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Fonte da Prata, uma história com mais de 120 anos

Estávamos a 14 de fevereiro de 1897 – já passaram 124 anos – quando foi inaugurada a Fonte da Prata na altura situada ao fundo da rua da Graça (atual av. Cândido Madureira) onde hoje está a rotunda Alves Redol, em Tomar.

Segundo o anúncio publicado na ocasião no semanário “A Verdade”, o presidente da câmara, João Torres Pinheiro, participava à população “o acto de recepção das aguas de Marmelaes, no local onde se acha construído o chafariz”.

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Fonte da Prata no local original, em dia de cheias

Há 124 anos, a água que abastecia a Fonte da Prata era canalizada ao longo de um quilómetro desde Marmelais até ao centro da cidade. O nome do fontanário de duas bicas deriva da pureza, leveza e limpidez da água “nascida de rocha siliciosa e perfeitamente límpida, inodora e insípida”, como se lê no livro “Notícia Descriptiva e Historica da Cidade de Thomar (1903) de J. M. Sousa. O autor acrescenta que a água era “tão leve e de tão fácil absorção” que “foi sempre recomendada aos doentes e convalescentes”.

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Nos anos 30 do séc. XX há registos de que se pagava a água que era recolhida em cântaros na Fonte da Prata e noutras fontes na cidade. Num artigo publicado em 1938 questionava-se a qualidade dessa água que seria responsável por cerca de 20 por cento da mortalidade na Tomar da época. Por isso, aconselhava-se a ferver a água.

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Recorte do jornal “A Verdade” (fevereiro de 1897)

Em 1967, com a construção da ponte nova e da rotunda Alves Redol, a fonte foi transferida para a travessa João Freire, nas traseiras da Casa dos Cubos, deixando de ser abastecida pela fonte de Marmelais.

Em 2001, a Fonte da Prata volta a mudar de local. Quando foi construída a fonte cibernética ornamental, projeto que incluía a “requalificação do espaço envolvente aos Arcos dos Estaus na Praceta Alves Redol”, a Fonte da Prata é transferida para junto dos Estaus e da praça de táxis, mais perto do local original.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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