Se perguntar isto a qualquer pessoa do Ribatejo, há uma boa hipótese de já saber a resposta antes de a ouvir.
A região de Santarém, historicamente ligada ao Benfica desde os primeiros anos do associativismo desportivo em Portugal, é território encarnado por excelência. Mas a resposta completa é mais interessante do que parece, e vale a pena perceber porquê.
O distrito de Santarém e a sua relação histórica com o futebol
O distrito de Santarém, que integra concelhos como Tomar, Abrantes, Torres Novas, Entroncamento, Rio Maior, Cartaxo, Alpiarça e Golegã, entre outros, tem uma população de cerca de 440 mil habitantes dispersa por um território muito variado.
É uma zona onde o futebol sempre foi vivido com intensidade, tanto nas bancadas dos três grandes como nos recintos dos clubes locais, com destaque para o União de Tomar e o Clube Desportivo de Torres Novas, as duas equipas da região com mais história nos campeonatos nacionais.
A paixão pelo futebol vai hoje além dos estádios, ou das televisões, inclusive em Santarém, onde cada vez mais adeptos fazem as suas apostas desportivas, que muitas vezes acabam por refletir a preferência de cada um. E quando se fala em preferências clubísticas, o quadro é dominado, como em quase todo o sul de Portugal, pelos três grandes: Benfica, Sporting e FC Porto.
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O Benfica e a sua presença histórica no Ribatejo
A resposta curta à pergunta do título é: o Benfica. E não é uma questão de opinião, é uma questão de estrutura associativa, de história e de números.
A Casa do Benfica de Santarém é a número 4 da rede de casas do clube, fundada a 6 de fevereiro de 1961, o que a torna uma das mais antigas do país. Em novembro de 2023, o clube inaugurou a Casa do Benfica 2.0 em Santarém, um espaço renovado com campo de futebol, basquetebol e futevolei, confirmando o investimento do clube na região.
Para além de Santarém, o Benfica tem casas em Abrantes (fundada em 1994), Rio Maior, Torres Novas, Ourém, Entroncamento, Alpiarça, Fátima, Cartaxo, Samora Correia e Golegã, e ainda duas filiais históricas: o Sport Abrantes e Benfica (fundado em 1916) e o Sport Lisboa e Cartaxo (fundado em 1935). São mais de uma dezena de estruturas organizadas em todo o distrito, construídas ao longo de mais de cem anos.
A nível nacional, uma sondagem da Intercampus para o Correio da Manhã mostrou que o Benfica reúne 46% das preferências dos portugueses, praticamente o dobro do Sporting (23,8%) e quase o dobro do FC Porto (24,7%). No Ribatejo, essa tendência é reforçada pela proximidade geográfica e histórica com Lisboa.
O Sporting e a ligação especial a Tomar
O Sporting tem também raízes profundas no distrito, mas concentradas de forma muito particular numa cidade: Tomar. O Sporting Clube de Tomar foi fundado a 26 de fevereiro de 1915 e tornou-se a 1.ª filial do Sporting CP a 9 de abril de 1922, sendo assim a mais antiga filial leonina ainda ativa.
Com mais de 8 mil seguidores no Facebook e uma história de mais de cem anos, o Sporting Clube de Tomar é um ponto de referência para os sportinguistas da região.
O Sporting tem atualmente mais de 240 núcleos espalhados pelo país, vários deles no distrito de Santarém, e cerca de 180 mil sócios registados. A presença leonina no Ribatejo é real e organizada, mas quantitativamente inferior à do Benfica.
O FC Porto e a rivalidade que chega a todo o lado
O FC Porto tem uma base de adeptos menor no sul do país, e o distrito de Santarém não é exceção. Ainda assim, os portistas existem em todos os concelhos, e os jogos do Porto têm sempre quem os acompanhe com fervor.
A nível nacional, o FC Porto reúne cerca de 24,7% das preferências dos portugueses, com distribuição muito desigual pelo território e maior concentração no norte do país.
Os clubes locais e a identidade desportiva do distrito
Seria injusto falar de futebol em Santarém sem mencionar os clubes da casa. O Clube Desportivo de Torres Novas e o União de Tomar são as duas equipas do distrito com mais presenças em campeonatos nacionais de futebol. Não competem na Liga Portugal, mas têm uma base de adeptos locais fiel e uma história que os seus sócios guardam com orgulho.
Estes clubes coexistem com os três grandes de uma forma muito portuguesa: o adepto local veste a camisola do Benfica ou do Sporting ao fim de semana, mas não perde o jogo do Torres Novas ou do Tomar quando joga em casa. São lealdades que não se excluem, e que definem bem o modo como o futebol é vivido no interior do país.
Território encarnado, com nuances
A região de Santarém é, por todos os indicadores disponíveis, território de maioria benfiquista. A rede de casas do Benfica no Ribatejo é das mais densas do país, com raízes que remontam a 1916.
O Sporting tem a sua história própria, sobretudo em Tomar, e o FC Porto tem os seus adeptos espalhados por todos os concelhos. Mas se tiver de escolher um único clube com mais adeptos na região, o vermelho da Luz é a resposta mais segura.
O futebol no Ribatejo é isso: uma maioria encarnada, uma minoria leonina bem organizada, uma presença portista discreta e uma identidade local que sobrevive a tudo.

