
A Sociedade Banda Republicana Marcial Nabantina, de Tomar, comemora o seu 149.º aniversário nesta terça feira, dia 12, com uma arruada às 19h30 e a habitual sessão solene na sede pelas 21h00.
As comemorações prosseguem no domingo, dia 17, pelas 16h00, com um encontro de bandas filarmónicas no coreto do jardim da Várzea Pequena.
Percurso da arruada:
Rua Silva Magalhães, Praça da República, Rua Infantaria 15, Av. ª Cândido Madureira, Rotunda Alves
Redol, Ponte Eng. Arantes de Oliveira (ponte nova), Av. ª Norton de Matos, Av. ª Ângela Tamagnini,
Alameda Um de Março, Rua Marquês de Pombal, Ponte D. Manuel I (ponte velha), Rua Serpa Pinto e
Rua Silva Magalhães.
Um pouco da história da Nabantina:
A centenária coletividade, com sede na rua Silva Magalhães, no centro histórico de Tomar, foi fundada a 12 de setembro de 1874, mantendo uma atividade regular até hoje.
Inicialmente, fora batizada com o nome de Real Banda Marcial Nabantina. Desde logo, foi uma alternativa paisana à hegemonia militar que, então, fazia música na localidade, pelo regimento sediado na cidade. Foram seus fundadores Sebastião Campeão e José Matias de Araújo, então jovens ao redor dos seus vinte e cinco anos.
Provinciana e rural, Tomar possuía, desde os finais do século XVIII, uma fábrica da fiação que empregava um significativo número da população. Dela saíam muitos dos músicos, apesar de um perfil monárquico regenerador dos “pais fundadores”.
Nos primeiros anos após a sua fundação, além de ministrar o ensino da música, manteve uma escola de ensino primário, que veio completar a formação dos sócios mais carenciados. No entanto, a sua atividade principal foi, é e sempre será a existência de uma banda de música. Esta percorria as ruas da cidade sempre que qualquer acontecimento festivo ou efeméride o justificava (como é exemplo o desfile de indignação patriótica motivada pelo Ultimatum de 1890). Famoso era o seu desfile em modelo de “marche aux plane heux”. Atualmente, continua a percorrer as ruas da sua cidade em datas importantes, como o 1º de Maio e o 1º de Dezembro, para além das tradicionais arruadas de Boas Festas e do dia do seu aniversário.
Com o 5 de outubro de 1910 passou a chamar-se Sociedade Banda Republicana Marcial Nabantina, mas nunca foi exageradamente “afonsista” como prova o Grupo Dramático Nabantino, fundado a 1913. A Banda passou a fazer concertos ao ar livre, a direção promovia “quermesses”, mais tarde, nos anos 20, muitos bailes animados pelos grupos Jazz Nabantino Ultra-futurista e Hiper Melody Jazz Nabantino, e muitas digressões e excursões, quando as facilidades rodoviárias começaram a ser mais certas.
Foi, também, nesta casa que se começou a afirmar, em sessões de arte, o talento musical de Fernando Lopes Graça, já a agremiação se tinha sediado no chamado “Bairro das Flores” (como lhe chamavam os tomarenses por nele estar situado o Jardim Público), atual sede da coletividade (Rua Silva Magalhães n.º 54)
Nos anos 60 e 70 albergou ciclos culturais, com a presença de intelectuais de oposição do Regime salazarista, como Alves Redol, Fernando Namora, Vasco Graça Fernandes, Lopes Graça e o Coro da Academia de Amadores de Música. Criou uma secção de cinema e recuperou a tradição do teatro e das danças de salão. No princípio dos anos 80, criou um coro, denominado Canto Firme, publicou, durante três anos, um jornal intitulado “Tomar Cultura” e um Boletim Informativo “Sociedade Nabantina” (1986), criou uma Orquestra Ligeira, uma classe de Judo e outra de Xadrez. Nos anos 90, destaca-se a formação de um “Cavalinho” da Nabantina com elementos da banda e uma equipa de Vólei -praia.
Pontualmente, esta instituição teve crises diretivas, urgências de instrumental, conflitos entre executantes, personalidades contrastantes como regentes, dificuldades orçamentais. No entanto, conseguiu sempre superá-las e os seus dirigentes esforçaram-se por fazer permanecer os valores de que a coletividade se regia, para além de combaterem perante o que parecia impossível, fidelidade às suas origens. É a mais antiga coletividade da cidade templária e, desde 1993, é Instituição de Utilidade Pública.
Fonte: https://nabantina.webnode.pt/