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Fadista Aldina Duarte faz rasgado elogio ao festival Bons Sons

A fadista Aldina Duarte, que atuou perante uma multidão, no sábado à noite no festival Bons Sons, em Cem Soldos, escreveu um depoimento emocionante sobre o festival, com um rasgado elogio ao fundador, Luís Ferreira, e à promoção da música portuguesa.

Transcrevemos o seu depoimento publicado no Facebook:

BONS SONS – CEM SOLDOS

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“Viver a aldeia” lemos num espelho de trânsito, há dezasseis anos estava a começar um festival absolutamente singular com tudo, aparentemente, para dar errado, tendo em conta “as leis do mercado cultural”, (expressão arrepiante), iniciativa de um rapaz nascido e criado numa aldeia desconhecida com um nome de contornos literários à moda antiga: Cem Soldos. Bom, há muita informação acessível, hoje em dia, para os mais curiosos sobre o festival e a aldeia. Posso dizer que cantei para uma ladeira de cerca de duas mil pessoas, com a melhor equipa do mundo, para um público com o silêncio e os aplausos mais musicais e poéticos de que guardo memória, que tive abraços e palavras comoventes à espera no fim do concerto pelos últimos anos da ausência forçada pela pandemia, a lua a brilhar no cenário do palco, enfim, uma bênção. Mas o que me marca, definitivamente, é a vitória da música portuguesa e do sonho do tal miúdo com a sua gente de uma das regiões mais abandonadas do país, um bocadinho de céu aqui na terra, que cresceu muito sem nunca perder as suas feições e vibração de criança, isto é, a essência sagrada da música que se estende a todas as artes, ouvir o coração da vida com a curiosidade do pensamento, muito do que nos torna pessoas. Quanto a mim, enquanto fadista, só tenho a agradecer a esperança no futuro. Obrigada, Cem Soldos, ou a (minha) aldeia da música.

1 comentário

  1. EXPRESSÃO ARREPIANTE

    Esta gente “descai-se” sem saber.
    A componente fundamental de todo e qualquer mercado é a liberdade. Seja o mercado habitacional, o mercado financeiro, o mercado de antiguidades, o mercado matrimonial, e até, pasme-se, o mercado cultural. Sem um mínimo de liberdade, não há mercado. Há totalitarismo. É por isso que, as sociedades totalitárias, aquelas cujo funcionamento e reprodução dependem da limitação da liberdade são, de um modo assumido ou encapotado, contra o mercado.
    O que é que a ilustre fadista Aldina Duarte tem contra o facto de as pessoas que a foram ouvir em Cem Soldos terem ido em liberdade?
    Portanto, fica assim:
    No que refere à cantoria, pois muito bem: aprume-se, conserte o xaile e faça-se silêncio que a Aldina vai cantar o fado.
    Já no que concerne a opinar sobre instituições sociais, o melhor mesmo é meter a viola no saco.

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