhar convosco também uma razão pessoal para esta confiança.
Ao longo dos anos fui trazendo várias propostas a esta Assembleia, sempre com a convicção de que Tomar precisava de pensar mais à frente.
Há mais de doze anos propus a criação de uma incubadora de empresas para apoiar o empreendedorismo e atrair novas dinâmicas económicas para o concelho.
Há mais de uma década defendi igualmente a implementação de um sistema de videovigilância como instrumento de prevenção e reforço da segurança urbana.
Durante muito tempo estas ideias pareceram distantes, difíceis ou adiadas.
Mas hoje começam finalmente a surgir sinais.
Sinais de que estamos a avançar.
Sinais de que há caminho.
Sinais de que começa a existir luz ao fundo do túnel.
E confesso-vos, com total sinceridade: não poderia estar mais orgulhoso por ver que aquilo que durante anos foi apenas visão… começa agora a transformar-se em realidade para Tomar.
Porque mais importante do que quem propõe, é quando a cidade ganha.
No ano passado falei-vos como futuro pai, perguntando que cidade entregaríamos aos nossos filhos.
Hoje continuo a fazer essa pergunta.
Mas sinto algo diferente.
Sinto que começámos finalmente a acreditar que a resposta depende de nós.
Porque uma geração não se define pelos problemas que encontrou.
Define-se pelas decisões que teve coragem de tomar.
E talvez… este seja o nosso momento.
O momento em que Tomar deixou de esperar…e começou a construir.
Quando vimos os voluntários após a tempestade Kristin percebemos algo essencial: esta cidade nunca falha quando é chamada.
Nunca falha quando precisa de cuidar dos seus.
Nunca falha quando o futuro está em causa.
E é exatamente esse espírito que agora precisamos para construir o amanhã.
Hoje não celebramos apenas a cidade que herdámos.
Celebramos a cidade que podemos construir.
Tomar que cria oportunidades.
Tomar que atrai talento.
Tomar que fixa famílias.
Tomar que volta a acreditar em si própria.
Eu acredito.
Acredito que já se respira outro ar em Tomar.
Acredito que estamos no início de um novo ciclo.
E acredito que o melhor desta cidade ainda está por escrever.
Porque Tomar não nasceu para ser apenas memória.
Tomar nasceu para continuar a fazer história.
Viva Tomar.
Discurso de Francisco Tavares, deputado do CDS-PP, na Assembleia Municipal de Tomar comemorativa do Dia do Concelho – 1 Março 2026

