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Três anos para abrir uma porta

O processo de abertura da porta da Torre da Condessa diz muito sobre como funcionam os organismos públicos em Portugal. Foram precisos cerca de três anos para que três entidades se entendessem quanto à abertura de uma simples porta que liga a Mata dos Sete Montes ao Convento de Cristo, em Tomar.

Uma das últimas crónicas do encenador Carlos Carvalheiro, no jornal O Templário, é dedicada a este “evento histórico” de abertura de uma porta, momento que foi assinalado de forma apoteótica pela autarquia. “Fez-se história na vida cultural e patrimonial do concelho”, festeja a câmara em nota de imprensa.

“Notícias de última hora e fotografias do “evento histórico” a ocupar páginas inteiras nos media locais de Tomar deram conta de que foi aberta a “Porta da Condessa” e eu, claro, fiquei arrepiadinho…”, ironiza o cronista do grupo de teatro Fatias de Cá.

A Torre da Condessa, em acentuado estado de degradação, faz parte da estrutura muralhada do castelo e Convento de Cristo que é tutelado pela DGPC – Direção Geral do Património Cultural. A Mata dos Sete Montes é da responsabilidade do Instituto da Conservação da Natureza. Depois temos a Câmara que, não tendo responsabilidades nem num nem noutro espaço, vai investindo em substituição das entidades competentes.

Há várias décadas que a ligação entre a Mata e o Convento através da Torre da Condessa estava fechada. Para que a porta fosse reaberta no horário normal de expediente foram iniciadas há cerca de três anos as negociações entre as três entidades.

“E andaram nisto uns três anos, até concordarem abrir a porta. Não há paciência para estes jogos…”, escreve Carlos Carvalheiro.

O encenador aproveita a deixa para lançar uma proposta cultural:

“Por falar em três anos, daqui a isso, quando for 2023, faz 500 anos que o Gil Vicente estreou a “Farsa de Inês Pereira” no Convento de Cristo. Se, para abrir uma porta demorou três anos, talvez seja melhor começar já a preparar a abertura de mais uma ou duas para se comemorar o evento. Haja paciência para estes jogos…”

 

Escrita por Redação

Comentários

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  1. Além da demora no entendimento entre pastores de diferentes sectores da pastagem tomarense, -três anos nos tempos que correm é praticamente uma eternidade-, e do estilo despropositado usado para publicitar a coisa, avulta outra circunstância ainda não denunciada. A passagem pedonal pela porta e escadaria da Torre da condessa corresponde à fase mais sombria da Ordem de Cristo. A que começou em 1529 com a reforma forçada da ordem, que deixou de ser de cavalaria e passou a ser de frades de cógula. Nada tem portanto a ver com a fundação do castelo templário. É um simples remendo.
    Em termos de produto turístico a elaborar para posterior venda em pacote, o dito percurso não tem portanto qualquer relevância, tanto mais que nem permite o trânsito de visitantes com dificuldades locomotoras, devido à longa e íngreme escadaria. Roçou por isso o ridículo a pompa que rodeou a sua reabertura. Simples caça ao voto.
    O que teria mesmo considerável importância seria a reposição da entrada no castelo templário através da primitiva Porta da Almedina, mais tarde Porta do sangue. O que implica alguma terraplanagem dos aluimentos ocorridos ao longo dos séculos, bem como a remodelação parcial do actual laranjal. Aí sim, teríamos um percurso tão simbólico que até Humberto Eco já o descreve no Pêndulo de Foucauld, embora ele já não exista, justamente desde que a freguesia de Santa Maria do castelo deixou de existir, há cinco séculos, devido à nefasta reforma conduzida por Frei António de Lisboa.
    Cabe recordar que durante os mandatos de António Paiva se fizeram obras nesse sentido, nomeadamente o arranjo da via e a sua iluminação, entretanto roubada. Foi porém impossível naquela altura demolir parte do muro de pedra solta e reconfigurar o terreno, devido à oposição dos funcionários que têm a seu cargo a Mata dos sete montes.
    A actual maioria camarária, sobretudo a sua vereadora turística sempre em festa, tem demasiada tendência para confundir simples balões com lanternas eléctricas.

  2. Está “feita historia”, e, principalmente, está feita obra.
    É o que vai restar no sedimento da memoria do “cidadão-eleitor-alvo”.
    Esta historia, esta obra, e outras.
    Há-de vir aí a inauguração disto e daquilo, Varzea Grande, varzea pequena, Rua Direita, rua esquerda, Av. Nuno Alvares Pereira, av. dos pintassilgos, etc, etc, etc.
    Inaugurações e celebrações que irão alimentar a convicção de que esta Camara não para a preparar o futuro, e é incansável a melhorar o presente.
    Canseira….

  3. “Morto por ter cão, morto por não ter” Se não fazem, aqui Del Rei que não fazem nada, se fazem, é para caçar votos. Haja paciência como diz o outro. E nunca votei no partido que governa a câmara.

    • Sr Fernando, o sr. pensa que está cheio de razão, mas na verdade não percebeu nada da situação até agora. Não se trata de fazer ou não fazer, com cão ou sem cão. Trata-se isso sim de denunciar e criticar quando a câmara faz e está mal feito, como é o caso. Por conseguinte, sr. Fernando, não é preciso ter paciência, basta ter cabeça para entender o que se vai passando.
      Nunca votou no partido que governa a câmara, escreve o sr. Pois pode votar à sua vontade. É por causa de votos tão esclarecidos como o seu que estamos cada vez melhor.

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