Mário Formiga ou Francisco Madureira, um deles será o mordomo da Festa dos Tabuleiros que deverá realizar-se em julho de 2027.
Os dois tomarenses, ambos ligados à festa há décadas, vão disputar o cargo, em que a decisão final compete ao povo de Tomar.
A câmara convocou a população para dia 18 de abril, sábado, pelas 18h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, para decidir, primeiro, se quer a festa dos Tabuleiros em 2027, e depois eleger o mordomo responsável pela organização do evento.
Quanto à primeira decisão, é pacífico e consensual haver festa no próximo ano, cumprindo-se a tradição da periodicidade de quatro em quatro anos.
O mesmo não se pode dizer da eleição do mordomo, uma vez que há dois interessados no lugar: Mário Formiga, que desempenhou essas funções na última festa, em 2023, e Francisco Madureira, que publicou no Facebook as razões da sua candidatura.
Nessa reunião do povo que promete encher o salão nobre, o presidente da câmara, Tiago Carrão, vai perguntar se há alguém que se auto-proponha para mordomo. Havendo dois candidatos segue-se a votação de braço no ar e por aplausos.
Manda a tradição que, nessa altura, sejam lançados foguetes a anunciar a festa de 2027.
Aqui deixamos as razões das candidaturas de Mário Formiga e de Francisco Madureira:
Foi na aparente indisponibilidade de alguém para se apresentar a Mordomo da Festa dos Tabuleiros que, há mais de um ano, fui incentivado e encorajado para tal missão.
A Festa dos Tabuleiros é uma celebração que a todos os tomarenses orgulha, não me sendo, por isso, indiferente. Estando ligado à Festa desde 1995, ou seja, há cerca de 30 anos, tal circunstância levou-me a refletir que reunirei condições para ser MORDOMO, pois, no que respeita ao gosto pela FESTA, não há quem goste mais ou menos – TODOS GOSTAMOS MUITO – entendendo-a como a celebração máxima da identidade de todos nós, dos tomarenses e do concelho de Tomar.
Durante este período, falei com os que me são mais próximos, pois sem o seu apoio uma missão destas torna-se impossível. Por minha iniciativa, falei pessoalmente com todos os antigos Mordomos e com pessoas cuja opinião considerei relevante para a minha decisão, sempre com sentido de responsabilidade e consciência da amplitude do desafio.
Os que melhor me conhecem sabem o empenho, o rigor e a dedicação que coloco em tudo o que faço. A missão e o papel de Mordomo – O MAIS HUMILDE E DISPONÍVEL SERVIDOR DA FESTA – exigem, genuinamente, dignidade, compromisso, humildade e orgulho em servir o concelho de Tomar e os tomarenses.
Por isso, a minha disponibilidade não é contra ninguém; é, sim, pelo respeito, pelas tradições, pelo legado que os nossos antepassados nos transmitiram, pelas pessoas e por todos quantos dão vida à Festa. Sei que cada gesto, cada cortejo e cada tabuleiro são momentos de autenticidade única que têm de ser honrados, para assegurar a grandeza e a importância da Festa, mantendo elevado o nome de Tomar com seriedade e prestígio.
Seriedade e prestígio que não podemos esquecer, perante uma FESTA em que a componente civil e religiosa se conjugam. Por um lado, a Festa deve merecer todo o apoio que, acredito, existirá por parte de todos os órgãos autárquicos do nosso concelho de Tomar – Assembleias de Freguesia, Juntas de Freguesia, Assembleia Municipal e a nossa Autarquia. Por outro lado, destaca-se o relevante desempenho das freguesias na criação e participação no Cortejo dos Tabuleiros, que, com orgulho, num misto de beleza e grandiosidade, se fazem transportar com a Coroa ou a Pomba do Espírito Santo.
Acresce ainda o importante apoio da Assembleia Municipal e do Executivo Municipal que, reconhecendo que a Festa é do Povo e para o Povo, sustentam uma organização muito própria, tal como o fazem todas as Comissões e todos aqueles que se unem numa síntese perfeita de comunhão, partilha e unidade. Unidade essa que se manifesta, de forma exemplar e única, nas ruas populares ornamentadas, assumindo um papel relevante que importa respeitar.
A Festa é passado, presente e futuro.
A participação ativa e empenhada dos encarregados de educação, educadores, professores e crianças dos Jardins de Infância, Escolas do Primeiro Ciclo e Agrupamentos de Escolas é imprescindível na construção desse futuro.
Quanto ao carácter profano e religioso da Festa, importa sublinhar, em termos de agradecimento, engrandecimento e modernidade, que esta celebração em honra do Divino Espírito Santo conta com a participação, de dignidade exemplar, da Santa Casa da Misericórdia, enquanto guardiã dos símbolos da Festa – o Pendão e as Coroas -, constituindo um verdadeiro hino ao carácter único da Festa dos Tabuleiros.
Honrando o Espírito Santo, engrandecemos a Festa numa mensagem de união entre o profano e o religioso que importa defender. E, ao defendê-la, preservamos a genuinidade desta celebração tão singular, afastando inovações que não importa assumir.
Por isso, o compromisso e empenho que hoje declaro são de trabalho, de dedicação constante, de promoção da partilha sem exclusões, de respeito pelo coletivo e pela dignidade da Festa dos Tabuleiros, bem como de dignificação do seu legado e da sua preservação para as gerações futuras, celebrando o espírito de união com que a Festa nos abraça.
Termino esta missiva como comecei:
Sim, estou disponível.
Porque a grandeza da Festa dos Tabuleiros não se explica – sente-se, vive-se.
Viva a Festa!
Francisco Lopes Madureira Salgueiro


