“Reabilitação do Paço Henriquino, Alcáçova e Castelo e requalificação do jardim”, assim se chama a empreitada iniciada 3 de novembro no Convento de Cristo em Tomar, cujo projeto começa a ser revelado, mas ainda com alguns aspetos por esclarecer.
O principal objetivo é “a dignificação do Paço Henriquino, com a criação de um novo circuito de visita e a promoção de condições de acessibilidade universal”, ou seja, um novo acesso ao monumento.
Além disso, o projeto abrange igualmente a área do jardim, numa “abordagem de sustentabilidade e respeito pelos valores culturais e paisagísticos”.
Uma intenção de alterar o jardim é contestada por centenas de cidadãos que já subscreveram uma petição em defesa do jardim de estilo formal do Convento de Cristo que está a ser destruído por causa das obras no terreiro do monumento.
O contrato tardou em ser publicado na plataforma Base.Gov conforme obriga a lei. Sabe-se, por informação no local e no contrato, que a empreitada foi adjudicada à empresa In Situ – Conservação de Bens Culturais por 3.952.219,37 euros, tendo como prazo de execução 300 dias, ou seja, cerca de 10 meses.
O projeto é da autoria do arquiteto João Mendes Ribeiro, de Coimbra.
Desde que começaram as obras, o Castelo Templário de Tomar, o jardim e outros espaços do Convento de Cristo estão encerrados ao público por um período previsível de quatro meses.
Entretanto já decorrem há mais tempo as obras de conservação e restauro dos Claustros de D. João III e Santa Bárbara, empreitada adjudicada por 1,7 milhões de euros também à empresa In Situ, com prazo de execução de 330 dias e conclusão prevista para o final de junho de 2026, segundo o Património Cultural.
A intervenção nos claustros integra um investimento mais amplo de 3,6 milhões de euros destinados à requalificação e reabilitação de novos espaços no Convento de Cristo, lançado a concurso em fevereiro.
Ao longo de 2025, o monumento receberá duas empreitadas de reabilitação e requalificação num total superior a cinco milhões de euros, financiadas na totalidade pelo PRR.
Estratégia de intervenção segundo a memória descritiva:
A ideia que preside à concepção do projecto de reabilitação do Paço Henriquino e Alcáçova, Castelo e requalificação do jardim é a de revitalizar o monumento para lhe conferir novas valências funcionais e condições de visita qualificadas, cumprindo com o programa preliminar.
O objetivo do projecto é o da transformação do complexo em ruínas num espaço habitável. Para esse efeito, procurou-se:
– Restaurar, recuperar e reabilitar o conjunto edificado;
– Não adulterar espaços e não comprometer o reconhecimento de realidades históricas;
– Configurar uma nova proposta que consolida e conserva o existente e que organiza o programa;
– Desenhar os novos edifícios como entidades que se adequam ao lugar específico e ao tempo presente, assumindo uma linguagem própria e, simultaneamente, recuperando e integrando as pré-existências;
– Configurar um percurso lógico e acessível resolvendo os problemas de circulação vertical (articulação entre pisos e promoção da acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida, adaptada às características específicas do conjunto em causa, dando cumprimento do disposto no Decreto-Lei nº163/2006, de 8 de agosto);
– Equipar os novos edifícios com novas redes infraestruturais adequadas às características do conjunto e às funções de cada espaço;
– Requalificar a imagem global da paisagem na área do jardim numa abordagem de sustentabilidade e respeito pelos valores culturais, paisagísticos e construtivos.
Obras de 3,3 milhões fecham castelo de Tomar durante quatro meses










