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Câmara vai mudar o nome da Várzea Grande

Várzea Grande, em Tomar

O assunto vai à reunião da câmara de Tomar de segunda feira, dia 27. Por proposta do vice-presidente Hugo Cristóvão, a atual Várzea Grande vai passar a chamar-se praça arq. José Inácio Costa Rosa.

Nesta altura ainda não são conhecidos os fundamentos da proposta.

Em contraponto com a Várzea Pequena, a Várzea Grande, situada do lado sul da cidade, foi um terreno doado ao povo de Tomar para aí realizar a feira de Santa Iria. Atualmente serve de parque de estacionamento. Existe um projeto de requalificação para este espaço cujas obras devem começar depois da festa dos Tabuleiros.

Figura conhecida e respeitada em Tomar, José Inácio Costa Rosa, 92 anos, formou-se em arquitetura em 1951 na Escola Superior de Belas Artes em Lisboa.

Foi professor de desenho, artes visuais e geometria descritiva na antiga Escola Industrial e Comercial de Tomar, atual Jácome Ratton.

É autor de inúmeros projetos de arquitetura de edifícios no centro histórico de Tomar (Casa paroquial, por exemplo) e noutras cidades e dos desenhos de várias publicações sobre a história de Tomar.

Participou com vários textos em publicações como o Boletim. Cultural da Câmara Municipal de Tomar e o livro “Tomar Perspectivas” editado pela Comissão da Festa dos Tabuleiros em 1991.

É ainda autor do livro “Forcados Amadores de Tomar – 1894 / 2006” ou não fosse Costa Rosa um grande aficionado.

É o sócio n.º 166 da Ordem dos Arquitetos.

Escrita por Redação

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  1. Parece uma daquelas notícias que por vezes se publicam no dia primeiro de Abril, ou dia das mentiras. Indo por partes. Primeiro, julga-se que uma grande maioria de tomarenses estará de acordo em que se atribua o nome do arquiteto J. I. Costa Rosa a uma artéria ou largo citadino. Segundo, o problema é escolherem a Várzea grande. Vai acontecer o mesmo que sucede com a Rua da Graça, oficialmente Av. Dr. Cândido Madureira (avô do atual manda chuva do Cidade de Tomar), e com a Levada, legalmente Rua Everard. Toda a população vai continuar a designar aquele largo da feira como Várzea Grande. Tanto mais que, terceiro, ela até já tem uma designação oficial. É o Largo 5 de Outubro. Ao que se constata, só o sr. vereador é que não sabe isso.
    Em quarto lugar, essa léria da doação do largo para alí ser realizada a feira, não passa disso mesmo, de uma treta. Tal como a Várzea pequena, a Várzea grande sempre foi um terreno comunal, ou público. Até porque ambos eram terrenos cobertos de água durante uma parte do ano, antes da regularização do curso do rio, a partir da administração do Infante D. Henrique, (1420 – 1460), como cabeça da Ordem de Cristo. Se dúvidas houver quanto à origem da designação comum, basta consultar em qualquer dicionário a palavra várzea.
    Do ponto de vista histórico, a várzea sempre pertenceu à Ordem dos templários e depois de Cristo, a partir de 1319, tal como acontecia com todo o restante território, doado aos templários por D. Afonso Henriques, na sequência da tomada de Santarém, sob a designação genérica de “termo de Ceras”.
    Durante o domínio filipino ocorreu um litígio célebre em Tomar, entre a Ordem de Cristo, cujo mestre era o próprio rei, e os franciscanos, que pretendiam edificar um convento na Várzea Grande. Fiel à história, a Ordem declarou-se única e legítima proprietária do terreno, opondo-se a qualquer construção. Desconhecedor da situação local, porque estrangeiro, e mal aconselhado pelos seus acólitos, o rei castelhano (bisneto do rei D. Manuel I e por isso herdeiro legítimo da coroa portuguesa) consentiu que o assunto fosse levado à justiça real. E o tribunal deu razão aos franciscanos, com o curioso argumento segundo o qual “a várzea sempre pertenceu ao povo de Tomar”.
    Séculos volvidos, qual é a situação? Entre a várzea e o pinhal de Santa Bárbara (outro terreno baldio ou comunal), temos o Convento de S. Francisco, ocupando parte importante do antigo campo das feiras, ou Rossio da vila.
    Na sala de audiências do palácio da justiça, na parede por trás das cadeiras dos magistrados, um painel de azulejos do século passado relembra a pretensa vitória dos tomarenses, no século XVII: “e a justiça do rei reconheceu ao povo de Tomar a posse da sua Várzea Grande”.
    Outros tempos, em que já imperava a ignorância, mas não tanto como hoje.

  2. ADENDA AO COMENTÁRIO ANTERIOR
    Por lapso, não se mencionou um outro sinal da citado julgamento que veio a permitir a edificação do Convento de S. Francisco. Trata-se daquele padrão, muito mal cuidado, entre o Palácio da justiça e a estação da CP, que comemora o dito julgamento, pretensamente favorável ao povo da vila. Até à construção do Palácio da justiça (1952), o referido monumento estava no local onde agora temos a estação rodoviária. No centro da antiga Várzea grande, cujos terrenos, antes da construção do ramal de Tomar, nos anos 30 do século passado, se prolongavam até ao outro padrão, onde está agora o viaduto da antiga passagem de nível. Daí, a extrema era a margem do rio, até à Rua de Trás.
    Ao longo dos séculos, os sucessivos autarcas foram vendendo a retalho e ao preço da chuva no inverno lotes do “terreno municipal da Várzea”. Assim surgiram todas aquelas edificações entre o Padrão sebástico de S. Lourenço e a Rua da Saboaria, que data do Infante D. Henrique.
    É velha de séculos essa curiosa mania dos autarcas tiomarenses, de se considerarem donos dos terrenos baldios ou comunais, que, como o próprio nome indica, pertenciam e pertencem ao povo, cabendo à câmara unicamente a sua boa administração, como representantes da população. Mas como sempre fomos e somos um país e uma terra de lorpas…

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