Sob o pretexto de apoiar uma causa social em S. Tomé, a Associação Mionga solicitou um subsídio à Câmara Municipal de Tomar. Os vereadores aprovaram o apoio na convicção de que se tratava de uma iniciativa legítima de solidariedade e cooperação.
Contudo, surgiram questões sobre a finalidade efetiva desse apoio, nomeadamente quanto à possibilidade de o montante atribuído ter servido para financiar a deslocação da vereadora do PS, Filipa Fernandes, a S. Tomé.
A confirmar-se esta situação, importa esclarecer de que forma foi utilizado o dinheiro público e qual o papel de Filipa Fernandes neste processo. Uma causa social, por mais meritória que seja, não pode ser utilizada de forma a suscitar dúvidas sobre a transparência e a finalidade dos apoios concedidos.
A aprovação de um subsídio pelos órgãos municipais, com base na informação que lhes foi apresentada, não dispensa os responsáveis diretamente envolvidos de prestarem os esclarecimentos necessários sobre a utilização efetiva das verbas. A responsabilidade pela transparência exige que sejam clarificados os contornos desta situação, sem especulações, mas também sem omissões.
Filipa Fernandes, enquanto titular de um cargo político e defensora da transparência na vida pública, deve esclarecer se beneficiou, direta ou indiretamente, deste apoio e em que condições ocorreu a sua deslocação a S. Tomé.
Ainda mais, quando há uns anos surgiu a suspeita do pagamento de propinas através do orçamento camarário numa universidade onde a autarca frequentava uma pós-graduação.
Os munícipes têm o direito de conhecer a verdade sobre a aplicação dos dinheiros públicos. A solidariedade e a cooperação merecem respeito e credibilidade, e é precisamente por isso que qualquer dúvida sobre a utilização de verbas destinadas a uma causa social deve ser esclarecida com rigor, transparência e sentido de responsabilidade.




